O Observatório da Evangelização reconhece como experiência significativa de evangelização a Semana de Oração pela Unidade Cristã promovida pelo CONIC por todo o Brasil. Promova também em sua realidade eclesial experiências como essa:

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Unidade nas diferenças

Marcelo Barros

(Monge beneditino, assessor das CEBs e movimentos populares, membro do Grupo de Estudo do  Observatório das Religiões)

Em meio a um mundo, cada vez mais diversificado, a unidade entre pessoas e a paz no mundo representam desafios sempre mais exigentes. O Conselho Mundial de Igrejas, que reúne 345 confissões cristãs, promove a cada ano uma Semana de Oração e Diálogo pela Unidade das Igrejas. No Brasil, essa semana tem seus subsídios preparados e coordenados pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), com apoio da CNBB e de outros organismos católicos e evangélicos.

Ao escrever sua carta sobre a alegria do evangelho, o papa Francisco insistiu que, como afirmou há mais de 50 anos o Concílio Vaticano II, “a divisão entre os cristãos é um contratestemunho que não colabora para a paz do mundo e se constitui como um obstáculo ao cumprimento da missão evangélica” (Cf. EG n. 244). Por isso, cristãos das mais diversas Igrejas, membros de outras religiões e mesmo pessoas de boa vontade, não ligadas a nenhuma tradição religiosa, estão convidadas/os a entrar em uma espécie de mutirão de diálogo e de busca da comunhão que supera a divisão, mas respeita a diversidade.

Cada vez mais, o Brasil se caracteriza por uma grande pluralidade de culturas e religiões. Há milhares de anos, por todo o nosso território, povos diversos viviam suas tradições próprias e tinham seu modo próprio de adorar o Espírito presente na natureza. Há 500 anos, com a conquista, os portugueses trouxeram o Cristianismo e impuseram a todos a Igreja Católica. Com o decorrer dos tempos, esse quadro foi transformado. Tornou-se mais rico e diversificado. Atualmente, o Cristianismo  tem quatro grandes tipos de Igrejas: as Ortodoxas, a Católica, as Evangélicas e as Pentecostais. Entre as evangélicas, temos Igrejas Luteranas, Episcopais anglicanas, a Igreja Metodista, as Presbiterianas, Batistas e outras. Do Pentecostalismo clássico, temos as Assembleias de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Congregação Cristã do Brasil e outras. Embora se chamem “evangélicas”, são consideradas neopentecostais a Igreja Universal do Reino de Deus, a Casa da Bênção, Renascer e outras. Em meio a essa grande diversidade, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) é uma pequena fraternidade de Igrejas. Estas se reúnem para apoiar-se umas às outras na missão e no serviço à humanidade, assim como para estimular o respeito e o diálogo dos cristãos com as outras tradições religiosas presentes e atuantes no território nacional.

No decorrer da história, muitas vezes, em nome de Jesus, os missionários católicos e evangélicos perseguiram e condenaram as outras religiões; como aqui no Brasil, até hoje, infelizmente, há cristãos que discriminam e atacam as tradições religiosas indígenas e afrodescendentes. Esse modo de agir, além de ilegal e vergonhoso dá um péssimo testemunho de Jesus que sempre valorizou a fé de pessoas de outras culturas e religiões, como a mulher samaritana, a sírio fenícia e o oficial romano, cujo filho ele curou.

Nessa semana de oração pela unidade, o tema geral é tirado da conversa de Jesus com a mulher samaritana. Consiste no pedido de Jesus à mulher: “Dá-me um pouco dessa água” (Cf. João 4). Esse pedido, feito por Jesus, é depois retomado pela própria samaritana. Ao saber que Jesus poderia lhe dar uma água viva que jorra eternamente, ela lhe pede: “Dá-me dessa água”. Na continuidade, o evangelho mostra que, para Jesus, a água representa o dom do Espírito que Deus quer dar a todas as pessoas nas mais diversas culturas.

Por sua ressurreição, Jesus nos comunica esse presente divino (Jo 7, 37). Com Jesus, queremos aprender o que Deus quer nos dizer através das outras expressões de fé. Respeitar as outras religiões e dialogar com elas é uma forma de testemunhar que Deus é amor. É reconhecer que o seu Espírito se manifesta de mil maneiras no mundo. Deus não assinou contrato de exclusividade com nenhuma religião ou tradição espiritual.

No próximo domingo, festa de Pentecostes, no mundo inteiro, as Igrejas de tradição latina iniciarão a celebração da Ceia do Senhor cantando uma palavra baseada no livro da Sabedoria: “O Espírito do Senhor, o universo todo encheu. Tudo abarca em seu saber, tudo enlaça em seu amor, aleluia, aleluia” (Sb 1, 7).

Fonte:

http://www.unicap.br/observatorio2/?p=1881

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