A ventania divina nos redemoinhos da libertação

Marcelo Barros

Marcelo foi apresentado por Manuel Godoy como alguém que foi ordenado por Dom Helder Câmara, com quem ele trabalhou durante anos, assessor das CEBs e criador de uma espiritualidade militante para o MST, um dos movimentos sociais mais bem organizado do Brasil.

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Marcelo Barros iniciou a sua conferência, no dia 28/10/2015, com um gesto: tirou as sandalias para expressar o desejo de ficar mais em comunhão com todos e todas. Afirmou que certamente, nem tudo na caminhada dos movimentos sociais é do Espírito, mas, o homem de fé procura discerner e perceber a sua presença sustentadora nas diversas lutas por mais vida para todos e todas. Segundo Marcelo, todo ato de amor e generosidade é um ato do Espírito. Recordou que Dom Tomás Balduino, ao contemplar os muitos fracassos dos pobres se perguntava se não seria, isso, parte da cruz de Jesus. Disse, em seguida, que iria compartilhar as multiformes experiências do Espírito na caminhada latino-americana.

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Na primeira parte, as vozes diversas do Espírito na caminhada do povo, Marcelo Barros abriu dizendo que toda busca por mais vida, beleza, encantamento, entusiasmo e alegria de comunhão para todos e todas, todo ato de amor é ação do Espírito. Mas chamou atenção que as ações do Espírito não podem ser controladas ou domesticadas. Elas são soberanas e, quase sempre, surpreendentes. Elas podem, na busca de equilibrio e harmonia, construir ou destruir, provocar paz interior ou crise, criar ordem ou caos.

Na segunda parte, o Espírito como fonte de subversão e transformação, Marcelo depois de afirmar que as experiências do Espírito provocam subversão e transformação, questionou os movimentos que se autodenominam de carismáticos ou pentecostais, mas não são revolucionários ou subversivos. Lembrou o texto paradigmático do capítulo 4 do Evangelho segundo Lucas, quando Jesus, na sinagoga, lê um trecho do profeta Isaias. É preciso recuperar a sintonia entre experiência de pentecostes e de transformação. Nesse sentido, precisamos de um novo Pentecóstes na Igreja.

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Lembrou que Comblin afirmava sempre que a experiência das CEBs, em meio às lutas do povo, é ação do Espírito, pois nela podemos perceber a força divina que infunde as energias necessárias para a perseverança na busca da vida renovada, restaurada e para manter a chama da esperanca de vida em plenitude. Destacou, nove sinais da ação do Espírito presentes na caminhada das CEBs: 1. A busca de vida em comunidade; 2. A luta cotidiana por mais vida; 3. O protagonismo da mulheres na caminhada; 4. A mística do cuidado com a vida no sentido ecológico; 5. A forma de ler a Bíblia a partir da vida; 6. A oração que brota da vida e leva à vida; 7. A ação social e política pela transformação do mundo; 8. A praxis do martírio na América Latina; 9. A prática do macro ecumenismo de base.

Lembrou o profetismo de Libanio que, ao denunciar a volta da grande disciplina, percebeu o processo de paroquialização e de clericalização das comunidades. Testemunhou que entre os nossos desafios está o de participarmos de uma orquestra que não é nossa, no sentido de não sermos nós o maestro, vivenciando uma espiritualidade cristã militante e esperançada.

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Destacou a necessidade de repensarmos o sentido do martírio. Este não deve ser compreendido, desde o âmbito da fé, simplesmente, como uma forma de morrer, mas de viver a vida. E exemplificou com a experiência vivida ao lado de Dom Pedro Casaldáglia que, mesmo ciente das diversas ameaças de morte recebida, era capaz de dormir tranquilamente pois além de viver na presença do Espírito, colocou a sua vida totalmente nas mãos de Deus.

Concluiu conclamando a que assumamos o desafio de ouvir o que o Espírito diz hoje às Igrejas e ao mundo, procurando nos abrir ao novo que Ele suscita na caminhada.

Para assistir à Conferência, acesse aqui:

Por Edward Neves M. B. Guimarães

Secretário Executivo do Observatório

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