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Dom Geraldo afirma que a empresa precisa reassentar todas as famílias e convocou todos a lutarem coletivamente

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se reuniu na tarde deste domingo com Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana. No encontro, foram debatidos os impactos sociais e ambientais das duas barragens da Vale que se romperam na última quinta-feira (5). Oficialmente, 28 pessoas estão desaparecidas entre trabalhadores da Samarco e suas terceirizadas, além de moradores de Bento Rodrigues. Mais de 550 desabrigados estão em hotéis. O mar de lama contaminada avança para o oceano e já atingiu a cidade de Governador Valadares.

Joceli Andrioli, da coordenação nacional do MAB, agradeceu ao bispo e aos padres presentes a acolhida que a organização teve na cidade, a confiança, o companheirismo e reafirmou os laços históricos que unem Igreja e movimento na região. Apresentou a percepção do MAB de que é preciso aprofundar as denúncias tendo claro que os problemas são complexos e que só serão resolvidos pela força da organização popular.

É preciso ter claro que o foco tem que ser o esclarecimento máximo da população e o envolvimento dos atingidos em um processo de organização de base que provoque mobilização. É preciso ter agilidade nas ações, mas muita clareza e firmeza no que temos que fazer“, afirmou. Elencando outras experiências que o MAB já acompanhou em distintas regiões, inclusive em áreas em que houve conquistas por parte dos atingidos, Joceli apresentou o plano de trabalho que prevê a necessária responsabilização da Vale e da BHP que devem garantir as condições mínimas para que a população possa viver bem na cidade enquanto a empresa não faz o reassentamento. Outra proposta é que haja uma mesa única em que MAB, Arquidiocese, governos e Vale possam discutir a situação dos atingidos.

Dom Geraldo falou do misto de dor e indignação por ter visto a situação dos vilarejos. Conforme afirmou em outros momentos, disse que nunca viu nada parecido. Durante a discussão, falou da clareza que tem de que é preciso que os atingidos não aceitem processos de negociação isolados, individuais. “É preciso conversar com todos e apresentar uma pauta clara que não será conquistada deixando que cada faça por si“, afirmou. Também considera que só um reassentamento, uma Nova Bento Gonçalves, uma Nova Paracatu poderá possibilitar que as famílias voltem a ter os laços e as condições de vida que tinham antes da tragédia, opinião também compartilhada pelo Movimento.

O arcebispo disse que a Arquidiocese de Mariana se associa ao MAB nesta tarefa que deve aliar solidariedade, união e organização coletiva. “A opção da Igreja já foi feita. Na luta entre Golias e Davi, nós ficamos ao lado do menino. A posição tem que ser clara e sem ambiguidades: temos que ficar ao lado dos atingidos e não de quem provocou a tragédia“, concluiu.

Serão encaminhadas uma série de ações nos próximos dias, entre elas a “Caminhada pelo Direito à Vida” e o debate público “Mariana: uma tragédia anunciada” que serão realizados na quinta-feira, 12 de novembro, a partir das 16h reunindo MAB, Igreja, sindicatos, ambientalistas. Também haverá uma missa campal às 18:30h na Praça da Sé no dia anterior, 11\11, em homenagem a todos as vítimas do desastre.

Para Letícia Faria, membro da coordenação estadual do MAB, somente a organização popular fará a empresa assumir as suas responsabilidades. E a participação da Igreja é fundamental com a sua força de denúncia, de presença, de mobilização e de compromisso com a vida que sempre foi muito forte nesta região, seja com Dom Luciano, seja com o trabalho de Dom Geraldo“, afirmou.

(Os grifos são nossos)

Fonte:

http://www.mabnacional.org.br/noticia/arcebispo-mariana-convoca-todos-os-atingidos-para-organiza-e-luta-popular

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