O II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, a ser realizado em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, com a presença do Papa Francisco, no período de 7 a 9 de julho, dará continuidade ao Encontro realizado em Roma, em outubro de 2014. O objetivo é aprofundar o debate sobre os principais problemas dos povos do mundo: Terra e Território, Teto, Trabalho, Paz; identificando como eles se configuram nos países e continentes, suas causas e de que modo enfrentá-los coletivamente.

Dois leigos atuantes da Arquidiocese de Belo Horizonte participarão do Encontro: Maria da Glória Santos, a Glorinha, que é membro de Círculo Bíblico na Paróquia Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, bairro Santa Cruz, e Jair Gomes Pereira Filho, membro da Pastoral Social  e da Comunidade Nossa Senhora da Esperança – Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, no bairro Caiçara.

Jair e Glorinha (à esquerda) em Brasília, antes de embarcarem para Santa Cruz de La Sierra, com grupo do Movimento População de Rua
Jair e Glorinha (à esquerda) em Brasília, antes de embarcarem para Santa Cruz de La Sierra, com grupo do Movimento População de Rua

Eles viajaram no sábado, dia 4 de julho, para Brasília, onde se encontraram com outras lideranças, inclusive indígenas, para seguir até Santa Cruz. Outros ônibus partirão do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, com destino à Bolívia. Jair e Maria da Glória estão entre os mil delegados representantes de trabalhadores precários e informais, sem-terra, indígenas, migrantes e militantes de movimentos sociais que participarão do II Encontro Mundial.  Brasil e Argentina comparecem com a maioria dos participantes – com 250 militantes cada-; Chile, com 50; Equador, com 40; Colômbia, com 10; México e Estados Unidos, com 5. Também estarão representados Haiti, Costa Rica, El Salvador, Índia e outros países da África, Ásia e Europa.

“É quando a Igreja, em saída, se identifica com as periferias onde fé se expressa de modo concreto e o Evangelho se realiza, transformando a realidade dos pobres e excluídos”. Glorinha
“Quando a Igreja, em saída, se identifica com as periferias, a fé é chamada a se expressar de modo concreto e o Evangelho se realizar, transformando a realidade dos pobres e excluídos… O Papa vai e nos convida a ir aonde a vida pede socorro. É preciso acreditar na possibilidade de melhorarmos a vida de todos, especialmente dos excluídos, pois o papel do cristão é ser esperançoso.” Glorinha

Maria da Glória, que representará o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNBL), pelo Regional Leste 2 da CNBB, acredita que o evento ajudará a  fortalecer os propósitos de formação da consciência política e social dos cristãos na Igreja e na sociedade. Nesse aspecto, segundo ela, a presença do Papa Francisco é determinante e funciona como pilar de sustentação de todo esse trabalho, especialmente, por  demonstrar que a hierarquia da Igreja fala a mesma língua daqueles que estão em suas bases. “Quando a Igreja, em saída, se identifica com as periferias, a fé é chamada a se expressar de modo concreto e o Evangelho se realizar, transformando a realidade dos pobres e excluídos”.

A participação direta do Papa nas articulações políticas e sociais dentro e fora da Igreja – entre elas, as negociações para a abertura político-econômica entre Cuba e Estados Unidos e, agora, a publicação da Encíclica “Louvado sejas”, sobre o meio ambiente -, para Maria da Glória, embora sejam sutis, têm resultado em grandes conquistas que incentivam os cristãos, chamando a atenção para o modelo sobre o qual a humanidade está construindo o futuro do planeta e para a necessidade de os governos apoiarem novo documento sobre o clima.   “O Papa vai e nos convida a ir aonde a vida pede socorro. É preciso acreditar na possibilidade de melhorarmos a vida de todos, especialmente dos excluídos, pois o papel do cristão é  ser esperançoso”.

jair
“Considero evangelizador a atuação ainda mais veemente da Igreja, por meio das exortações do papa Francisco, ao defender as ideias de inclusão social e participar da construção de um mundo que garanta o acesso das pessoas que vivem à margem da sociedade à moradia, terra e trabalho, que são direitos de todo cidadão e representam de fato inclusão social”. Jair

Jair Gomes Pereira Filho, que também é diretor do Sindieletro/MG, ressalta a necessidade de debates, estudos e construções de estratégias  em favor da dignidade de todos, especialmente dos que se encontram excluídos, à margem dos direitos sociais.

No que diz respeito ao Brasil, em sua participação no Encontro Mundial dos Movimentos Sociais com o Papa Francisco, o sindicalista espera ter a oportunidade de propor a discussão sobre o Projeto de Lei Complementar PL 4330/PLC 30 que trata da terceirização ampliada do trabalho,  comprometendo as conquistas históricas dos trabalhadores, colocando em risco a   CLT – Consolidação das Leis do Trabalho.

Outra questão relevante a ser discutida, segundo Jair, diz respeito às ocupações dos sem-teto nas áreas urbanas “que têm como causas importantes a concentração de renda e a precariedade da política habitacional”. Ele ressalta que esse é um contexto fértil para a expansão da violência. “Um exemplo disso ocorreu há poucas semanas aqui em Belo Horizonte quando o nosso Arcebispo, dom Walmor, precisou intervir, convidando para o diálogo setores do poder público envolvidos  na ação de  reintegração de posse da Ocupação Isidora – nome dado à ocupação no vetor norte da Capital, em homenagem a uma escrava. “A preocupação do Arcebispo, como sabemos, era poupar as pessoas já fragilizadas pela pobreza, de atos de violência no cumprimento de mandado de reintegração de posse. Todas essas demandas fazem parte de um contexto e, para serem resolvidas, dependem de mecanismos capazes de gerar justiça social, único caminho para se conquistar a dignidade e a paz, e que precisam ser  discutidos no Encontro Mundial dos Movimentos Sociais”.

Jair Gomes Pereira Filho participa ainda do Comitê Igrejas BH – um grupo de representantes de várias paróquias – que se reúne  regularmente para refletir, discutir e agir, tendo como ponto de partida as demandas  dos movimentos sociais da Capital, municípios da Região Metropolitana e de todo o Estado. Como católico atuante, ele considera evangelizadora a atuação ainda mais veemente da Igreja, por meio das exortações do Papa Francisco,  ao  defender as ideias de inclusão social e participar da construção de um mundo que garanta o acesso das pessoas que vivem à margem da sociedade à moradia, terra e trabalho, que são direitos de todo cidadão e representam de fato inclusão social.

Os temas do Encontro

O Presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz, Cardeal Peter Turkson, abrirá o Encontro Mundial dos Movimentos Sociais, no dia 7 de julho. O Papa Francisco participará no dia 9, último dia do evento.

Em Santa Cruz de La Sierra serão tratados os temas Mãe Terra, Terra e Território, Trabalho e Moradia e Integração dos Povos. Após discursar, o Papa Francisco receberá o documento conclusivo, entregue por três homens e três mulheres participantes do encontro.

O Encontro Mundial dos Movimentos Populares é organizado em colaboração com o Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz e com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Além do Cardeal Turkson, também o Chanceler da Pontifícia Academia, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, tomará parte nos trabalhos. O primeiro Encontro foi realizado no Vaticano em outubro de 2014, com a participação do Presidente da Bolívia, Evo Morales, que na ocasião se encontrou com o Papa Francisco.

Fonte:

http://www.arquidiocesebh.org.br/site/noticias.php?id_noticia=10967

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