A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está novamente reunida em Assembleia. Atenta à realidade e à necessidade de se posicionar coerentemente segundo o papel que lhe compete em nossa sociedade, a Conferência olha atentamente a realidade para, depois, lançar luzes, do Evangelho e de orientações outras da própria Igreja, sobre a mesma realidade, a fim de discernir os caminhos a seguir a partir de então.

Jesus de Nazaré não se omitiu, jamais, diante das estruturas pecaminosas de seu tempo. Nossos pastores também buscam refletir e, assim, melhor poderão orientar os rumos a ser seguidos em tão árduo cenário nacional.

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Dom Mol fala, na 54ª Assembleia Geral da CNBB, sobre combate à corrupção e mudanças no cenário sociorreligioso

O reitor da PUC Minas e bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Joaquim Mol, disse, em entrevista coletiva na última quinta-feira, 7 de abril, dentro da programação da 54ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em Aparecida (SP), que a Igreja Católica no Brasil, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), repudia com veemência toda e qualquer atitude, ação e plano de corrupção no país. “Por considerar a corrupção algo que fere e desmancha o tecido social, ela é comparada a um câncer em metástase”, afirmou, acrescentando que as pessoas envolvidas devem ser julgadas, e as consideradas culpadas, punidas rigorosamente dentro da legislação vigente.

Dom Mol participa da Assembleia ao lado do grão-chanceler da PUC Minas e arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, e dos bispos auxiliares Dom João Justino e Dom Edson Oriolo. Também concedeu entrevista o arcebispo de Londrina (PR), Dom Orlando Brandes.
Os dois bispos apresentaram aos jornalistas o aprofundamento do tema central da Assembleia, Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Sal da Terra e luz do mundo, como também os resultados de reflexões sobre a conjuntura político-social e eclesial.

O posicionamento da CNBB sobre a situação do país será divulgado publicamente por meio de nota oficial. “Nós estamos vivendo um momento de crises, mas essas crises não são de agora. No momento estão abertas, mas são antigas e devem levar muito tempo para serem superadas”, afirmou Dom Mol. Ele explicou que, para elaborar esse documento, a instituição está capturando percepções das realidades social, cultural, econômica e política. “No campo da cultura estamos analisando a crise de valores; no econômico, queremos refletir sobre a hegemonia do sistema financeiro. Naquilo que se refere ao social, vamos pensar sobre a erosão dos direitos sociais já conquistados, sobretudo na Constituição de 88, e na crise política, sobre o enfraquecimento das instituições”.

O trânsito religioso é outra questão de interesse dos bispos nos estudos a serem realizados durante o evento, que prossegue até 15 de abril em Aparecida. Para ajudar na compreensão desse fenômeno, Dom Mol citou dados da pesquisa Mudanças no cenário sociorreligioso no Brasil, apresentada aos bispos pela pesquisadora Silvia Fernandes, do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigação Social.
Segundo o bispo e reitor da PUC Minas, a pesquisa não mostra mudanças significativas. Ele ressaltou que a Igreja Católica continua com 64,5,% das pessoas que professam a religião e que se dizem católicas no país. Os demais percentuais estão distribuídos em vários grupos, com destaque maior para o protestantismo pentecostal, com 18% dos entrevistados, explicou. “Nós estamos em um país, portanto, que tem um povo com grande relação com Deus e com uma crença muito bem definida”, afirmou.

Também chamou atenção de Dom Mol os 8,9 % que se declaram sem religião. “É importante destacar que, daqueles 8,9% dos que se consideram sem religião, as razões são várias, tais como: possuem religiosidade própria sem vínculo com instituição, não possuem crenças religiosas, não frequentam igrejas e, dentre esses, 0,5% diz que não acredita em Deus”.

Dom Joaquim Mol observou que, conforme aponta a pesquisa, mais de 68% dos entrevistados nunca transitaram por outras denominações religiosas e considera relevante o nível de comprometimento deles com a religião que professam: “Vinte e três por cento dos que se declararam católicos assumem ter um compromisso com a sua religião”. O cenário, contudo, é de pluralismo religioso, o que, segundo ele, torna de grande importância o cultivo da capacidade de diálogo e respeito às diferenças religiosas.

FONTE: Portal PUC Minas

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