ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade – RENSP

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 8h às 12h30

Local: Colégio Arnaldo

Observador: Joel Maria dos Santos

 

Chegada e oração inicial:

Às 8h do dia 03 de Setembro nas dependências do Colégio Arnaldo, na região central, chegavam os participantes para a assembleia da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade, vindos de muitas paróquias e foranias que compõem a região, e que se mostravam muito dispostos. Ao chegar, eles faziam suas inscrições e recebiam as orientações para a participação na assembleia, bem como o material disponibilizado pela comissão organizadora quanto aos cantos, pequenos esclarecimentos e orações que seriam utilizadas em outros momentos.

A oração inicial ficou a cargo da forania Santa Teresa e Santa Teresinha. Estes se incumbiram da parte musical e da condução do momento orante. Logo no início da oração, fazendo parte da mesma, o Padre Marcilon (Vigário Episcopal da RENSP), fez uma breve recordação da caminhada histórica da região. Expressou a gratidão, palavra forte como reconhecimento a todos os grupos, por sermos uma Igreja que busca ser o que Deus nos pede. Há o desejo de ser uma Igreja pensando no conjunto de sua caminhada, nos seus desafios. Lembrou-se que, com a chegada de Dom João Justino (bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e bispo referencial da RENSP), muitas foram às realidades apresentadas como desafios: desigualdades sociais, bolsões de pobreza, tráfico de drogas, violência, mas também a graça da presença de colégios católicos, de religiosos e religiosas… Tudo foi motivo para agradecer a Deus pela Igreja que somos compreendendo seus desafios e riquezas. Esta é a nossa missão. O Vigário Episcopal desejou  que todos tivessem uma boa assembleia. A seguir leu-se a Palavra de Deus, Lc 10,1-9 (O envio dos 72 discípulos). Logo após, teve as preces, a oração da 5ª APD e o canto de encerramento do momento de oração.

Apresentação dos objetivos:

Dom João Justino deu as boas vindas a todos: padres, religiosos e religiosas, leigos, diáconos. Recordou o horizonte da assembleia retomando a carta pastoral do Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que indica um rumo para a nossa Igreja e, neste sentido, muito provocativa. Ele destacou desta carta, alguns pontos que ajudam a compreender este tempo:

  • Renovação a partir de novas respostas;
  • Exercício de humildade em escutar para dar novas respostas;
  • A doce e reconfortante alegria de evangelizar – exercício do discipulado missionário;
  • Escutar o pobre, o diferente e o próprio Deus rumo a novas respostas;
  • Coragem e audácia para encontrar estes caminhos;
  • Abandonarmos metodologias e dinâmicas que não respondem mais;
  • Diálogo com as realidades urbanas, com o mundo;
  • Exigência em repensar os modelos eclesiais e entrarmos em diálogo a partir da estrutura dos conselhos que temos na busca de caminhos facilitadores;
  • Opção missionária e revolucionária capaz de transformar tudo no compromisso da evangelização no mundo atual;

Eis os motivos da assembleia, disse Dom João Justino: “A assembleia é um tempo de repensar nossa direção, métodos, pertença.” Agradeceu o empenho e a presença de todos, desejando um efeito significativo desta assembleia para cada um de nós mesmos.

Na sequência, foi passado o vídeo da 5ª APD apresentado em todas as etapas anteriores.

Apresentação das prioridades e análise das mesmas.

Padre Marcelo, da congregação do Santíssimo Sacramento, Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, apresentou o trabalho de síntese das prioridades levantadas pelas foranias, possibilitando desta forma uma visão de conjunto das mesmas.

Logo após, frei Luiz Antônio OSA fez algumas observações gerais acerca das sínteses dizendo tratar-se de algumas indicações novas e outras não tão novas assim; algumas insistências em temas significativos. Assim, ele destacou nas prioridades alguns aspectos importantes a aprofundar e outros temas que não foram assumidos, por exemplo a criação de conselhos em algumas comunidades, e temas que interpenetram nas três dimensões, a saber: jovens, família, dízimo, comunicação. Frei Luiz Antônio usou a imagem das olimpíadas, sobretudo no que se refere à pira da qual sai às demais cores.

Segundo ele, o ponto central é a Palavra. Na dimensão da Espiritualidade encarnada, a centralidade da Palavra aparece na perspectiva da celebração, da formação, do vínculo entre fé e vida. Neste sentido não há novidade, mas insistência, e isto já estava presente desde a 4ª APD.

Em relação à Renovação da vida comunitária insiste-se no acolhimento. Uma Igreja acolhedora dos jovens e das famílias. Não há também aqui nenhuma novidade. A única novidade, podemos assim dizer, se refere à acolhida do grupo LGBT. Este aspecto nunca tinha aparecido nas assembleias anteriores.

No que se refere à Inserção social, percebe-se certa reserva. Fala-se de uma presença da Igreja em vários aspectos, dentre eles no social, religioso e a necessidade de crescer na parceria com o poder público. Destaca-se nesta dimensão, a necessidade de uma maior articulação entre todas as pastorais sociais no âmbito das foranias. Lendo os relatórios , percebe-se que os temas que se repetem, indicam uma relevância. Salientou-se como sugestão que para as próximas assembleias, unissem as dimensões, o que impediria a repetição de temas e prioridades elencadas.

Indicação e orientação dos trabalhos:

Terminada a breve, mas objetiva e clara análise das prioridades, Dom João Justino passou a situar o específico da região da Piedade. Nesta assembleia, indicaremos, diz Dom João, as prioridades que serão contempladas e que colaborarão com a Arquidiocese no planejamento final. Portanto, não se trata de simplesmente ler as prioridades e eleger três, mas exige-se uma reflexão e leitura crítica. Sendo assim, o que vier como fruto desse trabalho, contribuirá com a etapa final, isto é, a assembleia Arquidiocesana. Procedeu-se então às orientações do trabalho em grupo:

  • Cada grupo recebeu as sínteses das prioridades das paróquias e foranias;
  • Cada quatro grupos trabalharia uma dimensão: quatro a 1ª; quatro a 2ª e quatro a 3ª. Os grupos foram organizados segundo o nome dos Apóstolos. Estes nomes estavam escritos nos crachás e foram entregues na chegada das pessoas;
  • Cada grupo deveria escolher seu relator, que por sua vez, no horário marcado, se encontrar com aqueles que ajudariam a fazer a síntese para ajudar na hora da votação e escolha das prioridades;
  • Cada grupo deveria eleger três prioridades para cada dimensão;
  • Cada grupo, finalmente, deveria indicar o nome de um padre para compor a lista dos vigários episcopais, para que o Arcebispo faça a escolha.

Logo após estas orientações, os grupos saíram a trabalho durante 40’ nas salas predeterminadas no Colégio Arnaldo, que por sua vez contribuiu com uma boa infraestrutura. Em seguida, foi oferecido um lanche. Durante o mesmo, foi feito o trabalho de síntese com a ajuda de algumas pessoas, para melhor apresentar as prioridades e consequentemente votá-las. No retorno do lanche, Dom João Justino aproveitou o tempo para fazer alguns encaminhamentos:

  • Curso Igreja e Sociedade – ação social e política no Pontificado de Francisco;
  • Formação Política: vídeo que o NESP produziu em parceria com a CNBB. Pediu o incentivo na publicação do mesmo;
  • 15/10 Assembleia Arquidiocesana que será realizada no Colégio Pio XII;
  • Elaboração do plano pastoral da região depois da Arquidiocese.

Trabalho de síntese/apresentação:

1ª Dimensão Espiritualidade encarnada.

Todas as prioridades foram consideradas importantes, mas foram eleitas quatro:

  1. Criar um processo catequético contínuo que abrange todas as etapas da vida preparando para a missão;
  2. Trabalhar a experiência encarnada centrada em Jesus Cristo, incentivando e apoiando a juventude;
  3. Formação da família como Igreja doméstica em situações de exclusão;
  4. Valorizar o ministério da Palavra, numa Igreja toda ministerial e missionária, formando discípulos missionários. Inclusão no aspecto da experiência encarnada e a questão cristocêntrica.
  • Palavras-chave nesta dimensão foram: catequese, juventude, famílias excluídas, Palavra e ministros da Palavra.

2ª Dimensão: Vida Comunitária.

Apresentaram duas prioridades:

  1. Fomentar a acolhida em todas as dimensões e instâncias com criação de pastorais e ministérios;
  2. Fornecer conhecimento e desenvolvimento espiritual, teológico e bíblico para todos os membros das comunidades.

Observações a partir de comentários, sugestões e críticas:

  • Houve muitos questionamentos, correções, observações quanto à formulação dos termos. 
  • Foi sugerido pelo PE. Márcio Paiva que acrescentasse mais uma proposta: proporcionar a Pascom numa era de conectividade quando ainda algumas paróquias vivem isoladas entre si;
  • Desenvolver o número 2 a partir da Palavra de Deus colocando-a como ênfase a vida das comunidades;
  • A 1ª questão foi confiada à coordenação para melhor formulação;
  • Nomear na primeira prioridade, os nomes das minorias.

 

3ª Dimensão: Inserção Social.

  1. Trabalhar a acolhida social de todas as pessoas através da criação do NAASP nas paróquias e foranias, visando o fortalecimento do Vicariato para a ação social e política como canal eficiente de comunicação a serviço da comunidade;
  2. Trabalhar a cultura do acompanhamento das questões sociais em relação as política públicas formando lideranças cristãs e comunitárias para ao diálogo com a sociedade em vista do bem comum;
  3. Proposta de um novo modelo para as diretrizes da ação evangelizadora na Arquidiocese de Belo Horizonte que passaria a contemplar uma nova estrutura unindo as três dimensões tendo como foco a centralidade da Palavra, uma Igreja acolhedora, misericordiosa e a serviço da Palavra.

Observações e sugestões relacionadas a esta dimensão:

  • A assembleia propôs rever o texto da primeira prioridade, dizendo que não se trata de um fortalecimento do Vicariato como está na narrativa, mas do próprio trabalho nas paróquias;
  • Acrescentar na prioridade de número 2: incentivar a formação de católicos para entrarem e fazerem política;
  • Sugeriu-se suprimir a terceira prioridade alegando que ficou como uma sugestão para a próxima assembleia do povo de Deus.

Dom João finalizando a assembleia, disse que a comissão da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade vai debruçar-se sobre o trabalho dos grupos, os comentários, observações e críticas para apresentar ao Vicariato para a ação pastoral a contribuição advinda da assembleia regional.

Foram apresentados ainda os nomes indicados para o exercício do ministério de vigários episcopais. Foram eles segundo o nome dos grupos de trabalho (apóstolos):

  • São Matias (PE. Marcelo Silva);
  • São Bartolomeu (PE. Kenedy);
  • São Judas Tadeu (PE. Márcio Paiva);
  • São Tiago Maior (PE. Marcelo Silva);
  • São Simão (PE. Marcelo Silva);
  • São Simão Pedro (PE. Wellington Santos);
  • São Mateus (PE. Wellington Cardoso Brandão);
  • São João (PE. Márcio Paiva);
  • Santo André (PE. Marcelo Silva);
  • São Tiago Menor (PE. Frei Luiz Antônio);
  • São Tomé (PE. Frei Luiz Antônio);
  • São Felipe (PE. Frei Luiz Antônio).

Terminada a assembleia, Dom João Justino agradeceu a presença e participação de todos rezando a oração final. Logo após, foi servido um almoço a todos os participantes da assembleia.

Percepção do observador:

A presença e participação na assembleia foram muito positivas. Estavam presentes 220 pessoas que receberam seus crachás ao chegarem ao local da assembleia. No crachá de cada um, estava escrito o nome de um dos apóstolos que posteriormente serviu para a orientação da constituição dos grupos. As tarefas foram distribuídas contando com a animação das várias foranias.

Notou-se uma presença pequena de jovens, sendo estes os que se incumbiram de facilitar algumas situações ao longo da assembleia. Algumas pessoas que assumiram serviços, como apresentadores das prioridades, tinham certa dificuldade em executá-las, o que, a meu ver, pode ter “comprometido” a clareza das ideias.

A assembleia teve uma boa participação com momentos de correções, observações, críticas em relação aos termos utilizados nas prioridades, falta de clareza, e até mesmo, acréscimos necessários. Tanto os padres, com uma presença significativa, como as religiosas/religiosos e os leigos e leigas presentes deram suas opiniões avaliando o resultado final das sínteses apresentadas.

Senti que as pessoas queriam falar mais, mas o limite do tempo não proporcionou. Havia sempre, por parte do Dom João Justino, a atenção em condensar sintetizando as observações feitas pelos participantes devido, creio eu, o “estouro” do tempo.

Penso ainda que, embora considero muito boa a participação e realização da assembleia, ainda somos “amadores”. Talvez se houvesse uma condução mais técnica acerca do como aperfeiçoar e dinamizar pedagogicamente a condução da assembleia poderia ter ainda mais um resultado qualificado.

Os grupos de trabalho, por sua vez eram muito grandes, prejudicando de fato a participação e interação de todos nos mesmos. Isto, a meu ver, contribuiu para as dificuldades de redação por parte de alguns grupos prevalecendo, quase sempre, os excessos de expressões que por sua vez, não diziam quase nada.

Em síntese, a assembleia foi dinâmica, participativa considerando os presentes bem como os que conduziram os processos, embora não fosse precisamente pelos leigos, salvaguardando certamente várias razões.

Fotos:

Joel Maria dos Santos

Membro da Equipe executiva do Observatório da Evangelização

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