Presbíteros 04

Aconteceu em Aparecida dos dias 19 a 25 de Abril, o 16º Encontro Nacional de Presbíteros com o tema: Presbíteros no Brasil: a alegria no anúncio do Evangelho, e o lema: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap21, 5). O evento é promovido pela Comissão Nacional de Presbíteros e pela Comissão para os ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB. Esteve presente no encontro Dom Jorge Patrôn Wong, secretário para os Seminários junto a Congregação para o Clero, e mais dois assessores de renome nacional e internacional, padre Frei Luiz Carlos Sussin e padre Manoel José de Godoy que ajudou os encontristas a olhar para este tempo e a missão, inseridos na realidade e desafiados pela mesma a partir de uma adequada analise, discernimento e atitude profética missionária. O Luiz Carlos Sussin, considerando a realidade hodierna, destacou o predomínio da linguagem epidídica que diferentemente da apodítica, a do certo ou errado, contribui na construção de caminhos dando origem a um novo modo de ser. Na tentativa de compreender melhor o contexto em que vivemos, Sussin abordou a mudança que vai acontecendo no campo da sociedade, e ao mesmo tempo, os vários modelos de paróquia bem como os tipos de presenças nas mesmas e comunidades de fé: os comprometidos, os praticantes tradicionais, e os cristãos eventuais. Para Sussin, é extremamente importante que o caminho evangelizador leve a pessoa a uma autonomia da fé. O Padre Manoel Jose de Godoy abordou juntamente com os encontristas, o tema da pastoral presbiteral no que toca a necessidade da formação permanente enquanto um convite a nascer de novo. Neste horizonte, segundo ele, existe o predomínio, de um lado, da cultura da indiferença, e do outro, o da alegre mediocridade. Assim ele fez algumas considerações em relação a esta questão: a necessidade de uma superação da cultura de que a formação termina com a ordenação, mas na verdade prossegue; o cultivo de uma identificação crescente com Jesus Cristo; a responsabilidade primeira do presbítero com sua própria formação permanente; a diminuição da exacerbada preocupação com o futuro buscando o exercício da sobriedade; e enfim, a compreensão da pastoral presbiteral como a pastoral do cuidado.

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O respectivo tema do encontro evocou uma multiplicidade de reflexões. O Evangelho que é a fonte da alegria deve ocupar o centro do anúncio feito pelos presbíteros. Estes, por sua vez, devem alimentar-se pela experiência da oração, da iluminação de suas vidas pela Palavra de Deus, e da mesa eucarística. O encontro nacional de Presbíteros contou com a participação de 560 presbíteros vindos de diferentes regiões do Brasil, de dioceses, arquidioceses, do norte ao sul, do leste ao oeste, do centro oeste. Foi uma oportunidade de encontro, de reflexões, de oração, de estudo, de partilha, enfim, uma experiência que ajudou e ajuda na perspectiva de uma formação permanente. Considerando a sociedade que vivemos, marcada por uma mudança de época gerando crises multiformes, inclusive na identidade e espiritualidade em muitos presbíteros, exigir-se-á um maior cuidado do presbítero consigo mesmo e com o presbitério através da tão necessária e significativa pastoral presbiteral, que por sua vez, tem como missão o cuidado da vida e do ministério do presbítero. A Pastoral Presbiteral se faz urgente e necessária, como cultura para fazer frente às tendências ao isolamento e ao individualismo. “Ela se constitui como um lugar de aprofundamento na vocação, na comunhão dos presbíteros entre si e com o Senhor” (carta do encontro nacional de presbíteros). O primeiro responsável pela formação permanente deve ser o próprio presbítero. “Se não se pratica a formação contínua, a vida será uma contínua frustração”, ressalta Amadeo Cencinni.

O encontro teve início com a celebração de abertura no Santuário Nacional de Aparecida presidida pelo Arcebispo de São Salvador (BA) e vice presidente da CNBB, Dom Murilo Kierg, que acolheu os presbíteros em nome da presidência da CNBB agradecendo suas presenças e solicitando uma assídua participação no encontro. Dirigindo a palavra aos presbíteros, dizia-lhes que muitos olhares se voltavam para eles, o dos leigos e leigas, dos bispos, o de todo o povo de Deus, esperando encontrar neles o testemunho da alegria, no desejo de viverem `a luz do Evangelho.

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O secretário da Congregação para o clero e seminários no Vaticano, o Arcebispo Emérito de Papantia, Dom Jorge Patrôn, com muito afeto, cordialidade e simpatia, que marcou significativamente os presbíteros, dirigiu palavras de estimulo exortando os presbíteros a serem causa de alegria para os outros e entre si nos presbitérios unidos aos seus bispos. Cada um de nós, ao nascer, ao existir, ao sermos ordenados, ao reler nossa história, enfim, tudo deve ser vivido como causa de alegria. Viver cada dia com alegria, ser um acontecimento de alegria na vida das pessoas. A vida é um acontecimento da graça de Deus, e isto deve ser uma fonte de alegria. O presbítero deve ser, no exercício do seu ministério, identificado e participante do sacerdócio de Cristo. Deve permanentemente conscientizar-se a respeito daquilo que ele é, e chamado a ser sempre mais, um profeta da esperança, da alegria, a ser gerador de alegria nos corações das pessoas. Ele tomou como referência de alegria e testemunho profético, São João Batista. Esta alegria não se refere a algo subjetivo, mas transcendente. Dom Patrôn aplicou a definição do profeta, como amigo do noivo à vida apostólica do presbítero: “O amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria, quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela ficou completa” (Jo 3, 29).

Para marcar o dia de espiritualidade no encontro, Dom Frei Luiz Flavio Cappio orientou os presbíteros a partir de algumas imagens: a da luz, a do profetismo e a da paternidade. Deus é luz, e o presbítero em sua vida e ministério, deve resplandecer a luz de Deus, ser presença da luz, iluminar o mundo em meio às trevas. O presbítero, diz Dom Cappio, é o profeta missionário. Ide pelo mundo inteiro e anuncie a boa notícia a todos. “Os pequenos devem ser a menina de nossos olhos, a corda fina do coração da Igreja, do presbítero”, diz Dom Cappio. A missionariedade do presbítero nasce do missionário do Pai. O profeta missionário e aquele que inserido e antenado no tempo e no espaço, edifica, exorta, consola e eleva todos para Deus. A paternidade espiritual e a alegria devem acompanhar a vida e o ministério do presbítero, devem dizer de sua identidade. Daí nasce o desafio do cuidado com a própria vocação não se entregando ao ativismo, ao isolamento, ao desanimo. O cultivo de uma intimidade com o Senhor, de uma unidade entre a vida interior e as múltiplas atividades, da capacidade de bem acolher as pessoas, enfim, tudo deve ser assumido e reconhecido como oportunidade de melhor se colocar, se identificar com aquele que revelou o coração paterno do Pai. A paternidade não se improvisa, exige-se busca, cultivo, cuidado, espiritualidade e intimidade com o Mestre e Senhor, o verdadeiro Sacerdote.

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Muitos outros bispos marcaram presença no encontro. Entre eles Dom Jaime Spengler, presidente da Comissão para os ministérios e a vida consagrada, arcebispo de Porto Alegre; Dom Juarez Sousa da Silva, bispo coadjutor do Piauí e responsável para a Comissão nacional dos Presbíteros; Dom João Francisco Salm, Dom Jose Roberto Fortes Palau; responsável pela OSIB e PV-SAV (Organismo dos seminários e institutos no Brasil; Pastoral Vocacional e Serviço de Animação Vocacional), e o Padre Deusmar Jesus da Silva, assessor da Comissão junto à CNBB. Todos contribuíram com pequenas reflexões que visavam parabenizar os presbíteros presentes bem como incentivá-los no ardor profético através do testemunho no dom da alegria. Outros bispos referenciais, cardeais e o Núncio Apostólico Dom Giovanni d`Aniello se fizeram presentes. O Núncio Apostólico concluiu o encontro presidindo a celebração da Eucaristia no Santuário Nacional de Aparecida.

Ao término do encontro, os participantes escreveram uma Carta do 16º Encontro de Presbíteros e aos seus presbitérios expondo o caminho percorrido no encontro que teve como moldura a alegria no anúncio do evangelho e o compromisso renovado a uma permanente identificação com Cristo Sacerdote. O ministério do presbítero terá sua forca e será um verdadeiro testemunho, quando quanto mais caminharmos juntos. Cada presbítero e chamado a ser profeta da alegria, da esperança, e e enviado pela forca do amor a todos levando a boa nova da vida do crucificado ressuscitado sob o manto da Mãe Aparecida.

Joel Maria dos Santos

Pela Equipe Executiva do Observatório

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