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Com o objetivo de contribuir para o intercâmbio, a integração e o planejamento de ações sociopolíticas na Arquidiocese de Belo Horizonte, realizou-se no salão da Catedral da Boa Viagem, no sábado, dia 09 de maio, mais um Fórum Social Arquidiocesano. O encontro contou com a participação  de lideranças de pastorais sociais, grupos de fé e política e alguns movimentos sociais.

Promovido pelo Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, o fórum proporciona, também, um espaço de formação para os agentes de pastoral. Neste sentido, o padre Áureo Nogueira, vigário da Ação Pastoral da Arquidiocese, apresentou uma reflexão sobre a Evangelii Gaudium (EG). A partir do tema “Uma Igreja em saída ao encontro dos pobres”, o facilitador enfatizou que a Exortação Apostólica do Papa Francisco “deixa claro que uma Igreja em saída e que não se preocupa com a inclusão dos pobres denuncia a realidade de uma religião vazia; sem o compromisso com a transformação social e, neste sentido, trai o Evangelho”.

E qualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranquila sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos, correrá também o risco da sua dissolução, mesmo que fale de temas sociais ou critique os Governos. Facilmente acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios. (EG, 207).

Fonte: Portal IG
Fonte: Portal IG

Através do anúncio do Evangelho, destacou o palestrante, a Igreja deve alcançar as periferias existenciais que precisam da luz da Palavra de Deus. Para chegar às encruzilhadas dos caminhos existenciais, muitas vezes “envolvendo-se na lama das estradas”, os cristãos devem ser ousados; precisam transformar as estruturas, inclusive eclesiais, levando com alegria a mensagem evangélica, cujo cerne está na proposta de uma vida digna para todos.

Pe. Áureo recordou que, tendo como referência esse chamamento do Papa Francisco, há algum tempo a Igreja Particular de Belo Horizonte, através das Diretrizes da Ação Evangelizadora e das Assembleias do Povo de Deus,  prioriza o serviço aos pobres; reforça a dimensão ecumênica e valoriza a dimensão sociopolítica da ação dos cristãos, conforme expresso nas diretrizes para a inserção social, aprovadas na 4ª APD.

A opção preferencial pelos pobres enquanto não for total e amorosamente incorporada em nossa vida cristã, precisa ser reafirmada na Arquidiocese de Belo Horizonte, pois o serviço solidário e o compromisso com eles é expressão fundamental da espiritualidade encarnada, como também sinal do frescor e vigor da vida comunitária. (Diretrizes da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Belo Horizonte e Planos de Ação Pastoral 2013 – 2016, número 29).

Após a reflexão sobre a Evangelii Gaudium, os participantes do encontro foram convidados a discutir a proposta de criação dos Núcleos de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial (NAASP), elaborada pelo Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política. Segundo o informativo distribuído no encontro, a implantação dos núcleos se iniciou em comunidades de maior vulnerabilidade social, sendo que a proposta é simples: “contribuir na articulação dos trabalhos sociais já existentes na paróquia, no acesso a rede de proteção social do município e na formação cidadã para a busca de direitos nas comunidades”.

Os núcleos devem se estruturar a partir do tripé formação, articulação e ação profética, iniciando com um levantamento sobre as principais demandas da população local, seguindo na capacitação de lideranças paroquiais e, posteriormente, na implementação de um serviço de Acolhida Solidária (que prestará assistência às pessoas em situação vulnerável, atendendo demandas emergenciais e na defesa dos direitos e nos encaminhamentos à rede de proteção socioassistencial).

Ainda segundo o informativo do Vicariato para a Ação Social e Política, “a formação das lideranças para a conquista de políticas públicas é outro eixo do trabalho dos Núcleos. (…) Os NAAP’s pretendem ser uma presença profética de misericórdia e de solidariedade, a ponto de denunciar o que avilta no coração humano sua dignidade; (buscando) manter vivo o ideal de uma sociedade justa e fraterna; (tendo) o cuidado de não separar o social do político (cidadania, mobilização, promoção do bem-comum)”.

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Finalizando o encontro, foram apresentadas várias iniciativas de formação sociopolítica realizadas pelo Vicariato em parceria com o Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) nas regiões episcopais. Atendendo a determinação das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Arquidiocese, cursos sobre a Doutrina Social da Igreja intitulados “Igreja e Sociedade” estão ocorrendo nas regiões episcopais Piedade, Esperança e Aparecida. Também foi apresentada uma extensa agenda de reuniões dos setores sociais das regiões Esperança, Aparecida e Conceição, além de ações de preparação para o Grito dos Excluídos (7 de setembro) e para o Terceiro Encontro Arquidiocesano de Fé e Política (28 de novembro).

O próximo Fórum Social Arquidiocesano está previsto para o dia 17 de outubro.

Robson Sávio Reis Souza

Da equipe executiva do Observatório da Evangelização

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