A experiência do Espírito na Bíblia: Israel, Jesus e Primeiras comunidades

IMG_0285
Painel com os biblistas: Francisco Ourofino, Carlos Mesters, Solange do Carmo e Eduardo de la Serna.

Carlos Mesters iniciou mostrando a grande diversidade de manifestações atribuídas ao Espírito na tradição de Israel. E percorrendo os Livros do Pentateuco, os Livros Históricos e dos Profetas, elencou ações surpreendentes atribuídas ao Espírito: algumas positivas e outras negativas, algumas pacíficas e outras violentas, algumas que provocam sabedoria e outras bastante ambíguas, pois, provocam ciúmes, divisões e ações violentas. Mas como o Espírito é apresentado? Como energia e sopro criador, com capacidade de guiar o povo, como luz repentina, como sabedoria que é dom de Deus, como força divina que provoca dança e entusiasmo, como surpresa que leva a ações imprevisíveis, como dom que vem de Deus e leva para Deus, como dom universal presente em todo o universo, como mestre de obra na criação, como luz que prepara os amigos de Deus.

1446040220_attach20

Em seguida, fez uma reflexão sobre a Ruah, que é do gênero feminino, diferente de espírito que é masculino. Ruah tem dois significados básicos: vento (pneuma, ar, brisa e tempestade) e respiração, portanto, indica algo que está no vento e na respiração, uma energia em movimento que tem dentro de si um rumo, uma direção, que quer realizar algo. Ela não só se move, mas coloca em movimento. Ninguém consegue a controlar. O que mais caracteriza a Ruah é a liberdade. Ela age sobre os outros, mas ninguém consegue controlá-la. Uma energia que se manifesta na respiração como força de ânimo e resistência, um impulso vital e fonte de coragem. Segundo a Bíblia, em todas as ações da história podemos discernir a presença do Espírito de Deus, que não pode ser controlada por ninguém.

IMG_0293

Francisco Ourofino, logo depois, complementou dizendo três pontos: primeiro, que a função do Espírito é produzir equilíbrio e harmonia no universo; segundo, que se trata de um movimento de inspiração e expiração divina que sustenta o processo cíclico da vida; e, terceiro, a resposta humana ao Espírito é nefesh, o grito do pobre enquanto a resposta divina é a vida.

1446040237_attach41

Depois, foi a vez de Solange apresentar a presença do Espírito em Jesus e nos Apóstolos. Mostrou que as Escrituras revelam que todas as ações de Jesus são marcadas pelo cultivo da presença e ação do Espírito. Dando ênfase ao relato de Lucas, explicitou a relação de Jesus com o Espírito, o maior dom de Deus para continuar a trilhar os caminhos da história. Continuando sua reflexão pelo Atos dos Apóstolos mostrou o protagonismo da força do Espírito no dinamismo missionário dos discípulos que vão atuando de modo crescente entre os judeus, os gentios e os pagãos. Deixou duas interpelações: primeiro, para a nossa práxis pastoral, disse que precisamos criar condições para que todos façam a experiência do Espírito, a mesma experiência dos escritores sagrados; segundo, no plano teológico, disse que temos um déficit do Espírito. Há uma lacuna em relação ao Espírito Santo em nossa teologia latino-americana. No momento, precisamos de interioridade. Está na hora de fazermos uma teologia mais pneumatológica.

1446040243_attach23

Por fim, Eduardo de la Serna procurou refletir sobre o Espírito nas primeiras comunidades. Disse que Jesus é experimentado como o Filho de Deus por causa do Espírito. O Espírito é derramado sobre a comunidade, mas também sobre pessoas para missões específicas em vista de completar a obra de Jesus Cristo. O Espírito não aponta a si mesmo, mas o seguimento de Jesus e a opção pelos pobres como o caminho para comunicar, a todos e todas, o amor de Deus. Mostrou a importância da missão de Paulo, imbuído do Espírito, para incluir os pagãos no Povo de Deus. Concluiu dizendo que sem o Espírito não há vida cristã.

Para assistir ao painel na íntegra, acesse aqui:

Por Edward Neves M. B. Guimarães

Secretário Executivo do Observatório

Anúncios