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O Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas e Arquidiocese de Belo Horizonte (NESP), em parceria com o Centro Loyola de Espiritualidade, Fé e Cultura de Belo Horizonte promovem o Ciclo de Debates Igreja e Sociedade: Diálogos, neste primeiro semestre de 2015. Seu objetivo é aprofundar o diálogo e a colaboração entre a Sociedade e a Igreja, visando contribuir para a construção de um mundo justo e humano, conforme aponta a Campanha da Fraternidade deste ano.

O primeiro desses diálogos ocorreu na última quinta-feira, 19/03/2015, assessorado por Pe. Johan Konings (FAJE) e Dom Joaquim Mol (bispo auxiliar de BH e reitor da PUC Minas). O Observatório da Evangelização se fez presente nesse diálogo que foi sobre Igreja e Sociedade: desafios contemporâneos.

Para o Observatório da Evangelização, ouvir a exposição do Pe. Konings argumentando sobre a indubitável responsabilidade dos cristãos na construção da sociedade, particularmente através da educação e ainda do humanismo que lhe é próprio, reforça a consciência de nosso compromisso com aquilo que tange o social.

Já Dom Mol destaca que a característica mais importante a ser resgatada do Concílio Vaticano II, cujos cinquenta anos celebramos, é o diálogo. É imprescindível dialogar com a sociedade: amar a humanidade, para amar a Deus. Dentre os possíveis diálogos, urge que se trave neste momento um sobre a Reforma Política, tema que tem desafiado a Igreja no Brasil. Lembrou-nos, ainda, as palavras do Papa Francisco: “Uma fé autêntica que nunca é cômoda nem individualista comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”. Embora “a justa ordem da sociedade e do Estado seja dever central da política, a Igreja não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça” (Evangelii Gaudium,183).

Tânia Jordão p/Equipe Executiva.

Antes desse primeiro encontro, dos quatro que o Ciclo de Debates prevê, o Observatório colheu a opinião dos presentes sobre a relação entre Evangelização e Sociedade/ política.

Neste espaço reproduziremos, paulatinamente, o que recebemos ali e nos abrimos para outros posicionamentos que queiram nos enviar:

Pe. François Marie Lewden (Chico):

É preciso antes tentar uma definição da palavra “evangelizar”. Vou arriscar uma: “ajudar o ser humano e todos os seres humanos a descobrir a felicidade na linha das bem-aventuranças propostas por Jesus Cristo”.

Esse Projeto de Jesus se encontra sintetizado com outras palavras:”eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

Os alicerces desta felicidade dependem muito das condições materiais de vida: saúde, educação, moradia, transporte, lazer, segurança, etc. Só os governos têm condições de responder a essas necessidades para todos.

Então a base da evangelização tem muito a ver com a política, para lembrar também à sociedade a existência de todos os tipos de excluídos que muitas vezes estão bem longe de beneficiar-se dessas condições materiais. Eles são os preferidos no coração de Jesus Cristo. Eles nos precedem no seu Reino. No tempo de Jesus, eram as prostitutas, os publicanos, os doentes, etc.

É claro que a evangelização não pode se limitar ao político que não inclui outros valores como a gratuidade, a solidariedade, o amor, o perdão até aos inimigos etc, que levam à verdadeira felicidade proposta por nosso irmão Jesus Cristo.

Um abraço. Chico.

João Carlos da Aparecida (Centro Loyola):

Dentro do nosso processo de evangelização, em que descobrimos através da nossa consciência a importância da teologia cristã, em a nossa fé nos leva a refletir, pensar, sentir a presença de Deus em todos os momentos de nossa vida, não tem como deixar de relacionar o contexto político, uma vez que qualquer ação, desde nossos antepassados, foi refletida em reações de cunho político. Ou seja, nas ações políticas há de se pensar primeiro no bem estar do outro, no amor ao próximo, nas políticas públicas, em vez de agir para o bem próprio (politicagem), praticar a verdadeira política do bem estar social, beneficiando a todos sem distinção.

Irmã Priscila (Colégio São Paulo – Angélicas):

Não é fácil relacionar política e Igreja. Acredito que essas duas esferas podem ser mais unidas. Com o aumento de pessoas religiosas no mundo político já é um bom começo, agora é necessário fazer a diferença. Como? Não aceitando aumentos salariais acima da média do teto nacional da área em que atuam; formando uma boa equipe que ajudará (tais políticos) a elaborar bons argumentos para deixar claras suas posições ideológicas (para que não tenha sua religião como “muleta”, ou melhor, como desculpa para suas tomadas de decisão); tomando cuidado para não ferir a laicidade do Estado.

Nilton Chaves Fernandes:

Se entendermos a Evangelização como leitura da experiência humana à luz do Evangelho, que para nós, cristãos católicos, é a Palavra de Deus direcionada aos homens, por um Deus que se fez homem, então temos de considerar essa relação entre Evangelização e Sociedade como essencial para a construção do Reino de Deus na Terra.

Muito importante mesmo porque é uma possibilidade pela qual a experiência humana partilhada em sociedade vai encontrando o Sentido maior da existência, na medida em que estamos todos inquilinos do tempo e do espaço, a caminho de uma realidade definitiva em Deus.

Interessante também é pensar que a Evangelização leva a Teologia, conhecimento centrado no “PORQUE”, para o encontro com a realidade humana, regida em sua grande maioria pelas ciências, nas quais o conhecimento está centrado no “COMO” e no “PARA QUÊ”, preocupado com a funcionalidade.

Daí a importância dessa realidade humana em sociedade poder passar pela leitura teológica e assim ir dando sentido a todas as diversidades de que é capaz de produzir.

 

 

 

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