Para iluminar os passos, despertar a consciência missionária e encorajar para o colocar-se a serviço da promoção da dignidade do outro –  sentido maior da evangelização –, um poema provocante do jesuíta Pe. Benjamín Buelta:

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Em teu silêncio acolhedor nos ofereces ser tua palavra,
traduzida em milhares de línguas, adaptada a toda situação.
Queres expressar-te em nossos lábios no sussurro ao doente terminal,
no grito que sacode a injustiça, na sílaba que alfabetiza uma criança.

Em teu respeito a nossa história, nos ofereces ser tuas mãos,
para produzir o arroz, lavar a roupa familiar,
salvar a vida com uma cirurgia, chegar na carícia dos dedos
que alivia a febre sobre a testa ou acende o amor na face.

Em tua aparente paralisia, nos envias a percorrer caminhos.
Somos teus pés e te aproximamos das vidas mais marginalizadas,
pisadas suaves para não despertar as crianças que dormem sua inocência,
passos fortes para descer até a mina ou entregar com pressa uma carta perfumada.

Nos pedes ser teus ouvidos, para que tua escuta tenha rosto,
atenção e sentimento, para que não se diluam no ar,
as queixas contra tua ausência, as confissões do passado que remói
a dúvida que paralisa a vida e o amor que partilha sua alegria.

Obrigado, Senhor, porque nos necessitas.
Como anunciarias tua proposta sem alguém que te escute no silencio?
Como olharias com ternura, sem um coração que sinta teu olhar?
Como combaterias a corrupção sem um profeta que se arrisque ?

Pe. Benjamín Buelta

(Cf. BUELTA, Benjamín González, Salmos para sentir e saborear as coisas internamente, Juiz de Fora: Mosteiro da Santa Cruz, 2004)

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