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Até bem pouco tempo, quando um livro, não era bem visto e avaliado pela Igreja Católica, ele, geralmente, se tornava uma obra de interesse, o qual devia ser lido porque se a Igreja Católica o criticou era porque o livro seria realmente bom. Infelizmente, de fato, isso se deu. A princípio, uma extensa lista de livros de escritores que marcaram suas épocas e que influenciaram profundamente na formação do pensamento pelos séculos, tais como: Dante Alighieri, Descartes, Pascal, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Rabelais, Sartre, Galileu Galilei, entre tantos outros. E assim, muitos livros e todas as obras de um mesmo autor ficaram no Index Librorum Prohibitorum até 14 de junho de 1966. Nesta data, o índice foi abolido pelo Papa Paulo VI.

Após o Concílio Vaticano II (evento católico realizado entre 1962-1965, que buscou trazer um aggiornamento para a Igreja Católica) ainda houve obras que tiveram dificuldades na sua interpretação por parte do magistério oficial da Igreja, por meio da Congregação para a Doutrina da Fé (também chamada de ‘Suprema e Sacra Congregação do Santo Ofício’ ou ‘Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal’). Dessa dificuldade cito apenas algumas para exemplificar: Antes que os demônios voltem, do jesuíta Óscar González-Quevedo, que o fez ficar sob silêncio por 6 anos até ser chamado para se explicar em Roma, e no final foi compreendido; Jesús, aproximación histórica, do teólogo espanhol José Antonio Pagola, que recebeu um processo por parte da Congregação para a Doutrina da Fé para saber se sua obra estava em conformidade com a doutrina da Igreja; e, um dos casos mais famosos (para a realidade latino-americana), o livro escrito pelo teólogo brasileiro Leonardo Boff, com a obra Igreja, Carisma e Poder, que lhe rendeu a sentença por parte do Cardeal Joseph Ratzinger (na época, prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé) em 11 de março de 1985: “as opções aqui analisadas de Frei Leonardo Boff são de tal natureza que põem em perigo a sã doutrina da fé, que esta mesma Congregação tem o dever de promover e tutelar”. São obras que valem a pena ser lidas.

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Mas, e quando acontece o contrário? Quando um documento pontifício não é bem visto por uma parte da sociedade civil, como aconteceu com Leão XIII, com a encíclica Rerum Novarum (1881), com as outras encíclicas sociais depois dessa e que hoje acontece com a recepção da encíclica Laudato Sí (2015) do Papa Francisco, que fala sobre o cuidado da Casa Comum?

Foram diversas as reações à Encíclica de Francisco, muitas positivas e outras negativas. Aqui cito apenas as negativas para problematizar. Entre estas se destacam as palavras de Jeb Bush (lobista da mineração nos EUA): “a igreja deveria promover a queima de combustíveis fósseis se estivesse interessada nos pobres” e “não recebo conselhos econômicos dos meus bispos, do meu cardeal ou do meu papa”; além dele, nos EUA, o apresentador do programa The Five, da FoxNews, Greg Gutfeld, qualificou o Papa Francisco como o homem mais perigoso do planeta. E no Brasil, o blogueiro (da revista Veja), Reinaldo Azevedo (talvez não valesse citá-lo), que se diz católico, afirma que o Papa Francisco não o representa e cita em um de seus textos “é de embrulhar o estômago. Em primeiro lugar, esse papa, com formação teológica de cura de aldeia, não tem competência teórica e vivência prática para cuidar desse assunto”. Realmente, é de embrulhar o estômago ler posicionamentos assim como o que ele fez.

Realmente é perigosa essa Encíclica! No atual contexto sociopolítico, se posicionar frente ao consumismo desenfreado, ao desenvolvimento irresponsável, a desigualdade social planetária e ao necessário compromisso coletivo diante das mudanças climáticas. Frente a isso, como muitos fizeram diante dos livros que foram proibidos pela Igreja Católica, fica o convite para ler a encíclica Laudato Sí e juntos com Francisco pensarmos nesse cuidado com a casa comum.

Link para a Encíclica Laudato Si:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

Ps.: As sugestivas e cômicas ideias do vídeo abaixo estiveram presentes durante a redação de meu texto.

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Paulo Vinícius Faria Pereira

Estudante de Ciências Sociais e Teologia (PUC Minas)

Participou da última Jornada Mundial de Juventude.

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