Segundo um levantamento feito pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nas comunidades do país há cerca de 850 mil catequistas. Destes em torno de 820 mil são mulheres. Geralmente são pessoas simples, sem formação em teologia e pedagogia, que que abraçam, com amor, a responsabilidade de educar na fé. No Encontro Arquidiocesano de Catequese, em abril de 2015, o predomínio do número de mulheres também era visível.

A seguir, a equipe do Observatório da Evangelização apresenta a segunda rodada de perguntas apresentadas aos catequistas. Confira o que eles responderam:

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I – Ao perguntarmos se “os catequistas são valorizados na vida da Igreja“, eles responderam que:

  1. Sim, mas acho que deveria haver mais respeito como aos outros agentes de pastoral;
  2. Como acontece com a catequese que não é “a menina dos olhos da Igreja”, os catequistas também não são valorizados;
  3. Eu diria que os catequistas estão buscando ser valorizados e ter o apoio do padre e da comunidade. Se eles estão buscando é porque ainda não têm o valor que merecem;
  4. Quase sempre, mas falta ainda sermos mais valorizados (sic);
  5. Nem sempre, quem dera se fosse sempre;
  6. Não, mas as coisas vêm melhorando, felizmente, parece que a “ficha está caindo”;
  7. Sim, pelo fato ou até mesmo pelo prazer de perceber o crescimento e desenvolvimento das crianças;
  8. Não como deveria, muito pouco;
  9. Não como deveria ser, pois os catequistas são a base ao apresentarem Jesus às crianças ainda bem cedo, quando estão em formação e vão dar sequência depois;
  10. Sim, porque todos que servem a Igreja são catequistas (sic);
  11. É a base da Igreja, mas não é reconhecida. Estamos caminhando…;
  12. Sim, mas poderiam ser mais valorizados pelo esforço e dedicação que dão às paróquias e comunidades;
  13. Sim, vejo e sinto um carinho mútuo entre Igreja e catequistas;
  14. Não. Acredito que os ministros da Eucaristia tem uma valorização muito maior em relação aos catequistas. Percebe-se com isso que quem é catequista hoje é realmente por amor ao próximo e não por causa do amor recebido pela igreja;
  15. Sim e não. Sim, por reconhecer o trabalho daqueles que já o fazem. Não, por não se encontrar tantos voluntários quanto necessário;
  16. Se a Igreja não percebe a importância da catequese como deveria, não valoriza, respectivamente, os catequistas. Poucas comunidades percebem a importância dos catequistas e valorizam o seu trabalho;
  17. Nem tanto, pois acho que as outras pastorais e toda a comunidade não conhecem bem o trabalho dos catequistas e, portanto, não dão apoio;
  18. Sim, pois, temos o apoio do pároco e das comunidades;

II – Quando perguntamos se eles “encontram, para ser catequistas, condições adequadas (apoio, sala, material, oportunidade de formação etc.) na Igreja“, colhemos as seguintes respostas:

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  1. Não, sinto que o conteúdo que é ministrado hoje ainda não atende à realidade da catequese, sobretudo de perseverança;
  2. Em muitas comunidades não encontramos as condições necessárias, pois, a realidade social, às vezes numa mesma paróquia, é muito diferente das outras. Há as que são ricas e as que são pobres. Em algumas comunidades falta quase tudo, falta atenção do padre, falta apoio, condições físicas e até catequista falta;
  3. Não, há uma carência, sobretudo, de formação para os catequistas;
  4. Nem tudo. Às vezes falta material, presença e apoio do padre, local para guardar o material;
  5. Não, infelizmente ainda falta muito. Faltam até ideias inteligentes e criativas para superar as dificuldades. Abrir-se ao Espírito Santo e dar as mãos;
  6. Quanto a apoio sim e formação também. Mas quanto ao espaço, no momento, eles estão muito precários. Há pouco espaço para os catequistas ministrarem a catequese;
  7. Muito pouco. Temos que buscar e melhorar muito ainda. Não encontramos nem as condições mínimas;
  8. Não, falta sala, materiais básicos… Quase tudo sai do bolso dos próprios catequistas. Só um questionamento que não quer calar: será que faltará dinheiro para a nova catedral?;
  9. Conforme a comunidade, falta até local adequado para a catequese;
  10. Sim, em minha comunidade, ainda que de forma muito limitada, o espaço físico é adequado. Quanto à formação e material as condições são suficientes;
  11. Não adianta os catequistas terem uma boa formação atualizada e os líderes paroquiais e os párocos não aceitarem as mudanças necessárias para melhor. Portanto, toda mudança deve envolvê-los primeiro;
  12. Sim, neste ponto as tecnologias ajudam muito. Quanto ao espaço físico, depois de muita luta e pressão, agora está satisfatório;
  13. Onde participo e atuo como catequista há disponibilização de estrutura necessária, mas há grande dificuldade de compreensão quando há a necessidade de recursos financeiros;
  14. Não tanto quanto deveria: há espaços mais ou menos e necessidade de maiores investimentos na formação;
  15. Sim, na medida do possível;
  16. Não, falta apoio material (bíblias, lápis de colorir, folhas, apostilas interessantes e criativas…), melhorar os locais onde acontecem os encontros, mais investimento na formação dos catequistas;

III – Perguntamos se “ser catequista significa receber um ministério na Igreja” e eles disseram que:

  1. No coração do catequista sim, é um ministério importante, porém na prática não é. As responsabilidades de ser catequista ultrapassam os processos oficiais da Igreja. As pessoas assumem por amor a Deus e ao evangelho, sem muitas vezes passar pelo reconhecimento da Igreja;
  2. Sim, todo catequista possui uma íntima experiência com Jesus Cristo. Há um chamado e uma vocação. Mas nem sempre, na prática, a igreja reconhece isso;
  3. Acredito que seja um dom dado por Deus e acolhido pela igreja;
  4. Sim, Deus nos escolheu porque confiou a nós uma grande missão: evangelizar;
  5. Sim, penso que é uma responsabilidade muito grande. Exige preparação, sabedoria e discernimento;
  6. Sim, de ensinar;
  7. Sim, é uma responsabilidade muito grande formar os futuros fiéis;
  8. Sim, de uma importância vital;
  9. Sim, uma vocação, um chamado evangelizador;
  10. Ser catequistas é sair de você e deixar o Espírito Santo se manifestar e o conduzir;
  11. Acredito que sim, dada a importância da catequese para a igreja;
  12. Sim, mas quando se fala em ministério percebo que a Igreja tem orientações nos documentos, mas na atuação pastoral não dialoga para que haja a compreensão e concretização do ministério do catequista;
  13. Acho que sim, é o ministério de evangelizar ou da evangelização. Ele que planta a sementinha da Palavra de Deus no coração dos novos membros das comunidades;
  14. Sim, mas precisamos aperfeiçoá-lo e aprofundá-lo;
  15. Sim, mas falta à igreja organizá-lo e reconhecê-lo publicamente; quem sabe organizar uma celebração onde a pessoa recebe um mandato de três anos para exercer a catequese e que depois este poderá ser renovado;

IV – O questionário levantou a questão se “a catequese prepara para receber os sacramentos ou para o encontro com a pessoa de Jesus Cristo” e eles responderam que:

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  1. Às vezes tenho a percepção que prepara apenas para receber sacramentos. Eu mesmo tive o meu encontro com Jesus fora da catequese;
  2. Infelizmente prepara-se para receber os sacramentos, não vou mentir. Cristo ainda está longe ou oculto na prática. Não temos continuidade na caminhada da catequese;
  3. Infelizmente temos encontros que preparam para os sacramentos. Ela tem sido tratada como um curso escolar, cuja formatura é o recebimento dos sacramentos;
  4. Precisa ser para o encontro com a pessoa de Jesus, mas nem sempre isso acontece;
  5. Para o encontro com Jesus Cristo, sem dúvida;
  6. Acho que os dois. Os sacramentos falam por si mesmos. Precisamos ter encontros pessoais com Jesus todos os dias;
  7. Para o encontro com a pessoa de Jesus. São algumas orientações que são passadas para que as crianças cresçam sabendo da grandeza que Deus tem em nossa vida;
  8. A catequese procura fazer esse encontro, porém, é pessoal. Acontece de pessoa para pessoa. Pouquíssimas crianças fazem esse encontro na tenra idade;
  9. Para os dois, pois acredito que experimentar, vivenciar os sacramentos é receber o próprio Jesus;
  10. Encontro com a pessoa de Jesus Cristo. É preciso conhecer para receber os dons de Deus;
  11. O objetivo principal é encontro com Jesus e os sacramentos são o caminho para esse encontro;
  12. Hoje a catequese é simplesmente sacramental. For isso que eu disse que temos que começar a reciclagem com os párocos, pois são eles que ditam as regras;
  13. Quando fui catequizada fui preparada para os sacramentos, mas hoje vejo a extrema necessidade de uma catequese em função de ambos: preparar para receber os sacramentos e o encontro pessoal e comunitário do catequizando com Jesus;
  14. Para o encontro com a pessoa de Jesus Cristo. Esse é o papel fundamental da catequese;
  15. Para receber os sacramentos e perseverar neles;

Ps.: Aguardem a próxima postagem com as últimas perguntas dos questionário.

Pela equipe executiva do Observatório

Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães

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