A fé cristã possui uma dimensão política que lhe é constitutiva. Dizendo de forma concreta, não se pode ser cristão à margem das questões sociopolíticas que emergem do lugar onde o cristão está inserido. Um divórcio entre fé e política provocaria graves consequências para a concretização da vida cristã. Como esta dimensão vem sendo vivida  pelos cristãos na Arquidiocese de Belo Horizonte?

O Observatório da Evangelização publica, a segunda postagem da importante pesquisa, sobre os grupos de fé e política da Arquidiocese de Belo Horizonte, desenvolvida pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos do ANIMA PUC Minas  – NESP:

Fé e política

Quando fé e política se encontram: apontamentos de pesquisa

Adriana Maria Brandão Penzim

Bruno Márcio de Castro Reis

Karina Pereira dos Santos

Robson Sávio Reis Souza

2ª PARTE

Sobre os grupos de Fé e Política

O surgimento de grupos de fé e política, no Brasil e na América Latina, deu-se notadamente a partir de meados da década de 1980. Não obstante, encorajados pelo Concílio Vaticano II, nas décadas de 1960 e 1970 já se observava a existência de cristãos engajados nas lutas e movimentos populares, pautados no entendimento de que a busca pela transformação social e o combate às desigualdades e às opressões conduzem à construção do Reino de Deus na Terra.

Como se sabe, o debate sobre a promoção da justiça e da paz como missão da Igreja teve início ainda no pontificado de Leão XIII, com a publicação em 1891 da encíclica Rerum Novarum. Desde então, inúmeras foram as encíclicas, documentos e mensagens papais que abordaram os problemas sociais do mundo moderno. Todavia, no turbilhão dos anos sessenta, foi o Concílio Vaticano II o grande desencadeador das ações sociais da Igreja Católica no mundo contemporâneo e a partir daí se implantou de forma irreversível a Doutrina Social da Igreja, a qual se apoia em três princípios centrais: 1) a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana; 2) a opção preferencial pelos pobres; e 3) a solidariedade. Em 1961, a encíclica Mater et Magistra, entre outros aspectos de igual relevância, sublinha a crescente distância entre as nações ricas e pobres e convoca os cristãos a trabalharem por um mundo mais justo. Essa consigna é confirmada em 1963 com a encíclica Pacem in Terris que define os direitos humanos como fundamentos da paz e afirma a necessidade de integração entre fé e ação; ou seja, entre as dimensões da fé e da vida. A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, de 1965, aponta e lastima a pobreza mundial e constitui o “Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz”, com o objetivo de auxiliar a Igreja a dar respostas aos desafios do mundo contemporâneo. A carta apostólica Octogesima Adveniens, de 1971, comemorativa dos 80 anos da Rerum Novarum, sublinha o compromisso sociopolítico dos cristãos, ao afirmar ser a política forma sublime de exercício da caridade e caminho privilegiado para o serviço da justiça.[1]

Em toda a América Latina, tais ideias se expandem com as conferências episcopais de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e, mais recentemente, Aparecida (2007).

O processo histórico de surgimento dos grupos de fé e política associa-se também ao advento da Teologia da Libertação, a qual impôs uma diferença importante em relação à ação da igreja com os pobres: de uma ação caritativa, de compaixão, que toma os pobres como objeto de ajuda, passa-se a uma compreensão do pobre como protagonista de sua história e o próprio autor de sua libertação. (Löwy, 2008).

Ainda que em sua singularidade apresentem percursos históricos diferentes, segundo os depoimentos que ouvimos em Belo Horizonte e circunvizinhanças, os grupos e movimentos de fé e política surgiram principalmente ao longo da década de 1980, fortalecendo-se por ocasião do debate da Constituição Federal — contemporâneo ao movimento similar de dimensão nacional —, visando à transformação da sociedade pela via da ação política. Acerca do local de seu nascedouro, há entendimentos variados. O que parece mais provável é que tanto em Belo Horizonte quanto em outras dioceses, vários grupos tenham surgido simultaneamente. Por certo, o momento de intensas movimentações políticas na história do País favoreceu o surgimento de tais grupos acompanhando outros acontecimentos no cenário social e político. [2]

Na voz de uma das pessoas entrevistadas,

no início, não existia nenhum grupo de fé e política na Arquidiocese de Belo Horizonte. Em 1988, eu fui convidada pelo padre […], lá da minha região, para participar de um grupo que estava discutindo sugestões para a Constituinte em 88. E eu fui. Humildemente, sentei lá e comecei a aprender as coisas; ainda não sei nada, mas comecei a aprender com o pessoal. Discutimos vários temas que seriam enviados para sugestão na Constituinte. Me parece que nesse momento muitos brasileiros estavam fazendo a mesma coisa.[3]

De fato, no início da década de 1980, ainda não havia na Arquidiocese de Belo Horizonte coletivos propriamente nomeados de fé e política; entretanto, os participantes indicam já haver experiências históricas que contribuíram para o seu surgimento, gerando condições de possibilidade para a formação do que são hoje. Destaca-se aí a Ação Católica, que abrangia setores importantes da juventude cristã. Tal como recorda um presbítero ouvido:

A JUC era ação católica que tinha uma intervenção na sociedade; é essa intervenção na sociedade que chamamos hoje de fé e política. […] fiquei dando aula na PUC, então eu fui percebendo, porque aqui, na PUC, a gente dando aula, a gente sabia, todos os alunos sabiam, tinha gente da polícia, do exército gravando em todas as salas, acompanhando tudo o que a gente fazia, denunciando professor, aluno […]. Isso foi me aguçando essa dimensão. […] também aconteceu o mesmo na paróquia. Os militares entravam e ficavam gravando a homilia, tudo o que a gente fazia. […]. E aí a partir de 73, quando eu fui ordenado presbítero, foi que eu entrei na atividade política nesse sentido, de denúncia da ditadura. […] Eu comecei a participar de um grupo […] em Petrópolis, […] e, ao mesmo tempo, os grandes debates da Teologia da Libertação. […]; durante a ditadura também, nos anos 74 e 75, […], nós criamos um grupo ecumênico, éramos uns quinze padres diocesanos, mais religiosos, alguns pastores protestantes, entre luteranos, presbiterianos e metodistas, nós fizemos um grupo de padres e pastores pelos direitos humanos. […] Nós fazíamos debates; duas vezes tivemos bombas jogadas em cima de nós […]. Foi um momento muito bonito, de muito compromisso ecumênico e com a fé. Esse grupo, inclusive, fez com que D. João criasse na Arquidiocese a Pastoral de Direitos Humanos.

Posteriormente, a Ação Social Arquidiocesana (ASA), a Pastoral de Direitos Humanos e o Projeto Construir a Esperança também colaboraram para o surgimento dos grupos de fé e política na Arquidiocese. Evidencia-se nos depoimentos a contribuição da ASA na abordagem de questões sociais na década de 1980, no trabalho de formação de grupos para atuarem no campo político e social, ao promover cursos, palestras e debates, em especial nos períodos eleitorais.

Nós procuramos as paróquias para saber o que existia de social, perguntando o que queriam da ASA e começamos a fazer um curso, […] um curso de agente de ação social. […] E, com isso, a gente tinha muito relacionamento com os padres, sobretudo com os jesuítas. […] Já tinha acontecido Medelín e Puebla […]. E as encíclicas sociais a gente refletia, estudava, debatia e convidava entendedores do assunto […]. O Padre Henrique Vaz falou também para nós […] Havia na Arquidiocese o Projeto Construir a Esperança […] e a gente muito junto com o Projeto, […] fazia essas palestras lá. As palestras então […] falavam do dia a dia: quando era época de política, nós convidamos políticos, candidatos para falar sobre seus projetos […]. 

A ASA, organismo da Arquidiocese de Belo Horizonte composto majoritariamente por leigos, teve participação ativa com trabalhos em períodos eleitorais, disseminando ideias sobre a importância do voto e de se conhecerem as propostas dos candidatos. Cientes de que a política se exerce para além das eleições, os membros da ASA formaram um grupo de acompanhamento do legislativo.

Como precursores, havia também grupos que, compostos por padres e universitários, focalizavam a reflexão sobre a realidade a partir de diferentes campos de saber, articulando espiritualidade e política na leitura dos acontecimentos e proposição de intervenções em assessoria às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

O meu trabalho foi o de assessorar e não o de ter grupo, o único grupo em que estive foi o da Arquidiocese. […] na época da repressão, isso na década de 70. Era um grupo de universitários  de várias cidades. […] Nós fazíamos reflexões teóricas sobre pedagogia, sociologia. E eu fazia a parte mais espiritual […].  Foi o único grupo que eu trabalhei assim, que nasceu e até hoje se reúne de vez em quando. Hoje, já senhores e em várias cidades. Este grupo eu tive um trabalho direto, mas é um trabalho muito intelectual, um trabalho muito acadêmico, cada um da sua área trazia sua contribuição […]. Nós estivemos presentes em quase todas as CEBs, e as CEBs eram alimentadas pelos escritos do [Frei Carlos] Mesters, nos temas bíblicos e dos nossos, mais na linha fé e política.

A Campanha da Fraternidade de 1996 — cujo tema era “Fraternidade e Política”, com o lema “Justiça e Paz se abraçarão” — é frequentemente aludida como referência incentivadora, demarcando um momento de fortalecimento e ampliação de grupos e movimentos engajados nas lutas por transformações sociais no seio da Igreja na Arquidiocese de Belo Horizonte.

Acompanhando o curso do Movimento Nacional de Fé e Política[4], além dos grupos que surgiram entre as décadas de 1980 e 1990, outros se formaram no início dos anos 2000, havendo ainda aqueles que apenas no final da primeira década do segundo milênio começaram a se organizar. Tais iniciativas têm surgido tanto de leigos, geralmente já engajados em outras pastorais e ações sociais e políticas nas paróquias, quanto de sacerdotes dispostos a integrar temas políticos às ações da igreja. Contudo, assim como muitos movimentos sociais que obtiveram grande avanço nas décadas finais do século XX, os grupos de fé e política têm, desde então, caminhado em fluxos e refluxos.

Ao mesmo tempo em que novos grupos se formavam, alguns outros não prosseguiram, extinguindo-se ao longo do tempo, seja por terem concluído projetos específicos que haviam proposto realizar, seja porque não tiveram condições estruturais de permanência. Há, também, em várias paróquias, grupos cujas atividades encontram-se suspensas, embora seus membros relatem interesse em retomar as práticas grupais. Em vários grupos temporariamente inativos, alguns de seus antigos participantes permanecem desenvolvendo práticas pontuais no campo da fé e política.

Ao longo da pesquisa, realizadas 65 entrevistas individuais ou coletivas[5] e tendo sido ouvidas 106 pessoas, no âmbito da Arquidiocese de Belo Horizonte, foram localizados, em suas variadas configurações, grupos de fé e política em 54 paróquias. Ainda que, em uma busca ativa, se tenha tentado contemplar todos os municípios que integram a Arquidiocese, em vários deles não foram localizados grupos de fé e política. Não obstante, é possível que haja grupos ou práticas que não foram registradas.

A distribuição espacial dos grupos pode ser examinada nas figuras a seguir.

Mapa 1

Observa-se que os grupos se concentram em Belo Horizonte e cidades mais próximas, sendo gradativamente mais raros e mesmo inexistentes nas áreas mais distantes da sede da Arquidiocese. Nas próximas imagens são apresentados os grupos por paróquia, em cada uma das regiões episcopais.

 Mapa 2

Mapa 3

Mapa 4

Mapa 5.jpg

Não obstante diferenças e singularidades, os grupos de fé e política apontam primordialmente o objetivo de estimular a reflexão política integrada à vivência da fé. Possuem um forte caráter de educação popular e, comumente, apresentam-se como sendo de “conscientização política”.

Ainda que sejam comuns os objetivos, observa-se com frequência uma ausência de vínculos e parcerias intergrupais. Embora vários se localizem geograficamente próximos, há casos em que nem sequer se conhecem. Foram, porém, localizados alguns grupos que atuam em rede, em mútua colaboração e solidariedade, o que favorece e fortalece suas ações, conferindo-lhes maior visibilidade e efetividade.

Embora em alguns casos se constate a participação de religiosos e seminaristas, os grupos de fé e política pesquisados são formados, majoritariamente, por leigos católicos. Recorrentemente, trata-se de agentes e lideranças que participam em pastorais diversas e em outras atividades de cunho social e político. De modo geral, trazem consigo um histórico de intensa participação comunitária.

O caráter ecumênico foi afirmado por todos os coletivos mapeados, mas efetiva-se entre poucos. É reduzida a participação de membros de outras denominações religiosas. Todos também se declararam apartidários, embora dialoguem com setores da política partidária em diferentes níveis de aproximação e alguns de seus membros sejam filiados a partidos.

Constituídos equitativamente por homens e mulheres, em níveis de escolaridade que vão do fundamental ao superior e oriundos de variados setores profissionais, observa-se, todavia, que a faixa etária prevalente é superior a 40 anos. É muito rara a participação de jovens em tais grupos.

Como é característico dos movimentos sociais, em geral, os grupos não contam com formalidades próprias e estruturas organizacionais. Não têm, por exemplo, estatutos e regulamentos; e grande parte mantém alguma descontinuidade de formação e sazonalidade nas ações.

As inconstâncias que atravessam o funcionamento dos grupos de fé e política decorrem de causas específicas, relativas à disponibilidade de seus integrantes e à realidade local. Sobre a sazonalidade em sua caminhada, assinalam que em anos eleitorais a participação da comunidade se amplia. Há, nesses períodos, uma demanda de engajamento por parte da hierarquia eclesiástica, e assim conseguem mobilizar maior número de pessoas para os debates políticos e encontros de formação.

Os grupos têm, em geral, entre seis e oito participantes. Muitos se ressentem de terem o que consideram poucos integrantes e de não alcançarem o reconhecimento das ações que promovem nas comunidades em que atuam. Ressaltam que o número reduzido de membros faz com que as mesmas pessoas se vejam envolvidas em diversas atividades; são, em maioria, já engajadas em outras pastorais e bastante ativas na vida política, além das próprias atividades de trabalho e estudo. Entendem que a sobrecarga em relação à participação pastoral e política tem levado ao enfraquecimento de alguns grupos e à redução de suas ações, uma vez que faltam pessoas para assumirem as muitas tarefas.

Há grupos que relatam dificuldades financeiras para se manterem e realizarem seus trabalhos, já que todos participam de forma voluntária e habitualmente não contam com uma ajuda de custo paroquial para subsidiar suas ações.

Geralmente, os recursos vêm dos próprios integrantes e sua escassez é um dos obstáculos às ações. Alguns poucos relataram ajuda financeira de representantes políticos, de congregações religiosas ou das respectivas paróquias.

Dificuldade, a primeira coisa é tempo. Tempo é o mais complicado para gente que trabalha nas pastorais […]. Agora, dinheiro. A gente precisava de mais… de uma força, por exemplo, uma gráfica. Ah, a gente quer trabalhar no semáforo ali a respeito da gripe, catapora. Eu digito, faço tudo mais, e aí? Precisava de uma gráfica para fazer um trabalho, um folderzinho para ficar no sinal, já cansei de fazer isso de boca, vestido de palhaço no semáforo, falar sobre política na comunidade […]. É o que eu falo, o problema é tempo e dinheiro, porque boa vontade a turma toda tem!

Com certa regularidade, observa-se que pertencer ao grupo de fé e política e estar vinculado a outros grupos pastorais faz parte de uma estratégia de potencialização do trabalho e de enfrentamento das resistências presentes na comunidade e mesmo entre lideranças pouco receptivas às propostas e ações que associam as dimensões religiosa e política.

A obtenção da aceitação pela comunidade, a inserção da política no meio religioso e a difusão de uma espiritualidade que é também política são desafios comumente mencionados pelos entrevistados.

Para escapar do estigma, há grupos que não adotam a palavra “política” em seu nome, embora o sejam em seus propósitos. Alguns grupos afirmam que diante da falta de compreensão e apoio de muitos setores da comunidade paroquial no que se refere aos trabalhos que vinculem fé e política optaram ou cogitaram a possibilidade de assumir outra denominação, visando alcançar maior aceitação popular. “O meu grupo, da comunidade, chama Grupo de Reflexão […]. Porque […] se a gente falar que é fé e política, todo mundo tem medo de política”, lamenta uma das pessoas ouvidas.

Excluir o termo “política” da nomenclatura dos grupos, na perspectiva de alguns, poderia facilitar a adesão da comunidade. São recuos estratégicos em face do contexto e das forças sociopolíticas atuantes. Contudo, boa parte dos coletivos, embora reconheça as dificuldades quanto à aceitação popular, opta por não assumir outra denominação, considerando de grande importante afirmar que é no campo da política que articulam a fé, o que deve ser permanentemente reafirmado.

[…] política é compromisso, mas é mais do que isso. É política mesmo. Vamos assumir o nosso nome… o nosso grupo como grupo fé e política, não vamos embaçar não! A gente achava que embaçava. E aí a gente começou e falou assim: não, vocês tão certos, nós estamos aqui para iluminar, para dar força, para estimular. É grupo fé e política; é grupo fé e política.

Notas:

[1] Não sendo este o nosso propósito, não nos deteremos na discussão sobre os diversos documentos papais que abordam a temática da ação social da Igreja no mundo. O Compêndio da Doutrina Social da Igreja está disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html.

[2] Vale aqui destacar que no Brasil e em outros países da América Latina, a partir do final da década de1970 até final dos anos oitenta, eclodiram muitos movimentos sociais de oposição ao regime militar, articulados especialmente por movimentos de base cristãos. Os anos de 1980 são de extrema importância para a compreensão da cidadania dos pobres no Brasil; embora com grandes fragilidades, nesse período tais setores passam a ter reconhecidos seus direitos como cidadãos, tornam-se depositários de esperanças como novos atores históricos. Gohn afirma que tais movimentos contribuíram decisivamente para a conquista de muitos direitos sociais que foram inscritos na nova Constituição, mas que, em seguida, com as transformações no cenário sociopolítico, houve declínio nas manifestações, na visibilidade e na articulação dos movimentos nas cidades. Desfeita a urgência em realizar mudanças por meio da participação na sociedade e na política, passa-se a um quadro de desmobilização e descrença a partir do acirramento de crises econômicas provocadas pelas políticas neoliberais de privatização e o desencanto com os novos governos. Contudo, os movimentos sociais ressurgem ao longo da década de 1990 e nas seguintes, abordando novos temas e com novas tendências de organização e participação popular. Lutam por ética na política, pela efetivação dos direitos inscritos na Constituição e por reconhecimento e inclusão das camadas marginalizadas. (GOHN, 2011a, 2012b).

[3] Ao longo do texto, serão intercalados trechos de depoimentos de entrevistados, mantendo-se seu anonimato.

[4] No Brasil, o Movimento Nacional Fé e Política foi criado em 1989 por grupos vinculados à fé cristã e engajados nas lutas populares. Ecumênico, não confessional e não partidário, o MNFP une “fé e política na medida em que concebe a política como uma dimensão fundamental da vivência da fé e a fé como horizonte da utopia política”. (OLIVEIRA, 2009. p. 10).

[5] As entrevistas foram gravadas, com autorização dos entrevistados, e transcritas.

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