CFE 2016
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Tânia Jordão

Estamos no coração da Campanha da Fraternidade, mas o tema não poderá perder sua mordência após o domingo de Ramos. Pelo contrário, enquanto o direito não brotar como fonte e a justiça não correr livre e feliz, enquanto houver necessidade de cuidarmos (TODOS NÓS!) de nosso Planeta, tão devastado, poluído, machucado, precisaremos unir nossas vozes, nossas mãos e agir. Aliás, o ser humano é surpreendente em sua capacidade de reação em situações limiares, nas quais, quando menos se espera, gera atos heroicos, transformando a história. Mais que nunca isso se faz necessário.

Sim, sujamos nossa casa. Ela está feia e cheira mal. Era acolhedora, bonita, gostosa… Agora traz doença de toda sorte viver aqui. Envenenamos até a água que tínhamos na caixa d’água. A nossa própria água! E é a nossa casa! O Arquiteto do mundo, perfeito Artista a fez tão linda! Completa… com todo o necessário para a nossa felicidade. No entanto, é incrível o nosso poder de destruição. Por quê?

Considerando dados de 2013 a 2016, veja só algumas referências que nos são oferecidas pela Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano:

  • O Brasil é considerado campeão mundial em desperdício de água;
  • As empresas de abastecimento de água apresentam índices de perda de água tratada de até 60% (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/2013);
  • Somente 39% dos esgotos são tratados e 82% da população brasileira não têm acesso à água tratada (Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento Básico/2013);
  • Mais de 100 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto (quase metade da população brasileira!);
  • Diariamente, são despejados na natureza o equivalente a cinco mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento;
  • 10,6% dos domicílios não são contemplados pelo serviço público de coleta de resíduos sólidos (PNAD/2013);
  • O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros;
  • Entre as principais consequências por falta de saneamento e água potável estão doenças como cólera, hepatite, febre tifoide, infecções intestinais. No mundo, uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável.
  • Em 2013, ocorreram 340 mil internações por infecções gastrointestinais (DATASUS);
  • O Brasil gera aproximadamente 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos;
  • Cada pessoa gera, em média, um quilo de resíduos sólidos diariamente.

O incrível é saber que, para cada real gasto com saneamento básico são economizados quatro reais em saúde no país. Entretanto, a população mais pobre segue sem acesso à água potável e ao saneamento. Os lixões crescem assustadoramente, resíduos e rejeitos, inclusive plásticos, são lançados ao mar, com prejuízo para a imensa biodiversidade marítima e para todos nós. Barragens de mineração se rompem, mas seguem sendo construídas e alimentadas. Não há a revitalização dos mananciais, dos rios, das fontes, das nascentes… que, ao contrário, são desviados de seu curso e envenenados com tudo o que há.

Francisco, bendito profeta da vida e da misericórdia divina, já alertava na Laudato Si sobre a importância do acesso à água potável para todos, como questão de sobrevivência. Naquela encíclica o Papa recordou que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para exercício dos outros direitos humanos”; e que “a grave dívida social para com os pobres parcialmente é saudada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres”.

Vamos deixar nossa casa apodrecer com nosso descuido? Somos criados à imagem e semelhança do Autor da Vida. Certamente temos consciência de que a Vida, hoje, está em nossas mãos. Podemos muito! Só não podemos esperar mais…

Para obter mais dados acerca da CFE-2016 acesse:

http://www.conic.org.br/portal/noticias/1752-cfe-2016-alerta-para-necessidade-de-saneamento-basico-no-brasil

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