Durante esta semana realizou-se na PUC Minas a XXI Semana Teológica numa parceria entre o Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Rezende Costa, desta Universidade, e o Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA). Registramos os ecos que nos chegam a partir da reflexão suscitada pelo tema: A Vocação e a Missão da Família na Igreja e no Mundo Contemporâneo.

Família

A VOCAÇÃO DA IGREJA E DA FAMÍLIA NA IGREJA E NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Acredito que a temática sobre a família é um dos temas mais recorrentes da atualidade não somente no âmbito eclesial, mas na sociedade como um todo, visto que esta é composta por células familiares. Interessante abordagem da professora de Direito da PUC Minas foi a definição partindo, obviamente, de um conceito usado dentro do Direito para definir família: a sociedade somente se estrutura por núcleos familiares, aqui não me refiro a pai, mãe e filhos, mas sim ao núcleo constitutivo do conjunto de pessoas que se relacionam para juntas viverem sobre um determinado objetivo. Logo, podemos perceber que faz parte do nosso existir como seres em relação o estar em uma família.

As várias abordagens sobre esse tema, no evento, tiveram grande importância para o contexto atual, sem dar respostas, pois não é esse o objetivo da semana, mas, sim, levar a uma reflexão. Pude perceber que a integração com as diversas áreas da Teologia, mas também de outras como a Psicologia, o Direito, a Filosofia complementam e ajudam a trilhar um caminho mais seguro para refletir tal temática.

Particularmente como somos levados (aqui me coloco como pertencente a uma comunidade) a pensar diretamente na área da pastoral, acredito que as perspectivas bíblicas são o fundamento da nossa ação. Interessante colocação da professora foi que a família não é somente objeto de reflexão, ela é a base para a revelação divina, pois Deus se encarnou e viveu em uma família. E, de fato, é na família que podemos experimentar a presença de Deus no nosso meio. Importante é a fala de Jesus que alarga esse conceito de família quando diz: “quem são minha mãe e meus irmãos? Todo aquele que fizer a vontade do Deus.” Isto não significa que todos os modelos, segundo uma visão bíblica, estão nos planos de Deus, mas que o conceito pode e deve sim ser alargado. Esta é uma reflexão complexa e difícil para os nossos dias, ainda mais quando o tempo atual se distancia tanto dos escritos bíblicos. São necessárias ainda muitas reflexões nesse sentido, não seria capaz de dar nenhuma definição nem deveria, mas, sim, algumas percepções sobre a fala dos conferencistas. Contudo, para o cristão, o plano do amor de Deus se realiza nessa dualidade reciprocamente complementar, como afirma a professora. Dualidade harmônica que é reverência, é reconhecimento do valor do outro, esta alteridade do homem e da mulher, no amor e não no terror. No temor de Cristo, ou seja, o maior tem que servir.

Obviamente os desafios são inúmeros, visto que a prática está um tanto distante do ideal. Muitas dificuldades surgem pelo caminho, novidades, pontos de vista diversos, no entanto isso não significa que não se possa ter um referencial no qual mirar. A própria família de Nazaré, sob um ponto de vista humano, era uma “anomalia” para aquele tempo. Um pai que permanece fiel a uma gravidez de um menino que não era biologicamente seu, uma virgem que dá a luz a um filho e um menino que não é fruto da relação biológica entre um casal, contudo, a Sagrada Família de Nazaré continua sendo exemplo para nós como pessoas que se colocam diante de Deus como fiéis a sua vontade.

Dados esses elementos, me parece que toda a ação pastoral deve partir dessa fonte. Neste oikos, nesta casa, há espaço para todos. A acolhida, o respeito, os direitos são pilares fundamentais para Igreja. A Igreja deve se tornar casa para todos. É necessário compreender como, de que maneira autenticamente ser fiéis ao evangelho e ao mesmo tempo ser sinal do amor universal de Deus para a humanidade.

Por fim, concluo com uma fala do Papa Francisco na abertura do sínodo das famílias que representa bem o desejo fundamental do homem:

“E não obstante as aparências, também o homem de hoje sente-se atraído e fascinado por todo o amor autêntico, sólido, fecundo, fiel, perpétuo, ou seja vai atrás dos amores temporários, mas sonha com o amor autêntico, corre atrás dos prazeres carnais, mas deseja a doação total e tem sede de infinito.”

Camila Carvalho Santo André

Missionária da Comunidade Missionária de Villaregia

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