Mão com vela

 

Como parte de sua assembleia trienal que aconteceu em Roma na última semana, líderes das ordens religiosas femininas se encontraram com o Papa Francisco no Vaticano na quinta-feira, 12-05-2016.

Durante o encontro, as participantes da assembleia plenária da União Internacional das Superioras Gerais – UISG apresentaram ao pontífice quatro questões a respeito da vida delas e do papel feminino mais amplo na Igreja Católica mundial.

Em resposta a uma das perguntas, Francisco disse que criará uma comissão para analisar a possibilidade de se permitir às mulheres servirem de diaconisas na Igreja, sinalizando uma abertura histórica à possibilidade de terminar com a prática da instituição de ter um clero somente composto por homens.

Confira a seguir o texto completo das perguntas feitas pelas religiosas, originalmente redigidas em italiano e traduzidas ao inglês pelo National Catholic Reporter:

  1. Por uma melhor integração da mulher na vida da Igreja

Papa Francisco, o senhor disse que “o gênio feminino é necessário em todas as expressões da vida e da sociedade”. No entanto, as mulheres estão excluídas dos processos de tomada de decisão na Igreja, em sua maioria se dão nos altos níveis [hierárquicos], e da pregação eucarística.

Um impedimento importante à acolhida plena do “gênio feminino” por parte da Igreja é a relação que os processos de tomada de decisão e a pregação possuem com a ordenação sacerdotal. O senhor vê alguma forma de separar o papel de liderança (ou pregação eucarística) e da ordenação, de maneira tal que a Igreja possa estar mais aberta a receber o gênio da mulher no futuro próximo?

  1. O papel das religiosas consagradas na Igreja

As religiosas consagradas já trabalham e muito com os pobres e marginalizados: ensinando o catecismo, acompanhando os enfermos e moribundos, distribuindo a Comunhão e, em muitos países, conduzindo as orações comuns na ausência de padres e, nessas circunstâncias, pronunciando a homilia. Na Igreja, existe o cargo do diaconato permanente, porém ele só está aberto a homens casados e não casados.

O que impede a Igreja de incluir mulheres entre os diáconos permanentes, da forma como acontecia na Igreja primitiva? Por que não criar uma comissão oficial que possa estudar a questão?

O senhor pode nos dar um exemplo de como enxerga a possibilidade de uma melhor integração das mulheres e religiosas consagradas na vida da Igreja?

  1. O papel da União Internacional das Superioras Gerais

Que papel a União Internacional das Superioras Gerais pode ter para que possua voz no pensamento da Igreja, uma presença que seja escutada, a partir do momento em que ela traz consigo a representação de dois mil institutos religiosos? A Igreja pode permitir-se continuar falando sobre nós, ao invés de falar conosco?

  1. Os obstáculos que encontramos dentro da Igreja como religiosas consagradas
  • Santo Padre, muitos institutos estão confrontando-se com o desafio de trazer novidade à forma sua de viver e a suas estruturas, na revisão de suas constituições. Isso tem-se revelado difícil porque encontramo-nos impedidas pelo Direito Canônico. O senhor antevê alguma mudança no Direito Canônico a fim de facilitar essa novidade?
  • Hoje, os jovens têm dificuldade em pensar num compromisso permanente, seja para o matrimônio, seja para a vida religiosa. Podemos nós estar abertas a compromissos temporários?
  • Um dos obstáculos é o pedido contínuo por dinheiro a nossas igrejas locais: existem contribuições, dízimos, pagamentos pelos sacramentos. Mas nós religiosas não recebemos um ordenado pelos serviços que prestamos. Como é possível criar uma sinergia melhor entre as igrejas locais e as religiosas?
  • No desenvolvimento no nosso ministério junto aos pobres e marginalizados, nós em geral somos erroneamente consideradas ativistas sociais ou como se estivéssemos assumindo posturas políticas. Alguns chefes eclesiásticos gostariam que fôssemos mais místicas e menos apostólicas. De algumas partes da Igreja hierárquica, quais valores são dados à vida apostólica consagrada, em particular à vida apostólica consagrada feminina?

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 12-05-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa para o IHU.

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