Campanha ‘Quanto custa?’ aborda as consequências da cultura de tolerância à violência sexual mantida no Brasil

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Custa Caro! É com este mote que foi lançada em todo o Brasil, a campanha “Quanto Custa a Violência Sexual contra Meninas?”, promovida pela Plan International Brasil, organização humanitária internacional pelos direitos da criança e do adolescente. A iniciativa faz um alerta para o País. “A maioria dos estupros não é cometida por desconhecidos na rua. Por aqui, os abusos geralmente acontecem dentro de casa e são realizados por conhecidos das meninas”, afirma Anette Trompeter, diretora nacional da organização. Para mais informações sobre a campanha na página do Facebook, clique aqui.

A campanha “Quanto Custa?” pretende promover e qualificar o debate sobre a violência sexual contra as meninas que já chega a mais de meio milhão de casos por ano no Brasil. Para isso, além de peças de comunicação e ações em mídias sociais, contará com uma rede de organizações de todos os setores na realização de iniciativas pelo Brasil, desde a exibição do filme India’s Daughter (Filha da Índia), exibido quarta-feira (16/09) no Auditório Ibirapuera, debates sobre a violência sexual contra meninas, a elaboração de materiais informativos sobre o tema, entre outras ações.

Um destes materiais trata-se de uma cartilha que explica ‘Como identificar a violência sexual’ e o ‘Passo-a-passo da denúncia’ que pretende auxiliar meninas, famílias e qualquer pessoa que conheça alguém que esteja passando por uma situação de abuso e violência sexual, como denunciar e procurar a rede de atendimento para meninas que sofreram com este crime.

O estupro é considerado um dos crimes menos notificados do Brasil, apesar de ser tratado como hediondo pela justiça. Cerca de 50 mil casos de estupro são denunciados todos os anos no Brasil, mas estima-se que isso represente menos de 10% do total de casos. Aquelas que passam por essa situação deixam de denunciar com medo de represálias, com vergonha de se expor, e até mesmo com receio de serem culpadas ou tachadas pela violência sofrida. “Precisamos responsabilizar aqueles que praticam este ato. Já temos algumas políticas de proteção, mas provar que uma pessoa praticou violência sexual ainda é muito difícil no Brasil”, afirmou Kátia Cristina dos Reis, coordenadora adjunta da Coordenação de Políticas para Crianças e Adolescentes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, presente ontem no evento de lançamento da campanha.

O cenário é ainda pior quando se considera o universo infantil. Uma série de situações previstas como crime no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em que adultos se aproveitam da fragilidade das crianças para ter satisfação sexual, não é entendida da mesma forma por parte da população. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais da metade dos casos acontece com meninas menores de 13 anos. “O Brasil não está imune à doença que afeta o mundo todo que é uma forma de entender a igualdade de gênero. Estamos fracassando na educação de nossas crianças e a solução agora é ensiná-los, desde o primeiro dia de vida e na escola, sobre direitos humanos e igualdade de gênero, que é o respeito entre os meninos e as meninas”, afirmou Leslee Udwin, diretora do documentário India’s Daughter.

Outro ponto importante destacado pela Plan International Brasil, como explica Viviana Santiago, especialista em Gênero da organização, há um movimento em alguns municípios brasileiros à exclusão do tema gênero da grade curricular das escolas. “Isso só fará com que as coisas aconteçam como estão. Quem deseja isso? Quem quer que as coisas continuem acontecendo dessa forma? As mesmas pessoas que promovem a desigualdade de gênero”, afirmou.

Segundo dados da Child Fund Alliance, as perdas econômicas globais causadas pela violência contra crianças chegam a 21 trilhões de reais. “Não sabemos dizer quanto disso representa o universo das meninas. Mas, custa caro. A sociedade paga um preço muito alto por diversos tipos de violência silenciosa e impune, mas não encara o assunto de frente. As consequências para quem passa por isso são inestimáveis e geram danos para o resto de suas vidas”, conclui Anette Trompeter.

Fonte:

Ecodebate

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