pai-e-filho

Por Edward Guimarães

Não é tarefa simples falar sobre ou descrever a arte, a beleza e os desafios diários do ser pai… O fato de estar vivenciando esta experiência há quase dois anos motivou-me a partilhar estas reflexões quando, para além das armadilhas e seduções comerciais, nos preparamos para celebrar o tradicional “dia dos pais”.

Em nossa cultura tradicional, de matriz patriarcal, o ser mãe quase sempre ocupou a centralidade nas tarefas de cuidar, observar, dar atenção, acarinhar, promover, soerguer, educar… O pai quando ajudava em tudo isso, quase sempre assumia uma referência bem mais distante. Ele encarnava, de forma predominante, a autoridade, o limite, a fonte de sustento material. Era comum escutarmos: “eu fui criado pela minha mãe, meu pai   financiou”. Claro que essa não foi ou não é a experiência de todos. Nem queremos negar que, mesmo assim, muitos pais concretizaram importantes referências na vida de seus filhos e filhas. Mas a dupla ou a tripla jornada de trabalho da mulher comprovam a injusta desigualdade, de uma forma toda particular, no espaço familiar. Nem sempre o homem assumiu a missão de ser pai.

Ter consciência dessa realidade deixa-me triplamente triste: pelos filhos e filhas porque não tiveram a graça de um pai presente ao seu lado e nem encontraram nele uma fonte de afeto, atenção e proteção; pelas mães porque quase sempre concretizaram, de forma sobrecarregada, a complexa responsabilidade da criação e educação, sem contar com a presença e o apoio de seus companheiros na lida diária no seio familiar; e, sobretudo, pelos próprios pais porque, sem dúvida nenhuma, perderam oportunidades singulares e irrepetíveis de aperfeiçoarem-se e realizarem-se como pessoas. Infelizmente a paternidade não foi vivida por muitos como uma realidade prazeirosa, de crescimento humano, de partilha gratuita de si e de intensa felicidade com cada conquista de seus filhos e filhas.

As transformações culturais, as pertinentes reflexões de gênero e as difíceis conquistas sociais da mulher vem provocando ou oportunizando mudanças profundas no seio da família e um criativo repensar da concretização do ser pai. Sei que a família vivencia, no contexto atual, novos e grandes desafios, mas sou muito otimista no presente e esperançado para o futuro. Em minha modesta opinião de filho-esposo-pai, com tudo o que aconteceu e está acontecendo no interior da família, todos podem aproveitar positivamente a realidade cultural que estamos concretizando. Isso porque as relações familiares tem condições reais hoje, muito mais do que em outras épocas, de serem melhores. Com pais e mães presentes na vida dos filhos e filhas, assumindo amorosamente suas diferentes tarefas e dividindo mutuamente as responsabilidades, as relações familiares tendem a ser muito melhores. Atualmente há ricas oportunidades para avançarmos na superação de ausências e sobrecargas. Em minha percepção, quando os pais e as mães dialogam e se reconhecem, sendo cúmplices e afinados na educação e nas tarefas do lar, os filhos e as filhas tendem a ser mais autoconfiantes, equilibrados e felizes.

O que eu mais queria compartilhar nesta reflexão é o que estou experimentando. Ser pai é muito mais do que dividir com a mãe, no cotidiano, as tarefas e responsabilidades do lar e a dinâmica do núcleo familiar. Ser pai é o dom de experimentar a alegria de ser para o filho ou a filha, e assumir como chamado divino, uma referência, afetiva e próxima, do que é ser homem. É deixar-se mover diariamente pelo desejo de partilhar com o filho ou a filha,  e da forma mais coerente possível, tudo o que você é e aprendeu na busca do bem viver. Ser pai é mobilizar o melhor de si e, gratuitamente, com alegria, paciência e humor, entregar para o filho ou a filha. Ser pai é descobrir a leveza e a beleza de ser e viver comprometido, tendo isso no horizonte e ocupando a centralidade de nossa vida, com a construção de um mundo melhor para todos.

Além do parabéns pelo “dia dos pais” e de expressar minha gratidão a Deus por revelar-se amorosamente meu Pai, a minha prece a Ele hoje é formulada como um desejo que brota do mais profundo de meu ser:

Oh Deus de amor, Pai de todos nós, que todos os pais experimentem, com seus filhos e filhas, o que venho experimentando diariamente com a filha que Tu me deste. Uma alegria intensa, profunda e completa que brota em meu ser pelo simples fato de ser pai, o pai de Maria Fernanda, esta menininha do céu. Uma vivência da paternidade que me faz desejar, ardentemente, ser, a cada dia, uma pessoa melhor. Amém!

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Edward Guimarães é secretário executivo do Observatório, 48 anos, casado há 14 anos e celebra nesta data, pela segunda vez, o dia dos pais. Sua felicidade foi multiplicada exponencialmente com a chegada de Maria Fernanda que completa um ano e sete meses de vida no dia 17/08/2016.

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