Em casa 033

Pe. Cleto Caliman, SDB

A ninguém escapa hoje a relevância pastoral que adquirem os ministérios eclesiais que atualmente revigoram a presença da Igreja na sociedade. Por isso mesmo torna-se de fundamental importância relacioná-los com as estruturas fundamentais da Igreja à luz da própria teologia. Trata-se de fundamentá-los não apenas como extensão da hierarquia, mas como fruto da graça batismal que cria e conforma o corpo eclesial, na sua totalidade, como povo de Deus. Neste sentido é que estão trabalhadas essas páginas.

Entendo aqui, numa descrição rápida, apenas para começar a conversa, que “estruturas” são aquelas dimensões fundamentais nas quais e pelas quais a Igreja se realiza no tempo como povo de Deus, Corpo do Cristo e instituição social. Por “ministérios” entendo o conjunto de tarefas, funções (antes da distinção entre ministérios ordenados e não-ordenados) nas quais e pelas quais a Igreja articula seu “agir pastoral” em vista de sua missão evangelizadora dentro do mundo.

1- Problemática

É praticamente lugar comum afirmar hoje que a Igreja está se renovando. As comunidades se multiplicam e dentro delas florescem os mais variados ministérios. Por um lado, se observa que faltam padres, clero. Mas por outro lado, surgem comunidades plenas de vigor evangélico, animadas pela fé na luta pela conquista da palavra e de lugar dentro da Igreja e na sociedade. Elas geram em seu seio novos ministérios, animados pelo espírito de comunhão e de partilha na missão comum de pregar o Evangelho. Essa renovação da pratica eclesial coloca, sem dúvida, algumas perguntas fundamentais não apenas à prática tradicional do ministério hierárquico e a repartição de tarefas, mas também à teologia como peça importante na legitimação dessa pratica tradicional do ministério hierárquico. Aí surgem as interrogações mais costumeiras. Vamos tentar organizá-las em 3 níveis:

a) Esse desenvolvimento das práticas eclesiais sugere um deslocamento do centro da Igreja da hierarquia para o povo de Deus. É legítimo tal deslocamento? Não estaria prejudicado teologicamente pelo fato de parecer diminuir o papel do ministério hierárquico? Como pensar então a derivação do ministério a partir de Jesus Cristo e dos apóstolos? Por outro lado, não caberia uma critica à eclesiologia tradicional, quando ela esquece o papel do Espírito Santo?

b) Uma nova compreensão da Igreja não mais separada do mundo (“sociedade perfeita”) também coloca uma questão difícil: tradicionalmente era até fácil distinguir clero e leigos. Bastava distinguir as esferas de atuação. O clero atua no âmbito espiritual, no sagrado, no interior da Igreja. O leigo atua no âmbito do temporal, no profano, no mundo secular. Ora, numa concepção de Igreja dentro do mundo, também o padre ou religioso vai se compreender dentro dele. Já não cabem mais as distinções “espiritual/temporal”, “sagrado/ profano”, “mundo da Igreja/mundo profano”. Todos estão no mundo e buscam realizar a missão da Igreja. Fica então a questão: como diferenciar o modo de atuação? Mais ainda: cabe diferenciar?

c) Tradicionalmente estávamos acostumados dentro da Igreja com o discurso do poder. Isto é, a Igreja se articulava sempre de cima para baixo, de forma monárquica. Havia um desequilíbrio patente entre os muitos que constituem a Igreja pela fé e o “monarca” / pastor que preside a Igreja. Mas há toda uma nova experiência de colegialidade, com um novo (nem tão novo, como a história do primeiro milênio nos atesta) discurso de consenso. Não ha dúvida hoje que tal deslocamento intraeclesial é legítimo. Todavia parece lícito indagar sobre como deve ser articulado e sobre sua extensão. Deve ser exercido apenas entre os “pares” da hierarquia eclesiástica ou deveu estender-se também para o âmbito dos ministérios dentro das comunidades?

Na prática, o que mesmo esta em jogo nesse tema? 1) em primeiro lugar, se queremos montar um modelo de Igreja centrado sobre o clero ou sobre a participação de todos; 2) em segundo lugar, se queremos articular um projeto pastoral que tem como centro o pastor ou um projeto pastoral que se baseia nos ministérios do povo de Deus; 3) em terceiro lugar, talvez tenhamos que avançar mais no nosso questionamento: se queremos uma organização dos ministérios a partir das necessidades ideológicas (isto é, da defesa do poder estabelecido dentro da Igreja, enquanto o poder está reservado ao clero) ou uma organização dos ministérios a partir das necessidades efetivas do povo de Deus dentro do mundo .

No bojo dessa problemática há dados que pertencem certamente à realidade fundamental da Igreja em todos os tempos, suas estruturas permanentes, e outros que são conjunturais e pertencem à articulação histórica segundo modelos que expressam no dia-a-dia o dinamismo interior da Igreja.

2- Estruturas e modelos eclesiológicos

O Vaticano II afirmou uma nova auto-compreensão da Igreja dentro do mundo de hoje. É uma novidade em termos de consciência eclesial. Mas isso levantou também problemas na concepção do modo como a Igreja deve articular-se dentro desse mundo. Um elemento fundamental para essa compreensão da re1ação Igreja-mundo é o leigo. Sobre essa questão cabem duas observações rápidas.

O espaço do leigo na Igreja depende muito do modo como se concebe historicamente a ação profana. Na era pré-técnica prevaleceu uma visão negativa e pessimista da ação profana (pela sacralização exagerada). Aí o leigo mal cabia na Igreja. A ele cabia o mundo exterior à Igreja, o profano. Já na era técnico-industrial prevalece uma visão positiva e otimista da ação no mundo (dentro do processo de secularização do mundo moderno). O leigo então teve um espaço mais amplo e valorizado de ação como cristão. Hoje estamos iniciando a era pós-industrial. O espaço social é disputado palmo a palmo pelos grupos de poder político-ideológico. Há tarefas históricas novas a nível político. Vemos que a ação dita “profana” é um agir histórico e político que diz respeito à própria regulação da sociedade para uma convivência justa e livre. Ora, sob esse ponto de vista, a Igreja como um todo não pode estar de fora. Como então vamos compreender no mesmo espaço social a ação da Igreja (sua pastoral)? Há nesse espaço “coisas” que só o clérigo (como proclamar o Evangelho no mundo) ou só o leigo podem fazer (como lutar pela justiça no mundo)? Se a visão da realidade hoje pede uma ação articulada, portanto, também uma definição positiva do leigo dentro da Igreja, o Vaticano II parece não ajudar muito.

A tradição recente da eclesiologia teve dificuldades de tratar dessa questão. O leigo numa eclesiologia clerical (pars-pro-toto) é, na realidade, um membro deficiente da Igreja. Numa eclesiologia mais ampla e ‘integral’ da Igreja como “corpo místico de Cristo” o leigo já começa a ser definido como membro pleno desse corpo. Mas não escapa a uma definição negativa. Ele é um “membro destituído de ministério” . No Vaticano II, o cap. IV da Lumen Gentium caracteriza o leigo pela sua “índole secular”. Ele tem como específico “procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus” (LG 31). A 1inguagem do Vaticano II baseia-se ainda na delimitação de âmbitos próprios do clero e do leigo. Numa Igreja que se compreende dentro do mundo e não apenas para o mundo qual seria a missão do cristão? .

Neste ponto é de fundamental importância tomar consciência dos modelos históricos de Igreja. Eles produzem suas práticas, suas normas próprias, suas teorias e seus projetos pastorais. Ditam o que é permitido e o que é proibido. Esses modelos são produtos históricos, frutos da experiência do trato com a administração do poder e da participação. Há graduações entre os vários modelos, desde o modelo gregoriano (mais tarde o modelo “sociedade-perfeita’) que produz uma eclesiologia de autoridade exclusiva da hierarquia (Congar: hierarcologia) O leigo é reduzido à passividade. Para legitimar o modelo reformula-se a doutrina da derivação do ministério diretamente do Cristo-cabeça e a partir do Jesus histórico. A comunidade dos fiéis fica então descaracterizada, na medida em que só se compreende a partir do ministério Hierárquico. A hierarquia assume um papel de mediação entre Cristo e o “simples” fiel.

O modelo de Igreja modernizante, que produziu uma eclesiologia da comunhão e do mistério, mesmo reconhecendo um papel ativo para o leigo, define sua posição dentro da instituição como supletiva. O leigo é convidado a participar do ministério hierárquico, como “longa manus’ para onde o clero não chega. Para essa eclesiologia o modelo de derivação do ministério é ainda cristomonista.

O ideal de uma teoria eclesiológica caminha justamente na direção da definição do compromisso dos cristãos no mundo não simplesmente a partir da hierarquia, mas a partir da fé. Seria uma eclesiologia do “povo de Deus”, pela redescoberta do sentido radical da eclesialidade batismal do leigo, que não é derivada da hierarquia, mas do Espírito de Jesus Cristo que age no cristão e na comunidade.

Nossa tarefa aqui não consiste apenas em situar a Igreja no processo histórico de mudança, mostrando como ela realiza no tempo sua essência. Seria preciso elaborar uma teologia da Igreja em que a eclesialidade batismal de todo cristão e da comunidade estivesse fundamentada não no ministério hierárquico, mas no próprio ato primeiro de Deus em Cristo pelo Espírito que constitui um povo para que o conheça e o sirva (cf. LG 9). Só desta forma estaremos explorando as potencialidades eclesiológicas abertas pelo Vaticano II, oferecendo um fundamento teológico para a multiplicidade de ministérios do povo de Deus como compromisso batismal com a missão de Cristo no mundo.

3- Por uma teologia da Igreja, povo de Deus

A Igreja se realiza na história ao mesmo tempo como divina e humana. Como realidade dentro do mundo deve ser interpretada não só como fato social, mas também e em primeiro lugar como iniciativa de Deus no mundo, no contexto da teologia da revelação e da fé, como dom escatológico.

Essa abordagem poderia evitar o dualismo quando se pretende montar uma teoria eclesiológica que acentua os elementos “de baixo” ou os “de cima”; o “institucional” ou o “profético” e assim por diante. Sem duvida, são dimensões ou aspectos que sempre merecem ser aprofundados. Podem nos revelar limites humanos, as patologias das instituições e dos detentores de cargos ou ofícios eclesiásticos, as opressões históricas e as alienações, o direcionamento dos dinamismos do corpo eclesial dentro de dado contexto sócio-cultural, histórico e o modo como se articula poder e participação.

No entanto, permanece sempre a exigência de fundamentar para além das diferenças históricas entre os cristãos e para além da conjuntura em que a Igreja se realiza teologicamente, para além das estratégias e táticas históricas para a realização da Igreja no mundo. Quais seriam, pois, os pontos fundamentais para uma teologia da Igreja, importante para a fundamentação dos ministérios na Igreja? Enunciamos de modo sucinto alguns pontos que julgamos essenciais para uma teologia da Igreja como realidade global:

3.1- A categoria “povo de Deus” como ponto de partida para a vocação comum de todos os fiéis

O Vaticano II (LG cap. II) colocou como base de uma compreensão da Igreja a categoria “povo de Deus”. Esse ponto de partida ainda não desenvolveu todas as suas potencialidades eclesiológicas. Temos ainda muito a percorrer para concretizá-lo. É uma categoria histórica e dinâmica capaz de expressar a totalidade do corpo eclesial a partir da vocação de Deus, da eleição e da fé. Pertencer a esse povo “de” Deus vai então definir concretamente a vida político-eclesial de todos e cada um dos fiéis. Ao mesmo tempo, é uma categoria que situa o conjunto dos fiéis dentro da realidade terrena – o mundo – como lugar da Igreja toda inteira. Fundamenta, para além dos papéis e funções específicas, na raiz mesma que constitui a Igreja enquanto povo de Deus no mundo, a responsabilidade e o compromisso do todos na evangelização.

3.2 No interior desse povo de Deus nascem as estruturas como ordem operada pelo Espírito de Jesus Cristo

A Igreja, enquanto sacramento – sinal e instrumento – do Reino é uma realidade pascal. É fruto da morte e ressurreição. Seu fundamento é o Senhor ressuscitado que envia o Espírito. Esse segundo ponto de uma teologia da Igreja consiste, justamente, em articular esse envio do Espírito como ligação entre o Ressuscitado e a comunidade de fé. O Espírito de Jesus Cristo gera no coração dos fiéis uma resposta histórica de fé diante das exigências da situação. Essa fé orienta-se, em sua rea1ização concreta, numa tríplice direção que a tradição neotestamentária já resumia em três termos-chave: testemunho/martyria; comunhão/koinonia; serviço/diakonia.

3.3- Para realizar a missão da Igreja no mundo” cada um recebe de Deus o seu dom particular” (1 Cor 7, 7)

Uma correta doutrina dos carismas na Igreja é ponto fundamental para depois articular a questão dos ministérios . Enquanto ligado ao dinamismo do Espírito que age no interior do Povo de Deus, o conceito de carisma é aberto tanto ao clero quanto aos leigos. O exercício dos carismas não diz respeito imediatamente à distinção de tarefas dentro da Igreja, mas à ordenação da vida cristã no mundo em conformidade com o mistério de Cristo. O critério de autenticidade dos carismas consiste na relação tensa e dinâmica entre o “estar no mundo” e o viver “em conformidade com o Senhor” (1 Cor 7, 39).

A tradição eclesiológica recente revela freqüentemente uma miopia nesse ponto. Distancia perigosamente o ministério hierárquico, ou o magistério eclesiástico, do corpo eclesial. Isso se revela claramente no modo concreto e simplificado como se compreende a distinção entre “Ecclesia docens” e “Ecclesia discens”. Fundamentando a diversificação de papéis na Igreja numa teologia do “povo de Deus”, pode-se estabelecer um degrau fundamental em que se compreendem todos os fiéis, num primeiro momento como “Ecclesia discens”, porque todos estão diante da Palavra de Deus como “ouvintes da Palavra” (Rahner), à qual todos devem o “obséquio da fé”. Essa é a obediência primeira de todos os membros do povo de Deus. Só num segundo momento é que há uma obediência dos detentores do poder hierárquico em vista do carisma específico. Portanto, resumidamente em alguns tópicos:

a) O Espírito Santo não tem intermediários para a geração dos carismas. Aquele que suscita a diversidade dos dons e carismas gera também a tensão na direção de sua unificação, através do carisma de direção próprio do ministério da unidade do povo de Deus, tendo em vista a missão.

b) Por isso, o próprio ministério hierárquico deve ser interpretado à luz do conceito de carisma, como dom de Cristo pelo Espírito a todo o corpo eclesial. Uma vez situado o ministério sob a categoria de carisma é que se pode proceder a uma diferenciação .

c) A realização da fé e da missão evangelizadora no mundo não é tarefa reservada a um grupo, como o clero. É tarefa e responsabilidade de todos. O próprio “sensus fidelium” não é resultado do esforço do magistério eclesiástico. Seu papel está mais na tarefa de gerar o consenso dentro do corpo eclesial.

d) Mais ainda, o caráter eclesial dos carismas não depende de mandato oficial da hierarquia. A ela cabe um “juízo sobre sua autenticidade e seu ordenado exercício” (LG 12), tendo em vista a conformidade com Cristo. Esse é um juízo histórico em vista do discernimento dos espíritos. Não produz a eclesialidade em sua raiz, mas apenas ajuíza sobre as condições históricas de eclesialidade.

4- Os novos ministérios na Igreja povo de Deus

Diante do fenômeno novo da emergência das classes populares na AL enquanto pobres e sujeitos de sua fé, nós estamos redescobrindo novas possibilidades de ser Igreja. Aqui se coloca também em jogo uma Igreja centrada no clero. O problema hoje parece ser: como passar de um modelo de Igreja centrada sobre o clero para um modelo construído em cima da participação de todos?

4.1- Renovação dos ministérios oficiais

Como primeira exigência diante da realidade de uma Igreja renovada a partir das bases (CEBs, novos movimentos, pastorais etc.), pode-se colocar a redefinição dos ministérios oficiais (os ordenados), a partir da realidade mais fundamental da Igreja, povo de Deus. O princípio que rege essa nova reavaliação seria: todo o povo de Deus é o sujeito coletivo das dimensões fundamentais da Igreja. É um povo sacerdotal, profético e real. Como tal é chamado a realizar as dimensões básicas da Igreja no testemunho, na comunhão, no serviço.

4.2- Os novos ministérios

Eles não surgem por graça dos ministérios ordenados, mas pelo poder do Espírito. Seu eixo de estruturação é a comunidade. É dentro dela que deverão situar-se e configurar-se os vários serviços de animação, celebração dos mistérios e da Palavra de Deus, ação no mundo (o exercício da caridade, as obras de justiça etc.) e de coordenação. Tais novos ministérios deverão ser reconhecidos em suas características populares. Não devem ser clericalizados, como sendo uma extensão do ministério ordenado. Não se baseiam em conhecimentos teóricos, mas em conhecimentos práticos que as pessoas desenvolvem, conforme seus talentos e habilidades pessoais.

4.3- Uma eclesiologia específica

Acima já demos alguns elementos fundamentais dessa nova eclesiologia. Trata-se de uma compreensão de Igreja que se percebe ao mesmo tempo como dom de Deus e realidade histórica e dinâmica:

a) Uma Igreja sempre em processo de construção: ela está sempre refazendo sua ligação com seu fundamento, o mistério de Cristo, como resposta às exigências da realidade pelo poder do Espírito. Por isso mesmo, esse processo eclesial exige uma contínua integração (conversão) dos ministérios tradicionais na caminhada do povo de Deus (trata-se da integração dos ministérios “cristo1ógicos”, que se ligam mais à tarefa de direção e unificação, na peregrinação do povo de Deus). Ao mesmo tempo, exige um processo de acolhida dos serviços emergentes da nova realidade eclesial, o reconhecimento de sua eclesialidade como dom de Deus à Igreja (são os ministérios “pneumatológicos” que atendem melhor à diversidade de situações dos cristãos na comunidade e no mundo).

b) Nesse processo a Igreja redescobre a sua estrutura básica: a “comunidade dos fiéis” que vai formar uma “rede de comunidades” de dimensões humanas. Criam-se então as condições históricas para o fiel realmente tomar consciência de ser ele o sujeito de sua fé dentro da comunidade. Mais ainda: não só o cristão ‘ilustrado’ é capaz disso. O pobre também toma consciência de ser sujeito de sua própria fé. Deixamos para traz a expressão que um dia foi escandalosa: “os leigos também são Igreja” (Pio XII). Agora a expressão que causa escândalo a muitos é outra: “Os pobres também são Igreja”. E quem o diz não são nem os ricos nem o clero, é o próprio pobre. Ele se torna sujeito da palavra da fé.

c) Esse processo possibilita a compreensão dos ministério de uma forma diferente: Nem fora nem acima da comunidade, mas a partir dela. Uma teologia da Igreja povo de Deus nos ensina que a comunidade conserva a capacidade radical de prover as suas necessidades, mesmo que historicamente o modo como são providas essas necessidades possa sofrer variações, por injunções ideológicas.

d) A emergência dos ministérios do povo de Deus para dentro de uma Igreja ainda sob a tutela clerical nos faz perceber cada vez mais a importância do povo que acolhe a fé. De fato, “quando esse povo, pela evangelização, adere a Cristo e acolhe os dons do Espírito, então se transforma em Povo de Deus” .

Bibliografia:

CNBB, Vida e Ministério dos Presbíteros, Doc. 20, Paulinas, 1981.

WIEDERKEHR D. A Igreja como lugar da múltipla existência cristã. Em: Mysterium Salutis IV/6, Vozes, 1977.

KELLER M. Teologia do Laicato. Em: Mysterium Salutis IV/6, Vozes, 1977, pp. 72-95.

DUPUY B. Teologia dos Ministérios eclesiais. Em Mysterium Salutis IV/6, Vozes, 1977, pp. 145-185.

SCHILLEBEECKX E. Das kirchliche Amt. Düsseldorf: Patmos Verlag, 1981. Cf. recensão: VANOYE; CROUZEL. NRTh 5 (1982) 723-748.

ANTONIAZZI A. Os Ministérios na Igreja hoje. Vozes, 1975.

LAMAIRE A. Os Ministérios na Igreja hoje. Paulinas, 1977.

KASPER W. Ser y Misión del Sacerdote. Selecciones de Teología 75 (1980) 243-251.

DUQUOC Ch. Teologia de la Iglesia y crisis del Ministerio. Selecciones de Teología 75 (1980) 232-238.

HÜNNERMANN P. Iglesia y función jerárquica. Selecciones de Teología 63 (1977) 257-260.

TILLARD J. M. El Obispo y los demás Ministerios. Selecciones de Teología 63 (1977) 249-250.

Fonte:

https://ccaliman.wordpress.com/2014/04/27/estruturas-e-ministerios-eclesiais-a-luz-da-teologia-4/

Anúncios