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EXISTEM CEB’S NA ARQUIDIOCESE?

Na verdade em toda Igreja existem CEB’s, Comunidades Eclesiais de Base. E no ‘chão’ da Arquidiocese, as comunidades que dão origem a mesma. Ou seja, antes da paróquia, surgiram primeiro os leigos, lideranças, promovendo círculos bíblicos, coroações a Nossa Senhora, reza do terço, reivindicações para melhorias nos bairros, setorização de paróquia, capela etc. Sendo assim, os leigos se organizam em comunidade para atuar pastoralmente. Esse é o jeito normal de ser Igreja. É a forma de organização do povo de Deus. A paróquia é a comunidade de comunidades, onde se integra e se constitui a rede de comunidades. São pequenas comunidades existentes na paróquia que dão vida a Igreja local.

Quando o nosso olhar se volta para a Igreja hierárquica, nós não conseguimos ver as CEB’S. Quando olhamos para as bases, para o chão, para a realidade, para os leigos, valorizando-os e incentivando-os, aí é possível ver uma Igreja laical, que é a base e sustentação de toda Igreja. Dessa maneira, inclusive, os leigos conseguem se enxergar no processo, identificar-se com a causa do Evangelho. Pois se reconhecem como estrutura, instituição. Cria-se a consciência de que a Igreja é leigo, é clero, é pastoral, é social, é gente que se organiza e vive para testemunhar o dom da fé e do profetismo, até o martírio. Doando seu tempo e até a própria vida a serviço da vida comunitária.

As comunidades existem, porém, o maior desafio é conscientizar leigos e clero sobre esse jeito normal de ser Igreja, sobre a necessidade da conversão pastoral, em que todos se coloquem para servir e não para ser servidos. Infelizmente, há lideranças de comunidades que acham que as coisas devem acontecer segundo a própria vontade, e não pela vontade do coletivo e tampouco pela vontade de Deus. É essencial servir com alegria, amando, sobretudo os mais necessitados. Temos também o desafio de descentralização das equipes, pastorais e conselhos para o surgimento de novas comunidades. Outro desafio é acreditar nos leigos e valorizá-los e dinamizar a formação para as lideranças comunitárias. Em nossa Arquidiocese é urgente oferecer formação aos futuros sacerdotes, reciclar os atuais com uma formação teológica, bíblica e eclesial, assim como fomentar a formação e atualização dos agentes de pastorais que ministram a Palavra. Pois, todos devemos ser testemunhas do Cristo que liberta, salva, ama, perdoa e é fonte de uma espiritualidade libertadora.

Em suma, as comunidades têm origem com a participação e o engajamento dos leigos, depois o clero se aproxima para pastorear, cuidar. Nesse momento, os membros leigos tendem a se intimidar com a presença do clero, tornando-se meros assistidos. Diante desses desafios, a formação e a conscientização nas dimensões espiritual, comunitária e social são urgentes para fazermos a conversão pastoral.

Pe. José Geraldo de Sousa

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