Maputo (RV) – A Conferência Episcopal Moçambicana manifesta sua preocupação pela deterioração contínua da situação política e militar do país e convida o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) a abandonar as armas.

Em seu apelo, enviado à Agência Fides, os bispos pedem a “rendição incondicional das armas e a retomada do diálogo entre as partes em conflito”, com o envolvimento da sociedade civil. A declaração foi escrita depois dos combates recentes entre as Forças Armadas de Moçambique e a guerrilha do maior partido de oposição.

Os bispos moçambicanos deploram “a incoerência entre o que se diz e o que se faz” e pedem “o respeito pelas diferenças” e gestos para promover a paz e a reconciliação. Segundo a Conferência Episcopal Moçambicana, é preciso ouvir as famílias das vítimas, os deslocados e todos os afetados pela crise.

A Renamo negou reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de outubro de 2014 e exige o direito de governar em seis províncias, nas quais reivindica a sua vitória, e também ameaçou tomar o poder com a força.

As últimas semanas foram marcadas por conflitos entre as partes, durante uma operação da política que levou ao sequestro de armas da Renamo em Morrumbala. (MJ)

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Fonte:

Rádio Vaticana

APELO DOS BISPOS CATÓLICOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

“Jesus disse-lhe: Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada, à espada morrerão.” (Mateus 26,52)

 

Nós, Bispos católicos de Moçambique, reunidos em Sessão Plenária da Conferência Episcopal, preocupados com a situação político-militar em contínua deterioração e escutando o clamor do povo que se traduz em muitos gritos:

  • das famílias enlutadas que choram a morte dos seus filhos caídos em combate;
  • dos deslocados internos que são obrigados a abandonar suas casas e outros bens para se refugiarem no mato;
  • dos deslocados externos que deixam o próprio país perante o risco de perder a própria vida;
  • das crianças e jovens que são obrigados a abandonar seus estudos;
  • dos agricultores que não podem produzir o sustento das próprias famílias;
  • dos empobrecidos por causa da paralisação das suas atividades comerciais;
  • dos investidores internos e externos que vêem o fracasso de seus negócios pela insegurança progressiva;
  • dos empresários de Turismo que vêem a falência de seus empreendimentos e a consequente perda de postos de trabalho;
  • da população em geral que sente os preços aumentarem e o metical a desvalorizar-se;

Diante destes e de muitos outros clamores que chegam até nós, deploramos a incoerência entre o que se diz e o que se faz, apelamos ao Governo e à Renamo para:

  • o abandono absoluto das armas;
  • a retomada imediata do diálogo eficaz entre as partes em conflito envolvendo outras forças vivas da sociedade.

Apelamos também a todos os cidadãos, a todas as instituições da sociedade e aos cristãos em particular, para que nos empenhemos na construção da paz através de gestos de reconciliação, de convivência civil e democrática, de respeito pelas diferenças e de corresponsabilidade no desenvolvimento do país.

Confiando na força da oração, convidamos a todos os cristãos e a todas as pessoas de fé para se unirem a nós na Jornada de Oração pela Paz em Moçambique no domingo, dia 22/11/2015, Festa de Cristo Rei do Universo e Príncipe da Paz, em todas as Paróquias e comunidades do país.

Conferência Episcopal de Moçambique

Matola, 07 de Novembro de 2015

Assinam a Carta de Apelo:

  1. Dom Francisco Chimoio
  2. Dom Hilário da Cruz Massinga
  3. Dom João Carlos Nunes Hatoa
  4. Dom Cláudio Dalla Zuanna
  5. Dom Lúcio Andrice Muandula
  6. Dom Francisco Lerma Martínez
  7. Dom Tomé Makweliha
  8. Dom Germano Grachane
  9. Dom Francisco Sílota
  10. Dom Adriano Langa
  11. Dom Inácio Saure
  12. Dom Luiz Fernando Lisboa
  13. Dom Atanásio Amisse Canira
  14. Dom Ernesto Maguengue
  15. Dom Alberto Vera Aréjula
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O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e bispo da diocese de Xai-Xai, Dom Lúcio Andrice Muandula esteve em Belo Horizonte no ano passado para tratar de uma parceria com a Arquidiocese de Belo Horizonte.

 

 

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