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Sobe a temperatura no cenário social e político europeu diante do recrudescimento da mobilidade humana. O clima torna-se cada vez mais quente sobre dois aspectos: por um lado, aumenta o número de migrantes que entram no velho continente, seja pela via do Mediterrâneo em direção ao sul da Itália e à Grécia, seja pela via balcânica, cruzando a Turquia, a Macedônia e a Sérvia, para entrar através da Hungria.

A estimativas são díspares, mas todas falam em milhares de pessoas por dia. Grande parte desses migrantes e/ou refugiados têm como horizonte o norte da Europa, especialmente Alemanha, Inglaterra e países escandinavos.

Por outro lado, cresce a presença da extrema direita na política parlamentar de alguns países (Aústria, França e Dinamarca), bem como a força de movimentos e partidos autoritários, também de direita, em outros (Itália, Inglaterra, Alemanha). Trata-se de uma combinação historicamente notória e bem conhecida: o aumento das migrações corre pari passucom a intolerância e o rechaço do “outro, estrangeiro, diferente”. Daí o aumento do grau de xenofobia discriminação e preconceito, cada vez mais presente em manifestações anti-migração.

A melhor ilustração desse quadro explosivo é a construção acelerada de um muro na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Segundo as autoridades deste último país, a barreira, com uma extensão de 175 quilômetros, deverá ficar pronta em uma semana. Ao mesmo tempo, eleva-se o tom das tensões nos confins entre a Sérvia e a Macedônia. Aliás, reflexo do clima generalizado de conflitividade, aberto ou latente, são as turbulências em diversas áreas fronteiriças – em particular entre Itália e França, entre França e Inglaterra e na zona dos Balcãs.

Tudo isso tende à elaboração de leis migratórias mais restritivas e ao fechamento das fronteiras, por um lado e, por outro, à clássica estratégia defensiva que visa fazer dos migrantes um “bode expiatório” para todos os distúrbios da ordem política ou social.

A situação se agrava quando, deliberada ou inconscientemente, as autoridades e os meios de comunicação mesclam e confundem o aumento das migrações com o tema do crime organizado em geral e com o terrorismo em particular. Exemplar a esse respeito é o discurso do partido italiano da Lega Nord, segundo o qual o governo, por omissão, “está permitindo que o país seja invadido por migrantes e terroristas escondidos entre eles”.

Tal cenário, como não poderia deixar de ser, vem acirrando os ânimos nos debates políticos e sociais e nos espaços e páginas da mídia em geral. Há meses o tema das migrações está na ordem do dia: ocupa boa parte dos noticiários radiofônicos, televisivos ou impressos, e entra na pauta política dos países e do Parlamento europeu. De outro lado, envolve uma série de organizações não governamentais – igrejas, associações, entidades múltiplas.

4º S 227

Pe. Alfredo J. Gonçalves

Assessor das Pastorais Sociais

Fonte:

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=86297

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