Ao evangelizador, o cultivo de uma dinâmica memória histórica revela-se fundamental. Não apenas para adquirir compreensão crítica do tempo atual (de onde viemos ou como chegamos a ser o que somos) e para desenvolver a habilidade reflexiva autocrítica em relação as ações evangelizadoras já concretizadas (fazer balanços críticos, perceber miopias, corrigir rotas, repensar posturas…), mas, especialmente, para dizer não a qualquer tentação de absolutizar uma época ou configuração histórica da Igreja ou de qualquer instituição.  E também para que consiga comprometer-se com a construção diária da cultura da paz, além de iluminar e fecundar a vida presente com os valores e a alegria do Evangelho.

Celebramos, no dia 06 de agosto, 70 anos da tragédia atômica que destruiu as cidades de Hiroshima e de Nagasaki. Esquecermos de fazer memória, de acontecimentos como este, seria ainda mais trágico para a humanidade. Importa lembrar, meditar, refletir, discernir, silenciar, comprometer… para que não volte, nunca mais, a acontecer…

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A “rosa” atômica de Hiroshima e Nagasaki.
Hiroshima após a explosão da bomba atômica em 06/08/1945.
Hiroshima após a explosão da bomba atômica em 06/08/1945.
O que ficou da cidade japonesa de Hiroshima após a explosão atômica.
O que ficou da cidade japonesa de Hiroshima após a explosão atômica.

Celebração dos 70 anos da destruição atômica de Hiroshima e Nagasaki

Crianças participam da memória dos 70 anos da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki.
Crianças participam da memória dos 70 anos da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki.
Que o que aconteceu a Hiroshima e Nagasaki não seja esquecido por nós.
Que o que aconteceu a Hiroshima e Nagasaki não seja esquecido por nós.
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Que a chama da esperança alimentada pela memória nos mobilize em vista da construção diária da cultura da paz!

A Rosa de Hiroshima

Vinícius de Moraes

Pensem nas crianças,

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas,

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres,

Rotas alteradas

Pensem nas feridas,

Como rosas cálidas.

Mas oh não se esqueçam da rosa,

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária,

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose,

A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume,

Sem rosa, sem nada.

(Rio de Janeiro, 1954)

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