Mais que muitos ambientalistas e ecologistas, são os povos indígenas que melhor defendem a diversidade ambiental e se preocupam em manter os cursos d’água puros, o ar limpo, a terra preservada. Um dos conceitos principais da Laudato Si é a ideia de Ecologia Integral. Hoje, 19 de abril, é hora nos perguntar incisivamente até que ponto estamos nos mobilizando para cuidar da vida da Terra e do pobre e, mais ainda, zelar pela causa do pobre que cuida da terra.

pataxo-01“Estamos aqui preparados contra o despejo. O ICMBio nos quer fora da nossa terra porque alegam que aqui é área do Parque Nacional do Descobrimento. E lá está: uma fazenda que faz fronteira de cerca com o parque fazendo queimada da mata para transformar em pasto”.

O cacique Rodrigo Pataxó, ladeado por guerreiros, pensa alto, enquanto a fumaça da queimada oculta o Monte Pascal. Os Pataxó, em silêncio, estão apoiados em algumas das 20 mil árvores que desde 2003 passaram a plantar na terra indígena, sobreposta pelo Parque Nacional do Descobrimento. Sabem cuidar do que restou de Mata Atlântica, e por ela afirmam lutar. Os Pataxó do Prado se afirmam como parte da mata e lhes conferem direitos.

Às vésperas do cumprimento de uma decisão de reintegração de posse, despachada pela Justiça Federal de Eunápolis, as aldeias Pataxó do Prado, Terra Indígena Comexatiba, cujo relatório de identificação foi publicado em julho de 2015, decidiram resistir. “Ninguém aqui quer virar mendigo nas cidades. Não temos para onde ir, porque aqui é a nossa casa”, declara Amora Pataxó.

pataxo-03Dona Amora, de 59 anos, é uma das mulheres Pataxó preparadas para a guerra iminente. “Tenho uma filha em depressão permanente. O ICMBio, os fazendeiros e os pistoleiros não nos dão sossego. Eu mesmo, depois que vim pra cá, na retomada, passei a ter pressão alta”, diz. Dona Amora possui uma vasta família. Seus filhos estão entregues à luta. Os netos, que correm em revoada pela aldeia pintados para a guerra, desejam crescer ali. Alguns costumam contar sobre a amizade que mantêm com os animais.

Candara Pataxó caminha pela aldeia com sua lança de madeira. Olhar felino, pés descalços sobre o chão batido. “Não queremos machucar ninguém. Se a polícia quer reintegrar, pois venha. Vamos nos defender sem usar do que a polícia usa, que é a matança e a violência contra o índio. Clamo para que as autoridades olhem por nós”, afirma.

Clique aqui e leia na íntegra a carta do povo Pataxó às autoridades brasileiras.  

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