Leigas e leigos comprometidos com ação evangelizadora, agentes de pastoral, teólogas e teólogos, religiosas e religiosos, bispos, estudantes oriundos dos diversos países da América Latina e Caribe estão reunidos no II Congresso Internacional de Teologia para debaterem o tema da “Igreja que caminha com o Espírito e desde os pobres”.

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O evento é promovido pela Amerindia Continental em parceria com diversas instituições eclesiais e de fomento. O congresso conta com a presença de grandes nomes da Teologia da Libertação, como Carlos Mesters, Gustavo Gutierrez, José Oscar Beozzo, Boff, Marcelo Barros, Victor Codina, dentre outros. Entre os objetivos práticos do Congresso está o de  aprofundar o fazer cristão em comunidade, diante dos novos desafios de um mundo majoritariamente urbano e plural, tecnologicamente acelerado e conectado, injusto e excludente, ecologicamente consumista e destrutivo, socialmente violento e conflitivo.

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A cerimônia de abertura aconteceu na segunda-feira, dia 26. Nela aconteceu uma  homenagem à Mãe Terra (Pachamama), com a oferta de sinais de vida e de morte, expressão da ambiguidade de nossas relações com o nosso Planeta. Depois de entoar cânticos com letras que expressam engajamento e compromisso, os participantes fizeram em coro uma oração de pedido de perdão pelos nossos “pecados ecológicos”.

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Em seguida, Socorro Martínez, coordenadora continental da Ameríndia, e Pablo Bonavía, coordenador do Observatório Eclesial do Uruguai, deram as boas-vindas aos participantes. Nas palavras iniciais, recordou-se que a eleição de Francisco para bispo de Roma trouxe, nos últimos dois anos, conquistas significativas para o contexto eclesial. Lembrou-se que o Papa Francisco fez, explicitamente, a evangélica opção pelos pobres. Para Socorro Martínez, Francisco convida a uma nova forma de ser cristão comprometida com a promoção da dignidade de todas as pessoas. Pablo Bonavía destacou que a reforma na Igreja deve se distanciar de toda autoreferencialidade narcísica e promover um processo civilizatório alternativo capaz de cuidar da “Casa Comum”, expressão consagrada pelo Papa na encíclica ecológica Laudato si’. Lembrou ainda que assumir o compromisso de participar da necessária reforma eclesial implica estudo, reflexão, diálogo crítico… e destacou a importância das jornadas regionais de pré-congresso empreendidas para discutirem o contexto eclesial em diversos países.

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Durante o Congresso, além das conferências, paineis e comunicações científicas, os participantes vivenciaram, ao longo do evento, de oficinas temáticas livremente escolhidas. Serão oferecidas oficinas diversas sobre contexto urbano;  povos indígenas; migrantes e tráfico de pessoas; ecoteologia; mulheres; reforma da Igreja; a prática de Jesus no contexto atual; juventudes; vida religiosa; CEBs; bem viver; hermenêuticas bíblicas e novos fundamentalismos; o fazer teologia; o fator religioso nos conflitos globais; santidade e martírio; o pensamento de José Comblin.

Três anos depois, o atual Congresso dá seguimento à reflexão teológica no contexto latino-americano pós Concílio Vaticano II compartilhada no I Congresso Continental de Teologia realizado em 2012, na Unisinos, em São Leopoldo – RS.

Por Edward Neves M. B. Guimarães

Secretário Executivo do Observatório

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