Para registro da caminhada da Igreja local, registramos a presença e o olhar do Observatório da Evangelização nas Assembleias Regionais… 

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição – RENSC

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 8h às 17h

Local: Colégio Santa Maria – Pampulha

Observador: Edward Guimarães

Todos os participantes, eram cerca de 280 pessoas, foram recebidos em clima de cordialidade e de forma bem organizada, na quadra do Ginásio Poliesportivo Dom João Rezende Costa do Colégio Santa Maria Pampulha. Notava-se imediatamente que havia equipes de trabalho: ambientação, canto e animação, limpeza… Havia mesas na entrada, identificadas por Forania. Cada um fazia a sua inscrição (nome e paróquia), recebia o crachá, uma caneta e o caderno com o cronograma das atividades, os cantos e a síntese das assembleias forâneas da Região: Nossa Senhora das Neves; São Paulo Apóstolo; Santo Antônio de Venda Nova; Nossa Senhora da Piedade; São José Operário; Nossa Senhora de Lourdes; Santa Luzia; Nossa Senhora da Saúde; Santo Antônio da Pampulha e Nossa Senhora da Paz.

Segundo o vigário episcopal, Pe. Sebastião Diogo, todas as foranias entregaram as sínteses dos trabalhos. Para o relatório de síntese geral da Região, contou-se com a assessoria do Pe. J. Vitório, SJ, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia; Paulo Sérgio Soares, do CEGIPAR; Pe. Francisco Pimenta, do Vicariato da Ação Social e Política.

Depois do café de boas vindas, às 9:30 h começou o momento de oração (cf. caderno), conduzido pelo Pe. Leonor. Organizou-se a mesa com Dom Edson, bispo auxiliar da Região, Pe. Diogo, vigário episcopal e os três assessores citados. Dom Edson acolheu a todos e, recordando palavras do Papa Francisco sobre a Igreja em saída, disse que “precisamos de uma Igreja irresistível com comunidades irresistíveis”, que causam fascínio, que atraem. Expressou o desejo de que esta assembleia oxigene a caminhada da Igreja local. Pediu que aproveitemos, com abertura de coração, as reflexões dos assessores. Pe. Diogo lembrou que esta assembleia é o terceiro passo rumo a grande Assembleia do Povo de Deus. O primeiro foi a Assembleia paroquial e o segundo foi a Assembleia forânea. Em seguida, concedeu a palavra aos assessores, que teriam, cada um, vinte minutos para apresentar suas sínteses e considerações.

I – Espiritualidade Encarnada e de Comunhão

Coordenado pelo Pe. Jaldemir Vitório, SJ

Apresentou a síntese dos dez relatórios das Foranias. Em seguida, destacou as palavras-chave, com o ordem crescente do número de ocorrências e apelos das foranias:

  1. Círculos bíblicos (8x) – Palavra de Deus (11x)
  2. Formação (13x) – Capacitação (2x)
  3. Jovens/ Juventude (13x)
  4. Catequese/ Catequético/ Catequista (11x)
  5. Espiritualidade (4x) – Retiros (4x)
  6. Missão (4x) – Evangelho/ Evangelizar (4x)
  7. Família/ Familiar (4x)

Avaliou que as prioridades estão muito semelhantes e  de forma recorrente ao que aconteceu na 4ª APD. Fez as seguintes considerações: será que estamos marcando passo? Será que não levamos a sério as deliberações da Assembleia do Povo de Deus? Será que não estamos atentos aos sinais do tempo e do Espírito Santo?

II – Renovação da Vida Comunitária

Coordenado Paulo Sérgio Soares

Apresentou a síntese dos dez relatórios das Foranias. Em seguida, destacou as temáticas ou as palavras-chave, com o número de ocorrências e apelos mencionados pelas foranias:

  1. Preocupação com o envolvimento eclesial da juventude (8x)
  2. Participação dos leigos e leigas (8x)
  3. Rede de comunidades (8x)
  4. Acolhimento (8x)
  5. Família (8x)
  6. Igreja missionária (3x)
  7. Ecumenismo (2x)/ diálogo (1x)
  8. Conversão Pastoral da Paróquia/ Renovação paroquial (1x)
  9. Catequese em geral (3x)

Chamou a atenção e recordou que a síntese de cada Forania reflete as preocupações das paróquias. Nesse sentido, disse que merecem destaque os cinco temas com maior explicitação no conjunto: juventude, laicato, rede de comunidades, acolhida e família.

III – Inserção Social

Coordenado Pe. Francisco Pimenta

Inicia a sua reflexão dizendo que grande parte das propostas, sugestões e orientações que aparecem nos relatórios das Foranias repetem as demandas de outras APDs e o que já tem sido oferecido quanto a estas prioridades não tem sido bem aproveitado (pouquíssima participação, por exemplo, no curso Igreja e Sociedade). Apresentou, em seguida, as grandes temáticas:

  1. Fé e política (10x)
  2. Centralidade da Palavra de Deus (10x)
  3. Formação social e política/ Doutrina Social da Igreja (6x)
  4. Comunicação (5x)
  5. Pastorais sociais (4x)
  6. Obras e centros sociais (4x)
  7. Meio ambiente (3x)
  8. Políticas públicas (3x)
  9. Juventude (2x)
  10. Ação missionária (2x)

 

Aparece também o trabalho social e missão; capacitar pessoas nas Regiões e Foranias para atuarem em rede; fazer um programa comum de formação que perpasse as três dimensões; fazer uma agenda comum; promover a setorização das paróquias para melhor organizar e integrar os grupos e pastorais; evitar a pulverização de iniciativas e ações; capacitação de padres, seminaristas,  agentes de pastoral, religiosos/as, leigos/as para uma atuação mais profética de transformação social e construção de políticas públicas que visem a justiça, a paz e a garantia dos direitos fundamentais da pessoa humana. Por fim, questionou se não seria interessante mudar a nomenclatura dos grupos de fé e política para grupos de fé e cidadania.

Em seguida, o Pe. Diogo organizou e orientou os trabalhos de grupo e as mini plenárias: foram formados trinta grupos, cujo número já constava no crachá de cada participante; para cada grupo foi designado um presbítero para coordenar; escolher um relator; indicação das salas de trabalho; os grupos deveriam discutir os assuntos apresentados nas sínteses dos assessores, cujos textos constam no caderno que todos receberam e eleger três prioridades para cada dimensão da evangelização. Nas mini plenárias, após o almoço, os grupos de 1 a 10 realizariam a mini plenária com o Pe. Vitório; os grupos de 11 a 20, com o Paulo Sérgio e os grupos de 21 a 30, com o Fred (o Pe. Francisco Pimenta justificou a sua ausência na parte da tarde). Os grupos se reuniram para a discussão. Em alguns grupos houve demora para se engrenar o trabalho, pela falta de iniciativa do coordenador indicado e para se definir o relator. Mas, via de regra, a maioria dos grupos cumpriu bem sua tarefa. Embora é preciso dizer que o fato da escolha apenas de presbíteros para a coordenação dos grupos pode reforçar a mentalidade clericalista ou a consciência dos leigos e leigas como coadjuvantes nas instâncias decisivas da vida eclesial.

O almoço, previsto para ser servido às 12h30, atrasou cerca de 40 minutos para ser entregue, prejudicando o andamento dos trabalhos da tarde, uma vez que os grupos de relatores tiveram menos tempo para discutirem, nas mini plenárias, as propostas que foram escolhidas em seus respectivos grupos pela manhã. Esse pequeno atraso também aconteceu no café de boas vindas. Estas tiveram início às 14h30, com cada um dos três assessores coordenando um grupo formado pelos dez relatores dos grupos de trabalho da parte da manhã. A premência pelo tempo acabou prejudicando a apresentação mais detalhada, pelos relatores, daquilo que seu grupo havia formulado, de modo que foi necessário limitar-se às temáticas gerais. No entanto, todos os relatórios foram recolhidos para uma posterior complementação das temáticas que viessem a ser aprovadas na grande plenária final. Assim, cada bloco de dez relatores apontou três prioridades e destaques pastorais, para as três dimensões da evangelização.

Enquanto os relatores assim se reuniam, os demais participantes da assembleia tiveram um momento cultural, na quadra, com apresentação de músicas populares.

Às 15h00, teve início a plenária final, quando cada assessor apresentou as prioridades e destaques pastorais escolhidas em seu grupo. Várias temáticas receberam destaques e especificações nos trabalhos das mini plenárias. Chegou-se, assim, a um quadro de nove indicações de prioridades para cada dimensão, em que várias delas coincidiam, já apontando para um consenso. A plenária, então, deveria definir as três prioridades para cada dimensão, conforme a metodologia estabelecida para esta assembleia. Como não era possível projetar no telão todas as nove temáticas de cada dimensão, para a votação final, a assembleia aprovou que os três assessores, juntamente com Dom Edson Oriolo, o Pe. Paulo César e a secretária regional, Sr.ª Cremilda, se reunissem à parte e fizessem a síntese das prioridades, para facilitar depois a votação pela assembleia.

Em 20 minutos, essa comissão juntou o que era comum, agregou o que poderia ser associado como subtemática e excluiu o que não fora consenso. Inicialmente, cada temática recebeu uma formulação mais extensa, já em forma de proposição, num texto mais elaborado. Porém, logo viu-se que não haveria tempo para fazer isso para as três prioridades de cada dimensão. Por isso, optou-se, novamente, por apresentar apenas as temáticas mais amplas, ficando os detalhamentos, destaques e especificações para serem acrescidos posteriormente. Enquanto isso, os demais participantes cantavam animadas músicas eclesiais na quadra.

Às 16h15, foi apresentada a síntese à plenária final para a aprovação da assembleia. Após a leitura e explicação de cada proposição, exibida no telão, foi pedida a aprovação da assembleia por levantamento de braço. Esclareceu-se que cada prioridade escolhida receberia depois uma melhor redação, contemplando os complementos, as especificações e destaques que os grupos haviam colocado em seus relatórios. A equipe de assessores se comprometeu a fazer isso o mais breve possível, enviando o relatório final da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição ao Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral, para a próxima etapa da APD, em nível arquidiocesano.

As três prioridades pastorais aprovadas pela Região foram assim definidas:

A) Para a vivência da Espiritualidade Encarnada:

  1. Assegurar o primado da Palavra de Deus na vida cristã, implantando círculos bíblicos articulados em nível familiar como espaço de evangelização para missão, valorizando a leitura orante e o método do CEBI;
  2. Formação continuada para educação da fé para todos os públicos, com especial atenção para os catequistas, para o trabalho social e com juventude, com estímulo a participação e com iniciativas nas paróquias;
  3. Abrir espaço para participação, acolhida e engajamento dos jovens na vida comunitária, buscando fazer uso de sua linguagem e trabalhando uma espiritualidade eclesial de maneira que os jovens se conscientizem que são evangelizadores de outros jovens, na família e na sociedade.

B) Para a vivência da Vida Comunitária:

  1. Fortalecer as pequenas comunidades e a Igreja enquanto Rede de comunidades;
  2. Participação dos leigos e leigas nas atividades, nas decisões e nas avaliações das ações evangelizadoras;
  3. Acolhimento às famílias, considerando seus diversos modelos, bem como aos jovens e à diversidade sexual.

C) Para a vivência da Inserção Social:

  1. Criar no maior número possível de paróquias e em todas as foranias grupos de fé e política (ou fé e cidadania, fé e vida, fé e compromisso), estimulando a participação em conselhos municipais para viabilizar políticas públicas;
  2. Formação sociopolítica inspirada na Doutrina Social da Igreja;
  3. Criação dos Núcleos de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial e interparoquial – NAASP e REARTISOL.

A assembleia foi encerrada às 16h45, com o agradecimento de Dom Edson a todos e a bênção final. Na saída, cada participante recebeu um lanche.

Fotos (Pascom RENSC):

Prof. Edward Neves M. B. Guimarães

Secretário Executivo do Observatório da Evangelização

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