Assusta-me o grau de crescente agressividade com o qual nos deparamos todos os dias. Nesses últimos tempos, sobretudo por força do embate político recente, mesmo as pessoas mais próximas e queridas se feriam mutuamente para defender um ponto de vista, optando por um discurso de rasos argumentos veiculados pela mídia, em vez do diálogo de quem busca exatamente a mesma coisa: o bem do país.

Se a agressividade assume tal dimensão em relação ao âmbito público, temo a estarmos engendrando ainda com mais força em relação ao privado. Leio, escuto frequentemente que o racismo, o tráfico de pessoas, a exclusão, a fome são realidades incrivelmente presentes em todas as partes. Chocou-me saber, pelo O Estado de São Paulo, de 03/12/2014, que três em cada quatro mulheres do país já sofreram algum tipo de agressão pelo parceiro. Dói ainda mais constatar que as meninas são as maiores vítimas mundo afora.

Como cristãos, cabe-nos anunciar e agir, de todas as formas ao nosso alcance, criar alternativas de denúncia e anúncio para mostrar que esse não é o sonho de Deus para nós. Devolver a esperança a quem está sendo vitimizado é fazer o Advento ser uma realidade para quem já não crê na Boa Nova que veio para todos, em Belém e hoje, aqui.

Emocionar-nos com o relato abaixo de quem procura um espaço para gritar, de quem não pode acreditar na força do amor por ter sido machucada tão fortemente, de quem já não vê sentido… de alguma forma deve nos interpelar para fazer o Natal de fato acontecer. Não, não é possível permanecermos passíveis!

Tânia Jordão

http://www.geledes.org.br/eu-fui-molestada-dos-meus-seis-aos-nove-anos/#axzz3L2jDRXCL

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