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Há cerca de dois meses, eu e mais quatro missionários fomos enviados pela CNBB para uma experiência extremamente marcante: a assessora da Comissão para a Amazônia, Irmã Irene Lopes, o consultor do Setor Universidades e diretor do Instituto Humana, Renato Lopes, a fonoaudióloga Priscila Pires (colaboradora do Setor Universidades) e o também universitário (da PUC – MINAS) Leandro Bento, participamos da 2ª edição da Missão Alto Solimões, um projeto do Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral e Educação, e da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia.

Por lá percorremos o caminho do rio, Tabatinga foi a primeira cidade visitada, e foi também onde nos despedimos. O rio Solimões nos levou às comunidades ribeirinhas de Benjamin Constant, Santa Rosa (Peru) e ao distrito indígena de Belém de Solimões.

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É triste notar que a maior parte dos moradores da região amazônica onde percorremos não considera a floresta como uma grande riqueza e que a maioria dos ribeirinhos e indígenas desconhece a grande ação prejudicial do lixo. Pobreza vê-se constantemente, mas devemos observar com cuidado para não estereotipá-la. Mas, por ali, esses são apenas alguns dos muitos desafios. A tríplice fronteira, Brasil, Colômbia e Peru, carrega entre suas divisas um histórico forte de tráfico de drogas, de pessoas, incluindo crianças, e de prostituição forçada. Pelos rios nos deparávamos com toras de madeira abandonadas: todos os indícios nos levavam a acreditar ser da extração ilegal.

E a nossa missão? Nossa missão foi, em primeiro lugar, partilhar o dom da vida, conviver com as pessoas, trocar ideias, conhecimento e afeto fraterno. Além disso, ao buscar conhecer de perto uma realidade diferente da nossa, procurar aprender, conhecer os valores culturais e perceber os desafios, discernir ameaças e possibilidades para a arte do bem viver. Mas também, dentro do possível, oferecer às pessoas dessas comunidades um pouco de nós, de nossa alegria, de nossa esperança e de nosso conhecimento. Uma preocupação nossa era descobrir formas de plantar a semente da conscientização e do diálogo para despertar o desejo de mais vida, de cidadania e de transformação das situações que ameaçam a vida.

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Sobre Belém de Solimões, mesmo que já tenha passado algum tempo, ainda não consigo separar meus sentimentos de minha fala e descrever, racionalmente, a experiência vivida. Ver de perto e aprender a sabedoria dos indígenas, mas, sobretudo, vencer a barreira da língua (a maioria deles fala e entende a língua Ticuna) e transmitir o que eu mais gosto de fazer: fotografar! Provoca em mim uma sensação de êxtase, quando lembro a experiência de ver com os olhos deles, através da fotografia. Acredito que foi o que consegui. Uma experiência que não tem preço. Foi lá que pude conhecer Frei Ricardo, um Frade Capuchinho, quase nativo eu diria, que vive e luta por aquela comunidade e que levarei comigo no coração. Pude ver uma Igreja evangelizadora que não impõe sua cultura aos nativos, que comunga a cultura e as tradições de um povo com um conhecimento riquíssimo…

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Quando voltei à cidade onde nasci para visitar minha família tive apoio de muitos, mas, ao mesmo tempo, ouvi de vários: “Ela foi catequizar índio.” O que me surpreende é notar como muitas pessoas não percebem a importância da Igreja na luta pela preservação dos povos e matas do Brasil, na força política do Papa Francisco em trazer para a instituição Católica um tema esquecido por tantos. Dizer que a Igreja está catequizando indígenas é um equívoco enorme. A Igreja atua na Amazônia levando alento a diversas famílias. É também um apoio para comunidades quando luta pelos direitos de um povo, pela preservação da cultura regional. Sem qualquer imposição, ela luta pela dignidade e respeito aos povos da Amazônia.

Abraçados por aquela mata e protegidos por aquele rio, vive um povo de grande coração. Um povo que recebe com amor, acolhe com o coração e te abraça em comunhão. Uma comunidade no sentido mais fiel de seu significado. Uma comunidade onde existe um telhado unificador, que faz de todos um só e que te faz querer ser como eles.

Visto por olhos comuns pode parecer que lhes falta muito, mas visto de perto com olhos descorrompidos pelo capital, percebemos a riqueza humana desse povo. O que alguns julgam como ócio, outros veem como viver sem precisar de excessos e que a busca pelo peixe de cada dia basta para ser feliz.

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Que Tupana! Name permita que eu volte, que esse povo procrie, procrie e não se corrompa, pois vi neles o que já tinha desacreditado de ver no mundo: pessoas de real coração bom, de real sinceridade e de real amor pelo próximo.  Moenti ma. (Obrigada em Ticuna)

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E é aqui, por esse portal, que de alguma forma, com poucas palavras e algumas imagens retribuo e agradeço minimamente a todos com quem cruzei, conversei, esbarrei ou apenas observei, mas que contribuíram muito para me tornar uma pessoa melhor.

Link do vídeo:

Camilla Moreira Alves

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Estudante de Cinema e Audiovisual – PUC Minas, estagiária do ANIMA – PUC Minas, fotógrafa, 25 anos. Nascida em Carmo da Mata, interior de Minas Gerais.

Contato: camilla.moreria@yahoo.com.br

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