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Este livro organizado pelo pastor metodista Claudio de Oliveira Ribeiro será publicado pela editora Reflexão no final de março 2016. Representa a diversidade do quadro religioso evangélico brasileiro. Reúne olhares de batistas, metodistas, presbiterianos, pentecostais, luteranos, reformados e anglicanos. Homens e mulheres, jovens, pastores e pastoras que atuam na base das igrejas, pessoas que se dedicam à academia, clérigos, clérigas, leigas e leigos.

Assim, motivados por um líder católico romano, o Papa Francisco, e pela vocação maior do Evangelho traduzida nos compromissos éticos com a manutenção e promoção da vida, em todas as suas dimensões e concretude, tais líderes propõem reflexões interessantes e pertinentes.

Na primeira parte, há análises ecumênicas de Olav Fykse Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, de Magali Do Nascimento Cunha, da pastora anglicana Carmen Kawano e do bispo metodista Paulo Ayres Mattos. Na segunda parte, olhares denominacionais e que levam em conta a realidade das igrejas: Alonso S. Gonçalves (batista), Helmut Renders (metodista), David Mesquiati (pentecostal), Carlos Jeremias Klein (presbiteriano), Carlos Eduardo Calvani Ingrit Jampietri (anglicano) e Fernando Bortolleto Filho (presbiteriano). Na terceira parte, olhares globais com os textos de Edson Fernando, Marga Janete StröherRomi Márcia Bencke, Alessandro Rocha, Jorge Pinheiro e Rosi Schwantes. A quarta parte foi dedicada a jovens com os textos de Maryuri Mora Grisales, da Rede Ecumênica de Juventude, Cláudio Augusto, do CEBI de Belém-PA, André Magalhães Coelho, Thiago Rafael Englert Kelm, pentecostais, e Fabio Martelozzo Mendes, da assessoria de direitos humanos da Igreja Metodista em São Paulo. O livro está dedicado à Jether Pereira Ramalho, destacado líder ecumênico, que nos seus quase 94 anos de idade nos inspira sempre.

O Papa Francisco, ao promulgar a Encíclica Laudato Si’, recria, de forma belíssima e corajosa, o vínculo perdido da liderança católico-romana com as transformações teológicas e pastorais propostas e decorrentes do Concílio Vaticano II (1962-1965). A nova encíclica está em consonância com atitudes e palavras do pontífice desde os seus primeiros dias como papa, que sinalizam um estilo pastoral mais aberto, progressista e despojado para a igreja. Portanto, não se trata de um documento isolado, mas articulado com a referida recriação da “primavera conciliar” que encantou o mundo nos anos de 1960. Com esse elo surge um potencial criativo de novos ares para a Igreja Católica Romana.

Nossa consideração é que a força simbólica da encíclica, somada aos conteúdos sociopolíticos nela presentes, redundará em reforço das perspectivas mais abertas e críticas ao sistema econômico dos diferentes grupos da sociedade. O mesmo se dará com as demais igrejas cristãs (ou grupos e setores dentro delas) que advogam posicionamentos críticos em relação aos temas sociais e ecológicos. Ou seja, a encíclica, ao lado de posturas teológicas e pastorais mais abertas do Papa Francisco, contribuirá para que a força de grupos progressistas e ecumênicos das igrejas cristãs – evangélicas, anglicanas e orientais – aumente. Isso já tem se dado desde o início do pontificado dele e agora ganha impulso com a carta.

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