E você, como tem lidado com a sua vocação?

Vocação-desafio-de-amor

Partilhamos a visão de que cada pessoa, quando cultiva e cresce na busca do autoconhecimento, acaba por desenvolver uma sensibilidade capaz de fazê-la perceber e/ou discernir a sua vocação. Isso significa conhecer o chamado profundo e interior que ilumina as nossas escolhas e decisões rumo a realização e a felicidade pessoal e coletiva.

Na caminhada da Igreja Católica, os meses de agosto, setembro e outubro tornaram-se verdadeiros “kairós” de evangelização, ou seja, tempos fortes, fecundos e propícios para dedicarmos a formação em dimensões específicas, em vista do crescimento rumo a vivência da fé cristã adulta.

  • Outubro, por exemplo, ficou conhecido como “mês das missões”: tempo propício e forte para refletir e aprofundar o sentido do seguimento de Jesus e o comprometimento de cada cristão na missão da Igreja no contexto atual.
  • Do mesmo modo, setembro foi eleito o “mês da Bíblia”: a cada ano elege-se um entre os diversos livros da Sagrada Escritura para refletirmos e aprofundarmos a mensagem nele veiculada em diálogo fecundo com as urgências do tempo em que vivemos.
  • Agosto, igualmente, foi escolhido como o “mês das vocações”: tempo rico para refletirmos e aprofundarmos sobre o chamado de cada batizado, por causa do encontro e decisão pessoal de seguimento de Jesus de Nazaré, colocar-se a serviço do Reino de Deus.

Aprendemos com o mestre e saudoso amigo Pe. João Batista Libanio a riqueza de se iniciar uma reflexão pelo caminho da etimologia. O termo vocação vem do latim vocare, que significa chamar. Partilhamos a visão de que cada pessoa, quando cultiva e cresce na busca do autoconhecimento, acaba por desenvolver uma sensibilidade capaz de fazê-la perceber e/ou discernir a sua vocação. Isso significa conhecer o chamado profundo e interior que ilumina as nossas escolhas e decisões rumo a realização e a felicidade pessoal e coletiva.

No âmbito religioso cristão, dizemos que Deus tem um chamado amoroso para cada um. O jeito amoroso de Deus relacionar-se conosco concretiza-se como autêntico encontro de liberdades: a de Deus e a do ser humano. Deus não viola, não invade, não violenta. Ao contrário, mostra que tem profundo respeito pela singularidade e dignidade humanas. Deus cria e sustenta o mistério de autonomia da criação. Ao criar-nos com o dom da consciência e da liberdade, o Pai envia-nos o seu Filho Jesus e, pela luz e força do Espírito Santo, revela-nos seu projeto amoroso e salvífico universal. Quando conhecemos a vida de Jesus de Nazaré e, pela fé, nos encontramos com o Ressuscitado, sentimos, no mais profundo de nossa liberdade, a interpelação amorosa de Deus. Discernimos, então, que somos chamados a colocar-nos a serviço da vida plena. Para isso, o caminho passa pelo cultivo da gratuidade e da generosidade, do amor fraterno e da prática da justiça.

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No encontro de liberdades, oportunizado pela experiência da fé cristã, descobrimos a nossa vocação: como Jesus, somos chamados a colocar-nos a serviço do projeto de Deus e fazer-nos próximos de quem precisa de nosso tempo, afeto e cuidado fraternos. E você, como tem lidado com a sua vocação?

EdwardProf. Edward Guimarães

Téologo leigo, professor do Departamento de Ciências da Religião da PUC Minas

Membro do Conselho Arquidiocesano de Pastoral e da equipe executiva do Observatório da Evangelização.

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