Pedro Casaldáliga, pastor, poeta, profeta escreveu um belíssimo hino à Maria de Pentecostes, sempre presente junto à Igreja, sempre ao seu lado, ao nosso lado:

Catedral de Guaxupé
Catedral de Guaxupé

“Maria de Pentecostes,

quando a Igreja ainda era

pobre e livre

como o vento do Espírito.

Maria de Pentecostes,

quando o fogo do Espírito

era a lei da Igreja nova.

Maria de Pentecostes,

quando os Doze só exibiam

o poder do Testemunho.

Maria de Pentecostes,

quando toda a Igreja era

boca do Ressuscitado.”

Pentecostes
DR

De acordo com o relato de Lucas, nos primeiro e segundo capítulos dos Atos dos Apóstolos, Maria, a Mãe de Jesus, estava presente quando o Espírito Santo plenificou a primeira comunidade cristã, cinquenta dias após a Páscoa. Depois da morte e ressurreição de Jesus, ela, que já era “cheia de graça”, recebeu o Espírito Santo em Pentecostes. Permaneceu com as discípulas e os discípulos de Jesus que, unidos em oração, ficaram em Jerusalém conforme o Ressuscitado lhes havia ordenado. Ora, segundo Lucas, Maria foi a única que esteve presente nos três acontecimentos mais significativos da história da salvação: a Encarnação do Verbo, o Mistério Pascal de Cristo e o Pentecostes.

Em Pentecostes, línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e delas, ali reunidos, e ficaram repletos do Espírito Santo. Lucas nos mostra que na base de cada comunidade cristã o Espírito Santo nos faz recordar, compreender e continuar o testemunho de Jesus. A língua da comunidade fundada pelo Espírito de Jesus é o testemunho dele próprio, isto é, o Evangelho, centrado no Amor de Deus. Essa língua é entendida por todos e provoca relação e compreensão.

Maria lá está. Presença silenciosa, marcante nos momentos decisivos da vida de Jesus, da vida da Igreja, das nossas vidas. Maria, que estava em Pentecostes, segue conosco hoje quando nos abrimos aos dons do Espírito: livres e dispostos a testemunhar a linguagem maior do amor, a própria Palavra que se fez carne e comunica a Vida.

Tânia Jordão

Anúncios