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Criada há imagem e semelhança de Deus, em igual dignidade que o homem, por razões biológicas que originaram uma diferença e discriminação social, cultural e de direitos nas mais diversas sociedades, a mulher tem sido tratada, por milênios, como um ser inferior ao homem, ao qual deve obedecer e a ele estar subordinada. Isso a tal ponto que muitos se julgam donos do corpo e até da vida de suas companheiras, ou de qualquer outra mulher que cruzar o seu caminho.

Jesus de Nazaré viveu em uma sociedade extremamente excludente; também em relação às mulheres. No entanto, seu posicionamento em relação a elas não deixa dúvidas acerca da igual dignidade que lhes conferia a par dos homens que o seguiam pelo caminho. Deu-lhes inclusive a primazia do anúncio da ressurreição, aparecendo a elas antes mesmo que a Pedro e aos demais apóstolos.

Mas o que vemos, mesmo no mundo “cristão”? Dia-a-dia nos deparamos com estatísticas e notícias trágicas sobre o posicionamento machista que acoberta atitudes desumanas contra mulheres. Hoje, 25 de novembro, é o Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Lendo o texto abaixo, da professora aposentada da UNESP, Iolanda Toshie Ide, você entenderá o porquê. O texto foi extraído de: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549319-no-tempo-das-borboletas, onde se poderá encontrar outros links para o assunto.

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 “Por ocasião do Fórum Social das Américas na Guatemala, a Tenda das Mulheres foi decorada com centenas de borboletas. Juana me informou que se tratava de uma homenagem às Mariposas.

As irmãs Minerva, Pátria e Maria Teresa Mirabal, da República Dominicana, conhecidas como Las Mariposas, protestaram contra a ditadura do general Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961). Num baile, Minerva não cedeu ao insistente assédio do ditador respondendo com um tapa no rosto dele; a família se retirou do recinto. O pai é preso, torturado e falece após a saída do cárcere. Minerva muda-se para a capital e entra na faculdade de Direito, apesar da proibição às mulheres.

Todas organizaram a resistência contra a ditadura e pagaram caro: várias vezes presas e torturadas, os maridos foram presos e, elas, brutalmente apunhaladas e estranguladas num canavial, no dia 25 de novembro de 1960. Forte foi a reação do povo dominicano, levando ao fim da ditadura no ano seguinte, com o assassinato de Trujillo.

Em homenagem a Las Mariposas, em 1981, no 1º Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho, em Bogotá, o 25 de novembro foi aprovado como Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou-o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

No tempo das borboletas, escrito por Julia Álvarez foi retratado recentemente pela película de mesmo nome.

Segundo o “Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil”, o Brasil ocupa o quinto lugar na classificação de 84 países no quesito violência contra mulheres. Trata-se de uma piora: na pesquisa de 2013, era o sétimo. Morrem mais mulheres assassinadas no Brasil do que na Síria que, há anos, enfrenta uma guerra civil. Basta comparar os dados sobre assassinatos de mulheres: Brasil 4,8 em cada 100.000 mulheres; Síria 0,4. Nesse quesito, o pior estado é o Espírito Santo com o índice de 8,6/100.000 mulheres. Paraíba exibe o menor: 1,9.

Pesquisa da Flacso revela que, entre 2003 e 2013, aumentou o número de feminicídios em 21%. Quando se trata das mulheres negras, houve um aumento de 54,2% , passando de 1.864 assassinatos em 2003 para 2.875 em 2013.

É importante atentar para um aspecto perverso: 50,3% foram cometidos por familiares; 33,2% por parceiros ou ex-parceiros.

Uma vida sem violência é direitos de todas nós! Que as Mariposas não tenham morrido em vão!”

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