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Bem cuidar da caminhada da Catequese está entre as maiores urgências da Igreja Católica quando se pensa sobre a continuidade da missão dessa instituição no futuro.  A resposta aos desafios de evangelizar no contexto contemporâneo e à necessidade de estancar a intensidade da perda de fiéis apontada nos últimos Censos passa necessariamente pela atenção dada à caminhada da catequese.

Ouvir a voz dos atuais catequistas revela-se, nesse sentido, exigência incontornável. Compartilhamos abaixo, a última rodada de questionamentos/ provocações que a equipe do Observatório da Evangelização propôs durante o Encontro Arquidiocesano de Catequese:

I – Quando inquirimos sobre as “sugestões para melhorar a função de ser catequista” obtivemos as seguintes respostas:

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  1. Promover o fortalecimento mútuo entre os catequistas nos níveis comunitário, paroquial, forâneo, regional e arquidiocesano;
  2. Promover mais encontros de formação que favoreçam a interação entre os catequistas e a renovação, aprofundamento e atualização dos catequistas;
  3. Oferecer cursos on line com interatividade entre os participantes;
  4. Criar comissões forâneas de catequese para cada etapa da formação incentivando a articulação e o intercâmbio;
  5. A criatividade e o entusiasmo precisam ser alimentados, reabastecidos e cultivados. Aqui o elogio, o apoio e o incentivo da Igreja, do padre, dos conselhos e da coordenação da catequese não podem faltar;
  6. Garantir um processo contínuo de formação, abrangendo a Palavra, a vida cristã, a doutrina, a liturgia e, sobretudo, a espiritualidade;
  7. Que a dinamização da catequese seja assumida como uma tarefa de todos na Igreja e não apenas da equipe de catequistas, até porque todo cristão é, com suas atitudes diárias, um catequista para os olhos das crianças e dos jovens;
  8. Aprender que a perseverança é resultado de um cultivo do seguimento de Jesus e do chamado de sermos exemplos de bons cristãos e cidadãos para os catequizandos;
  9. Cada comunidade deve fazer com que a equipe de catequistas tenha visibilidade e valor, que ela seja conhecida como faz com a pessoa do padre e dos ministros da Eucaristia;
  10. O padre deveria ter tempo para acompanhar a formação espiritual dos catequistas e ensinar o cultivo diário do amor e do zelo, como Jesus, por cada pessoa e pelas famílias dos catequizandos, acolhendo a todos sem julgamento. Agir sempre com misericórdia e compreensão, como ensina o Papa Francisco sobre a alegria do Evangelho de Jesus;
  11. O mundo de hoje tem muitos desafios (novas famílias, violência doméstica, desigualdade social, geração que não estuda e nem trabalha, poluição, destruição do planeta, pouca participação e compromisso com a Igreja…). Isso exige muita formação dos catequistas e a Igreja deveria se preocupar mais com isso e não contar somente com a boa vontade dos catequistas e iluminação do Espírito Santo;
  12. Ter mais preocupação com a didática afetiva nos encontros da catequese, sem deixar que as exigências e regras tirem a alegria e o prazer de conhecer Jesus e seu projeto do Reino de fraternidade e transformem a catequese numa espécie de aula;
  13. Dar mais valor à experiência contagiante do amor de Deus que nos irmana que ao conteúdo doutrinário. Até porque a maioria dos catequistas não conhece com sabor e liberdade a doutrina da Igreja, fica parecendo que a doutrina é apenas um conjunto de regras, mandamentos e proibições;
  14. A Igreja precisa acompanhar, conhecer e incorporar os avanços tecnológicos se quer dialogar e evangelizar a geração atual;
  15. Promover uma catequese viva e contagiante com dinâmicas, gincanas, participação da comunidade e com muita alegria;
  16. Procurar formas de envolver as famílias na catequese, pois, por melhores que sejam os catequistas, a experiência e o conteúdo trabalhados nos encontros de catequese, nada substitui a força que brota do afeto e da autoridade familiar, a nossa igreja doméstica;
  17. Que a Igreja assuma, para valer, o ser catequista como um ministério e dê maior visibilidade aos catequistas para despertar novas vocações para a catequese;
  18. Promover maior intercâmbio entre as paróquias;
  19. Investir em livros e organizar uma biblioteca nas paróquias para formação e utilização dos catequistas;
  20. É preciso priorizar em toda Igreja uma formação básica do catequista e uma formação integrada da catequese: batismo-eucaristia-perserverança-crisma-catecumenato-adultos;

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II – Diante da solicitação de “dicas a quem deseja ser catequista”, veja o que eles nos disseram:

  1. Procurem participar de sua comunidade e conhecer a equipe de catequistas;
  2. Aproxime a cada dia mais da pessoa de Jesus e peça a unção do Espírito Santo para ter coragem de enfrentar os desafios da caminhada sem desanimar;
  3. A melhor forma de tornar-se catequista é descobrir a beleza de viver como Jesus Cristo em nosso dia a dia, pois, a gente ensina mais pela vivência e exemplo do que pelas palavras bonitas;
  4. Busquem, com paixão, o Senhor no estudo da Palavra, na preparação de cada encontro de catequese e na concretização deles, no rosto dos catequizandos, na liturgia da Igreja, em todos os encontros com as pessoas que, em Cristo, são nossos irmãos;
  5. Não abracem muitas coisas na Igreja para que vocês possam, realmente, se dedicar com zelo, sem perder o foco;
  6. Lembre-se que boa vontade, certa dose de coragem e muito amor no coração são fundamentais, mas não bastam. É preciso cultivar o gosto pelo estudo, a troca de ideias com quem já tem experiência e perceber a dignidade de participar da missão da Igreja de evangelizar;
  7. Não se esqueçam dos alertas de Jesus aos discípulos: vocês enfrentarão dificuldades e serão perseguidos como eu fui, mas eu estarei com vocês até o fim;
  8. Ser catequista é um chamado a ser discípulo de Jesus: precisa ter fé em Deus, ter amor e Jesus Cristo no coração, ter vivência na vida da Igreja e ser um cristão atuante e atraente na sociedade;
  9. Não tenham medo de reconhecer que não sabem e nem vergonha de perguntarem e procurarem aprender;
  10. Ser catequista não é ser voluntário ou ajudante porque o padre não dá conta de tudo. Você está sendo chamado, pelo batismo, a ser um seguidor ou discípulo de Jesus Cristo. Isso é que é, de fato, ser catequista!
  11. Praticamente todo catequista começa sem saber quase nada e vai aprendendo, aos poucos, com os desafios do caminho e na própria caminhada;
  12. Não procurem e nem esperem ser reconhecidos e valorizados pela Igreja e nem pelos pais, pois, a maioria dos catequistas são figuras anônimas que nem a comunidade conhece. Se vierem o reconhecimento e a valorização, ótimo, mas não contem com isso. O nosso valor e dignidade brota do chamado de Jesus, o filho de Deus, e da força do Espírito Santo. Por isso eu digo: vale a pena ser catequista;
  13. Procurem seguir o exemplo de Nossa Senhora que educou o menino Jesus. Ela é a padroeira da catequese e a defensora dos catequistas;
  14. Nunca se esqueça de que o catequista ensina, mas, igualmente, aprende com os catequizandos. Somos e seremos todos catequistas e catequizandos;
  15. É preciso deixar-se ser catequizado por Jesus Cristo. Ele é o mestre de todo cristão!
  16. Mantenha-se informado, tenha sempre os pés no chão e acompanhe os fatos cotidianos da sociedade. O maior conteúdo da catequese é a vida como ela é;
  17. Que as pessoas vejam sempre em seu rosto a alegria de ser catequista: participar da missão de Jesus;
  18. Cultivar e irradiar amor e alegria no olhar, no coração, na mente e no agir;
  19. O catequista precisa cultivar entusiasmo, ou seja, saber e experimentar com alegria que tem Deus dentro de si. Isso não nos deixa desanimar;
  20. Organize seu tempo, alimente-se da Eucaristia, celebre e viva a fé em comunidade, cuide da espiritualidade em seu cotidiano (oração, meditação, estudo…), seja criativo e ousado em sua atuação deixando-se conduzir pelo Espírito Santo, abandone o “eu sempre fiz assim” e seja apaixonado pela catequese;

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Pela equipe executiva do Observatório

Prof.  Edward Neves M. B. Guimarães

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