“Diariamente todos juntos frequentavam o templo e nas casas partiam o pão, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46).

Pessoas que se conhecem mutuamente, que partilham suas vidas, alegrias e esperanças, que põem em comum bens e esforços, que lutam juntas pela defesa da vida, que fundamentam e justificam sua existência a partir do Reino de Deus, que tem a Palavra de Deus como eixo fundamental, tudo isso são características do que denominamos CEB’s.

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Aconteceu no último dia 30 de agosto, na paróquia Nossa Senhora da Paz (Cachoeirinha), na Arquidiocese de Belo Horizonte, o 10° encontro das CEB’s da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, tendo como assessor o Pe. Jaldemir Vitório, S.J – Faje. O tema do encontro, à luz do documento 100 da CNBB, Comunidade de comunidades, foi: Uma Nova paróquia. Somos chamados a evangelizar.

Padre Vitório, com o objetivo de contextualizar o tema, fez uma síntese considerando a história da Igreja destacando que a mesma foi-se fechando, começando a ter medo do mundo. A consequência desastrosa é que, aos poucos, o seguimento de Cristo foi sendo esquecido e passou-se a colocar como prioridade a própria Igreja. Assim fomos educados pelo 1° catecismo cristão baseado na Suma Teológica de Santo Tomás. Aos poucos, com medo de que nos tornássemos heréticos, a Bíblia foi sendo tirada de nossas mãos e a Igreja e suas orientações tomaram esse lugar. Daí, a catequese, por sua vez, foi priorizando os mandamentos da Igreja: ouvir missas aos domingos, confessar-se, comungar ao menos uma vez ao ano, jejuar, pagar o dízimo etc. Isto era ser católico. Ir à Igreja era oportunidade de aliviar a consciência, pois tal prática era uma obrigação.

João XXIII, com sua particularidade e personalidade próprias, teve a percepção de que a Igreja não caminhava sintonizada com o mundo. Havia uma distância entre ambos. Ele pensava a Igreja como um grande casarão que precisava deixar-se invadir por novos ares. Assim convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II, tentando pensar numa experiência eclesial diferentemente de até então: não como uma sociedade perfeita, piramidal, mas Povo de Deus reunido na Trindade, unido na diversidade e caminhando junto em vista da evangelização.

O que assistimos hoje é a tentativa do Papa de pôr a cabeça junto com o corpo evitando a distância, a separação dos mesmos, mas buscando uma unidade. Ainda assistimos a uma hierarquização de postos e funções, uma supervalorização do Sacramento da Ordem em relação ao Batismo. Logo, se faz necessário um retorno ao Jesus do Evangelho adquirindo assim uma consciência de sermos discípulos(as) comprometidos com Jesus, sua palavra, seu projeto.

Padre Jaldemir Vitório, considerando a proposta do doc. 100: Comunidade de comunidades, uma nova paróquia, apresentou, a partir dos métodos VER, JULGAR, AGIR, uma importante reflexão/leitura da realidade de nossas comunidades/paróquias.

Em relação ao VER, predominam dois modelos: de um lado, uma paróquia caracterizada como empresa prestadora de serviços religiosos para atender às fantasias particulares de seus participantes; casa de shows e eventos em busca da fama; centro de religiosidade popular sem vinculação comunitária; espaço de exibição litúrgica através de panos, velas, ornamentos; supermercado religioso onde se encontra de tudo; centro de tradições católicas resgatando as velhas coisas da Igreja. Doutro lado, encontramos realidades paroquiais como: lugar de encontro com Cristo, especialmente nas celebrações eucarísticas e de reconciliação; base de evangelização a partir do anúncio da Palavra; espaço comunitário de vivência da fé; polo de serviços aos mais empobrecidos, marginalizados, bem como a sua promoção humana; polo de ação social e política de pessoas de fé buscando ser sinal de uma presença renovadora; enfim, lugar de formação bíblica, espiritual, teológica e litúrgica. A partir de cada eclesiologia (visão de Igreja), compreendem-se os vários tipos de ministros ordenados, e até mesmo de fiéis.

Do ministro, segundo o Evangelho, exige-se experiência de fé cristã profunda e capacidade de liderança. Pergunta-se, portanto: como minha paróquia ajuda-me a ser mais comprometido com a evangelização, a crescer como discípulo(a) missionário(a)?

Considerando o JULGAR (iluminar a vida com a Palavra de Deus e as orientações da Igreja), os participantes foram levados a refletir se as suas percepções e experiências paroquiais se organizam nos moldes do Evangelho, nos passos de Jesus; se a fé, do ponto de vista pessoal, nos conduz a celebrá-la e vivenciá-la comunitariamente, se o compromisso batismal leva ao engajamento eclesial/social, se os dons e talentos são postos em comum, se o caminho se dá na tríade das virtudes teologais: fé, esperança, caridade; se se escuta a realidade que, por sua vez, exige a evangelização; se se evangeliza com criatividade e ousadia, com atenção aos jovens e crianças.

No contexto em que vivemos, como Igreja à luz do pontificado de Francisco, temos uma indicação de um novo rosto da e para a Igreja: Uma Igreja em saída, misericordiosa, evangelizadora, pobre, e da alegria.

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O que fazer, que caminhos tomar, como efetivar a ação evangelizadora à luz desse novo tempo? Pensando no AGIR, algumas indicações foram sinalizadas pelo assessor do encontro: uma urgente mudança de mentalidade em que todos nos sintamos discípulos (as) missionários(as); uma volta para Jesus e o Evangelho; acreditar na comunidade e nos organizarmos assim visando o Evangelho e a ação sócio-transformadora; a vivência consciente e comprometida da vocação batismal.

Na região episcopal Nossa Senhora da Esperança, com suas 80 paróquias compondo 400 comunidades, nem todas possuem a mesma organização e dinâmica específica das CEBs, mas o certo é que para existir uma Igreja viva e atuante, faz-se necessário, em suas bases, uma verdadeira comunidade de fé marcada pela Palavra, pela convivência fraterna em que há espaço para todos, pela partilha e defesa da vida de maneira simples, corajosa e perseverante.

Em breve, as entrevistas com o assessor Pe. Jaldemir Vitório e Edna Evangelista Córdova, representante das CEBs na Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, juntamente com Padre José Geraldo de Souza. Acesse e acompanhe-nos.

Pe. Joel Maria dos Santos

Pela equipe do Observatório da Evangelização

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