Um presbítero apaixonado que acreditava na caminhada de renovação dos presbíteros. Alguém que dedicou vários anos de sua vida ajudando aos presbíteros a se organizarem, tomarem consciência da beleza de sua vocação e missão, e assumirem a tarefa irrenunciável de repensar a própria identidade, prática e serviço ao Povo de Deus.  Pela atualidade da temática e do conteúdo deste artigo corajoso do Pe. Alberto Antoniazzi, o Observatório da Evangelização o disponibilizar aqui:

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Presbíteros: o desafio da mudança

Pe. Alberto Antoniazzi

Com o título acima, apresentei à 42ª Assembleia da CNBB uma contribuição ao estudo do tema “presbíteros”[1]. Acolhendo sugestão do 10º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), os bispos não publicaram um documento, mas uma carta[2], e oferecem o subsídio “Vida e ministério dos presbíteros”, na coleção “Estudos da CNBB” (nº 88), para que os próprios presbíteros continuem a reflexão sobre o tema. Como contribuição a esse debate, publico aqui algumas das propostas que me parecem representar anseios e caminhos dos padres no Brasil. As propostas, na intervenção na Assembleia da CNBB, estavam precedidas de uma análise dos diversos “tipos” de presbíteros que surgem das escolhas subjetivas predominantes, os quais abandonam – de fato – a imagem ideal do sacerdote tridentino, referência indiscutível do clero católico depois do Concílio de Trento até o Vaticano II. Essa análise já é conhecida pelos leitores de Vida Pastoral[3]. Vinham, em seguida, uma resenha dos anseios expressos no 10º ENP e algumas considerações sobre a escolha de um caminho exigente, mas, afinal, muito mais satisfatório, para a realização pessoal e o desempenho pastoral do ministério. A última parte da intervenção fazia, finalmente, uma “proposta para a discussão”.

Esta proposta, elaborada com a ajuda de outros, procura indicar um caminho para avançar na renovação do ministério presbiteral.

A presente proposta situa-se como um caminho realista, viável, que pode e deve ser percorrido. Descartamos, por isso, desde o início, propostas que impliquem inovações institucionais – como aquelas, por exemplo, avançadas em 1969 e retomadas frequentemente por alguns grupos – e, por outro lado, descartamos o imobilismo, a falsa convicção de que tudo vai bem, que os padres em sua maioria estão felizes e pouco ou nada resta a fazer. Pelo contrário, acreditamos que há muito a fazer e que a omissão seria um pecado grave diante de Deus e uma irresponsabilidade em face dos irmãos.

Vamos, pois, às (dez) sugestões — que nos parecem essenciais —, não para resolver de uma vez para sempre todos os problemas, mas para dar aqueles passos que hoje são uma possibilidade e um dever e nos permitirão, no futuro, ir mais longe.

  1. O que propomos é um esforço que deve ser assumido pelos próprios presbíteros em conjunto. Eles devem ser os sujeitos e os protagonistas de sua própria renovação.

Evidentemente isso não dispensa o incentivo e a participação dos bispos, como veremos, como catalisadores do processo. Aliás, estamos propondo aqui iniciativas a ser tomadas por todos os presbíteros das dioceses. Será muito válido valorizar ou revitalizar organismos e associações já existentes, especialmente os Conselhos Presbiterais[4]. Não é possível renovar o ministério presbiteral apenas por meio de esforços isolados de alguns presbíteros de boa vontade, que, porém, não poderão mobilizar os colegas.

  1. O esforço estaria voltado, em primeiro lugar, para promover e garantir a todos os presbíteros da diocese, solidariamente, condições de vida e de trabalho, as quais lhes permitam realizar sua vocação de serviço de forma humana, sem anular sua personalidade, mas dando-lhe chances de realização, mesmo por meio do sacrifício e das inevitáveis carências de cada um[5]. Com isso se daria resposta à justa exigência daquele “cuidado de si”, que se impõe hoje como exigência básica e direito de todo indivíduo.
  1. Em segundo lugar (e aqui o bispo terá um papel decisivo), é preciso reorganizar a vida do padre sobrecarregado e estressado, o qual põe em risco não apenas a saúde física, mas a própria eficácia do seu ministério. Várias medidas são possíveis e necessárias: treinar o padre a usar bem o próprio tempo e a adotar um ritmo de vida sadio (que inclui oração, estudo, trabalho pastoral e lazer, particularmente exercícios físicos); ajudar o padre a confiar nos leigos e a repartir efetivamente com eles as tarefas pastorais; treiná-lo para saber administrar o conjunto das atividades paroquiais e coordenar a participação dos muitos colaboradores, remunerados ou voluntários[6].
  1. As relações de tipo horizontal são fundamentais não somente na atuação pastoral do padre, mas para a sua própria maturidade humana e para realizar seu ministério conforme a vontade de Cristo e da Igreja. Aqui há considerações de duas ordens a fazer: 1ª) o padre precisa de amizade e de fraternidade para se realizar humanamente. A esse propósito, afirma Donald Cozzens: “O que está faltando para muitos sacerdotes, acredito, é a experiência da união, da intimidade de uma comunhão santa com alguns bons amigos. Por si só, sem uma profunda e autêntica amizade humana, a intimidade com Deus experimentada na oração, nos sacramentos e nas práticas devocionais deixa o espírito ligeiramente fora de equilíbrio”[7]; 2ª) os padres devem formar uma fraternidade, pois Jesus enviou seus apóstolos como irmãos. Devemos levar mais a sério o apelo do Vaticano II[8] à reconstituição de verdadeiros presbitérios, mesmo se, na história, a fraternidade sacerdotal se obscureceu muitas vezes e mesmo se as condições atuais de vida não facilitam a vivência fraterna dos presbíteros.

As dificuldades para realizar a fraternidade e a comunhão no presbitério fazem pensar que precisamos de uma formação para isso, de uma aprendizagem, de uma espiritualidade. Vale a pena lembrar as indicações do Papa João Paulo II, as quais se aplicam a toda a Igreja e, por isso mesmo, especialmente a seus pastores:

“Espiritualidade da comunhão significa em primeiro lugar ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há de ser percebida também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor. Espiritualidade da comunhão significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como ‘um que faz parte de mim’, para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade. Espiritualidade da comunhão é ainda a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: um ‘dom para mim’, como o é para o irmão que diretamente o recebeu. Por fim, espiritualidade da comunhão é saber ‘criar espaço’ para o irmão, levando ‘os fardos uns dos outros’ (Gl 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes. Não haja ilusões! Sem esta caminhada espiritual, de pouco servirão os instrumentos exteriores da comunhão. Revelar-se-iam mais como estruturas sem alma, máscaras de comunhão, do que como vias para a sua expressão e crescimento”[9]. “Devemos nos convencer de que o ministério ordenado tem uma radical ‘forma comunitária’ e pode ser assumido apenas como ‘obra coletiva’”[10].

No presbitério está incluído o bispo, ao menos no sentido de que ele deve ser o primeiro a assumir a atitude de irmão para com os presbíteros. Pois se pode aplicar a fortiori aos presbíteros a famosa expressão citada por Lumen Gentium 32 a respeito dos leigos: “Se me incute medo o ser para vós, consola-me o estar convosco. Para vós sou bispo, convosco sou cristão. Aquele é o nome do ofício, este o da graça; aquele o do perigo, este o da salvação”.

  1. Pensar o ministério presbiteral com base no presbitério implica certamente, hoje, repensar a relação do padre com a paróquia. Há quase uma simbiose, na maioria dos casos, entre padre e paróquia. Sem esquecer os aspectos positivos desses laços entre o padre e a paróquia, é preciso reafirmar com força que a evangelização e o testemunho de Cristo são confiados à Igreja local, ao bispo com seu presbitério e seu povo. A constituição (a partir da Idade Média e diversamente da Igreja antiga) de paróquias confiadas a um presbítero isolado comportou um enfraquecimento da ação pastoral, às vezes reduzida ao cumprimento de alguns ritos, tendo perdido a riqueza espiritual e pastoral que caracterizou as Igrejas das cidades do século IV e V, quando o presbitério estava reunido em torno de homens como João Crisóstomo ou Agostinho, Basílio ou Ambrósio, Atanásio, Leão ou Gregório… Infelizmente, muitas paróquias até hoje parecem ser administradas como feudos: isolam-se, de fato, da comunhão com as igrejas irmãs e instauram, em seu interior, relações mais de vassalagem do que de verdadeiro serviço ao povo de Deus.

“A vida no presbitério — afirmava o texto sobre ‘Pastoral Presbiteral’ apresentado no 9º ENP (2002)[11] — pode ajudar o presbítero a vencer os vícios de uma estrutura por demais vertical, que, às vezes, leva o presbítero a ser subserviente em relação ao bispo, autoritário com os leigos e pouco irmão com os outros presbíteros da diocese”.

Pensar o ministério presbiteral com base na Igreja local oferece também outra vantagem. No âmbito de uma Igreja local ou diocese, poderão encontrar uma cooperação fecunda os presbíteros com “vocações” (ou atitudes e opções) diferentes. Será mais fácil pensar a variedade da atuação dos presbíteros em termos de complementaridade, de valorização de dons e sensibilidades diferentes que se respeitam mutuamente e se reconhecem integrados num único corpo: o da Igreja de Cristo naquela diocese ou naquele território.

  1. A busca da comunhão e da fraternidade, por parte do presbitério com seu bispo, está em função da edificação da comunidade e de uma comunidade evangelizadora, cujo testemunho suscite a fé nos que não creem. Já Inácio de Antioquia lembrava que “é inútil fazer aparecer como bom o que vós fazeis privadamente; sejais uma coisa só: uma única oração, uma única súplica, uma única mente, uma só esperança no amor, uma só alegria puríssima: isto é Jesus Cristo e nada é melhor do que ele!”[12]. Isso supõe nos presbíteros não apenas a atitude fraterna ou a comunhão afetiva, mas uma consciência teológica, evangélica, do próprio ministério. Ela foi definida de forma densa pelo Concílio Vaticano II em Presbyterorum Ordinis 6:

“Exercendo o múnus de Cristo cabeça e Pastor, os presbíteros reúnem, em nome do bispo, a família de Deus, como fraternidade bem unida, e levam-na a Deus Pai por Cristo no Espírito. Para exercer este ministério (…) é conferido o poder espiritual, que é dado para edificação. Na edificação da Igreja, porém, os presbíteros devem conviver com todos, com grande humanidade, a exemplo do Senhor.(…) Por isso, cabe aos sacerdotes, como educadores na fé, cuidar por si ou por outros que cada fiel seja levado no Espírito Santo a cultivar a própria vocação segundo o Evangelho, à caridade sincera e operosa e à liberdade com que Cristo nos libertou. De pouco servirão as cerimônias, embora belas, bem como as associações, embora florescentes, se não se ordenam a educar os homens a conseguir a maturidade cristã. Os presbíteros ajudá-los-ão a promover esta maturidade, para que até nos acontecimentos grandes ou pequenos consigam ver o que as coisas significam, qual é a vontade de Deus. Sejam ensinados também os cristãos a não viver só para si, mas, segundo as exigências da nova lei da caridade, cada um, assim como recebeu a graça, a administre ao outro, e assim todos cumpram cristãmente os seus deveres na comunidade humana. Embora sejam devedores de todos, os presbíteros consideram como recomendados a si de modo particular os pobres e os mais fracos, com os quais o próprio Senhor se mostrou associado e cuja evangelização é apresentada como sinal da obra messiânica”[13] .

  1. As palavras do Concílio, agora citadas, dão ênfase a um aspecto do ministério presbiteral que deve ser particularmente ressaltado hoje, porque necessário e urgente, mas — por outro lado — muito descuidado. As pesquisas recentes sobre os presbíteros e a observação ao redor de nós mostram que um grande número de padres presta pouca ou nenhuma atenção nos “sinais dos tempos”, ou seja, nos acontecimentos históricos e na realidade da vida cotidiana, os quais são — para os cristãos — sinais da presença atuante de Deus na história. Entre as causas desse descuido, está a sobrecarga de trabalho pastoral, mas muitas vezes também a visão essencialista, quase atemporal, da realidade (o presbítero “fora do tempo”). É paradoxal que isso aconteça hoje, na sociedade atual, marcada pela “reflexividade”, ou seja, pela produção de sempre novos eventos, conhecimentos e informações, que induzem pessoas e instituições a repensar continuamente suas decisões e seus rumos, para levar em consideração o dinamismo da sociedade ou… ficar atrasadas e desaparecer.

Traduzido em termos positivos, isso significa a necessidade de envolver efetivamente os presbíteros num processo de “formação permanente”[14], que os mantenha sintonizados com sua época, torne-os mais atentos e capazes de ouvir e compreender os anseios do povo e de sua comunidade, torne mais agudo o espírito crítico deles e mais pertinente a formulação de suas pregações da palavra evangélica.

  1. A solidariedade entre os presbíteros exige também uma justa distribuição dos recursos materiais. Cabe ao bispo, com o presbitério, prover para que as paróquias mais pobres ou as tarefas apostólicas não remuneradas sejam sustentadas com a contribuição de todos os presbíteros, especialmente daqueles que dispõem de mais recursos. Em certos casos, não é só louvável, mas também constitui estrito dever de consciência que as dioceses mais ricas partilhem algo de seus recursos com as mais pobres.
  1. Outra exigência para a renovação do ministério é o cuidado com a formação dos futuros presbíteros. Há necessidade de investir mais na preparação dos formadores. Eles também devem ser os primeiros a educar para a comunhão fraterna, dando o exemplo do trabalho em equipe, de amizade e generosa colaboração[15]. Há ainda frequente e forte reclamação do clero sobre a insuficiente ou inadequada seleção dos candidatos ao Seminário e sobre a aceitação demasiadamente fácil de “egressos”. Entre os desafios da formação atual, merece especial cuidado e empenho a superação das lacunas da formação humano-afetiva e a formação do futuro presbítero como “homem de relações”[16].
  1. O descuido da formação humano-afetiva e a má seleção dos candidatos, além das fraquezas humanas, que às vezes se revelam somente após certo tempo ou em situação de desafio ou de crise, obrigam-nos a mencionar a possibilidade do aparecimento de casos patológicos, que podem gerar escândalos, mas sobretudo o sofrimento dos próprios presbíteros e dos fiéis. Diante disso, é importante assumir a atitude correta, que certamente não é a de esconder o problema, e sim de oferecer os meios para uma terapia e uma solidariedade fraterna, que assume a dor do outro. Esse sofrimento partilhado por todos os presbíteros — quando o irmão está ferido ou até desesperado — deve ser vivido com uma espiritualidade pascal, de quem acredita que “perdendo a vida, há de encontrá-la”. A crise pode ser vivida como uma “travessia”, como uma passagem pela experiência da derrota e do sofrimento que não impede a passagem à cura e à ressurreição[17].

Esperamos, assim, ter oferecido um subsídio para colaborar na elaboração daquela “pastoral presbiteral” que sonhamos e que foi definida como “cuidado-acompanhamento, pessoal e comunitário, integral e orgânico que uma Igreja particular oferece aos seus pastores, para que estes se sintam tratados e vivam como pessoas, conheçam Jesus Cristo, sejam como ele, vivam e ajam como ele, de modo que possam dedicar-se plenamente ao ministério de pastores que Deus e a Igreja lhes confiaram em prol da comunidade”[18].

Notas:

[1] Cf. documento da CNBB nº 75, Carta aos Presbíteros.

[2] Cf. Alberto Antoniazzi, “A OSIB e os desafios da formação presbiteral”, Vida Pastoral (nº 232, setembro-outubro de 2003, pp. 26-31).

[3] Cf. Alberto Antoniazzi, “Conselhos Presbiterais em face dos desafios atuais”, Vida Pastoral (nº 217, março-abril de 2001, pp. 22-28; e nº 218, maio-junho de 2001, pp. 23-29).

[4] Sobre a realização humana do presbítero, continuam luminosas as considerações do Pe. Edênio Valle, formuladas no Instrumento de Trabalho do 2º ENP (1987) e retomadas depois várias vezes. Cf. “Ser padre: o desafio de uma vocação que permanece”, parte 4: “Dimensões e desafios da maturidade presbiteral”. As dimensões são a identidade, a intimidade, a participação, a transcendência evangélica. Um trecho desse texto diz: “A dignidade do homem exige que ele possa ter uma dimensão que lhe é própria e exclusiva: sua intimidade, seu modo de ser original, sua radicalidade pessoal e religiosa. Sendo o papel sacerdotal, em todos os tempos e religiões, um dos papéis sociais antropologicamente mais esvaziadores do núcleo íntimo da pessoa, é mister que, no caso do padre católico, embora também ele se enquadre nesta determinação sociológica, se recuse o primado ao que despersonaliza, e se dê ênfase crescente ao que fomenta o ser assim de cada um” (cf. VV.AA., Presbíteros do Brasil construindo a história, Paulus, São Paulo, 2001, p. 94).

[5] Na pesquisa de Franco Garelli, Sfide per la Chiesa del nuovo secolo. Indagine sul clero in Italia, um dos autores — o pastoralista Luca Bressan — observou que os padres apreciam muito a companhia e a amizade dos leigos que lhes são próximos, mas não mostram (a não ser em raras exceções) nenhum empenho em aprender a animar e coordenar seus colaboradores, de modo a delegar-lhes o trabalho pastoral e “repartir o poder”. Preferem “executores” mais que verdadeiros colaboradores. “Não é importante para o sacerdote desenvolver relações de tipo horizontal; ao contrário, considera essencial dispor de qualidades e meios para desenvolver uma relação de tipo vertical, de submissão e de governo” (cf. op. cit., pp. 157-158). O risco do autoritarismo é antigo, se já o apóstolo Pedro advertia que os presbíteros devem apascentar os que lhes foram confiados, “não como dominadores, antes como modelo do rebanho” (1Pd 5,3).

[6] Cf. Donald Cozzens, A face mutante do sacerdócio. Loyola, São Paulo, 2001, p. 47. O Pe. Cozzens teve longa experiência de acompanhamento de “casos difíceis” entre os padres de sua diocese e voltou recentemente, no livro Silêncio sagrado (publicado no Brasil pelas Edições Loyola), a criticar as tentativas de esconder as condutas escandalosas.

[7] Cf. especialmente PO 7, que também determina a criação dos Conselhos Presbiterais. Sobre este tema, cf. Alberto Antoniazzi, “Conselhos Presbiterais em face dos desafios atuais”, Vida Pastoral nº 217, março-abril de 2001, pp. 22-28; e nº 218, maio-junho de 2001, pp. 23-29. Sobre a história do presbitério, cf. o curso de Tullio Citrini na Pontifícia Universidade Gregoriana nos anos 2001-2003, ainda inacabado (traz ampla resenha histórica desde as origens até a Idade Média). Sobre a fraternidade presbiteral, boa apresentação do tema e ampla bibliografia in: Gianni Colzani, “La fraternità sacerdotale”, Rivista del Clero Italiano 84 (2003), pp. 493-515.

[8] Cf. Novo Millennio Ineunte, 43.

[9] Cf. João Paulo II, Pastores Dabo Vobis, 16.

[10] Em 2004 novamente publicado, em 3ª edição, pela Comissão Nacional de Presbíteros (cf. p. 8).

[11] Ad Magn. 7.

[12] Cf. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, Paulus. São Paulo, 2001, 2ª ed., p. 502ss. Sobre a espiritualidade presbiteral: ver nota 9, bem como a reflexão do Pe. Manoel Jose de Godoy, “A espiritualidade presbiteral…”, Vida Pastoral nº 237, julho-agosto de 2004, pp. 16-24.

[13] A formação permanente — recomendada vivamente, como se sabe, pelo Papa João Paulo II na Pastores Dabo Vobis, cap. VI — é “necessária para discernir e seguir o contínuo chamado da vontade de Deus” (nº 70).

[14] Preciosas indicações sobre as necessidades da formação presbiteral se encontram nos resultados da pesquisa publicada na 3ª parte do livro de André Marmilicz, em: O ambiente educativo nos seminários maiores do Brasil, Curitiba, Gráfica Editora Vicentina, 2003. A pesquisa confirma, ao mesmo tempo, a boa vontade e o despreparo de boa parte dos formadores e a fraqueza da educação humano-afetiva.

[15] Cf. o artigo já citado de Manoel José de Godoy (“A Espiritualidade presbiteral…” Vida Pastoral nº 237, julho-agosto de 2004, pp. 16-24) e mais amplamente: Severino Pagani, “Uomo tra Ia gente”, Rivista del Clero Italiano 75 (1994), pp. 419-435; pp. 499-512.

[16] Sobre este tema, remeto novamente a Luisa Saffiotti, “Padres e sexualidade — para além da crise”, Jornal de Opinião nº 772, 15 a 21 de março de 2004, pp. 4-7.

[17] Guido Villalta, ex-secretário executivo do Celam, citado em Pastoral Presbiteral (3ª ed., 2004), p. 7.

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