ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida – RENSA

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 8h às 12h30

Local: PUC Minas – Unidade Contagem

Observador: Ricardo Diniz de Oliveira

 

Momentos singulares vive a nossa igreja arquidiocesana de Belo Horizonte, através das Assembleias do Povo de Deus, que são momentos ricos de crescimento e avaliação. Participei ativamente das duas últimas assembleias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida e percebo um crescimento da voz dos leigos e leigas nas instâncias de conselhos e assembleias. Na APD deste ano não foi diferente. Os diálogos foram profícuos e respeitosos, considerando-se também que a maioria dos participantes é formada por leigos e leigas.

Houve esmero por parte das foranias nos trabalhos de colher as sugestões, mesmo com dificuldade de algumas que não se encontram organizadas. Junto a isso se tornou visível a diversidade de representatividade e de desafios da RENSA: extensa área rural, de periferia, com muitas vilas e favelas, presídios, grande população operária, jovem e desempregada… Tudo isso confluiu para a assembleia que, divida em grupos, buscou discernir as urgências e prioridades para as ações evangelizadoras do próximo triênio. O tempo de 45 minutos de início pareceu suficiente, mas com o calor das discussões verificou-se que precisava mais.

Ao fim das discussões iniciou-se um processo de síntese, onde se apresentaria o que mais ressoou e o que deveria ser votado pela assembleia. Interessante uma fala que destacou o fato de que se deixa o tópico da inserção social sempre por último. Principiar as reflexões e trabalhos pastorais pelo social significaria não colocá-la como um anexo, que está ali, mas que não se precisa demasiada atenção. É importante não criar hierarquia nas prioridades que a APD venha a concluir.

Assim, as sugestões da RENSA para o engajamento sócio-transformador focam na pastoral carcerária, da sobriedade e saúde; destaque para que a Igreja busque formas de inclusão das pessoas com deficiências na comunidade; atenção deva ser dada às vilas e favelas e à grande realidade rural da região; pertinente ainda é abrir a comunidade para que seja um lugar de convivência e aprendizado, principalmente com os jovens. A proposta pede projetos sociais de arte, esporte e cursos para geração de renda e inserção social. A Igreja em saída também é uma Igreja do cuidado e da acolhida. E os grupos de fé e política precisam ser criados e apoiados para uma participação mais efetiva na sociedade.

O que se pode questionar sobre as conclusões é a inclusão da pastoral da comunicação neste tópico, haja vista que ela é vista como uma fomentadora da vida comunitária e da ampliação das redes de comunidade. Outro ponto que podemos criticar é sobre o cuidado com a casa comum e a sustentabilidade ambiental, além do diálogo com as outras confissões cristãs e religiosas que ficaram fora das conclusões. Estes assuntos até apareceram em um grupo ou outro, mas não ressoaram o suficiente para serem contemplados. Talvez isso sirva de análise da acolhida da encíclica Laudato Si`, que merece mais zelo em nossas catequeses, reflexões e prioridades pastorais.

Continuamos as conclusões da assembleia na busca de renovação da vida comunitária e o grande grito é sobre a família, tanto na pastoral familiar, como na acolhida amorosa das famílias que estão irregulares sacramentalmente, por exemplo, casais de segunda união, amasiados etc. Forte também é a urgência de acolher na comunidade e atentar pastoralmente às pessoas com diversidade de orientação sexual. Os jovens receberam também especial atenção, numa busca de afastar o paternalismo, de fazer algo para eles, mas, sobretudo, de se fazer algo com eles, levando-os a se inserirem inclusive nas instâncias de decisão da Igreja. Por fim, os grupos foram quase uníssonos sobre precisarmos criar uma cultura da acolhida, não só numa pastoral exclusiva, mas que criemos dinâmicas de acolhida e uma formação geral sobre isso.

Como último tópico, a espiritualidade encarnada urge por formação mais orgânica e processual dos leigos, principalmente na linha catequético-teológica, com especial atenção nos círculos bíblicos. Isso para que a Bíblia seja lida e aprofundada em pequenas comunidades. Interessante concatenar com a pesquisa que antecedeu a APD. Os leigos estão lendo mais a Bíblia, mas não percebem que a comunidade segue ou encarna plenamente a espiritualidade bíblica. Assim sendo, nossas formações precisam deixar de serem esquizofrênicas, compartimentadas e sem uma linha processual. É preciso cuidar do amadurecimento da fé das pessoas e que a leitura bíblica seja iluminada por esta formação.

Começamos esta reflexão afirmando a boa participação dos leigos nas comunidades e nas lideranças. Ainda assim a assembleia pede reforço na valorização dos ministérios não-ordenados. De início apareceu alguns ministérios específicos, como exéquias, da Palavra e da distribuição eucarística. Mas em plenário foi discernido que todos os ministérios são importantes e precisam de melhor definição e apoio da Igreja. Soma-se a isso o intercâmbio entre paróquias/comunidades como fomento de uma igreja em rede.

Uma proposta específica apareceu destoante: reforçar as celebrações de padroeiros e o conhecimento de sua vida. Foi algo que apareceu em um grupo e passou para o plenário, não sem muito questionamento. Uma forte tendência de incentivar as piedades devocionais vem como uma resposta, um refúgio do momento de afastamento de tantos cristãos e de tanta relativização cultural. Mas talvez o remédio não esteja aí! O melhor que temos é Jesus Cristo! Ele é a boa notícia! Deus conosco. Não podemos dispensar as mediações humanas e limitadas dos santos, mas transformar as novenas em fortes catequeses querigmáticas responderia melhor aos sinais de nossos tempos.

Numa análise geral deste caminho feito podemos dizer que temos dificuldade crítica em nossas lideranças, tanto no âmbito formativo, como participativo. Isso ficou nítido em algumas colocações, assim como se verificou na análise da pesquisa on line da APD. O discernimento torna-se mais difícil com essa realidade. As lideranças precisam ser mais bem cuidadas e formadas. Conseguinte a esta realidade, há uma tensão entre uma igreja em saída e a manutenção de pastorais, ou melhor, uma pastoral de manutenção. Oscila um olhar para dentro, manter um jeito de fazer e ser igreja, todavia, há luzes para a acolhida, para o cuidado com as periferias existenciais, sociais e a abertura da comunidade.

Por fim, a APD é momento essencial para nossa caminhada, mas alguns passos pedagógicos precisam ser dados. O projeto da última APD, que seria contemplado no terceiro ano, ou seja, neste ano, foi praticamente abandonado. É preciso fechar um ciclo antes de abrir outro. Em outras palavras, dar passos conforme nossa capacidade caminhar. Há ainda um descrédito impregnado em algumas lideranças, que não veem uma dinamização posterior para sair do papel. Participam do processo da APD, têm até oportunidade de contribuir com colocações, sugestões e críticas, mas não acreditam ou se empenham em implantá-lo. Um traço motivacional e relacional precisa ser lapidado, senão serão pérolas jogadas aos porcos.

Veja matérias publicadas no Blog da RENSA:

http://rensabh.blogspot.com.br/2016/09/assembleia-regional-da-5-apd.html

http://rensabh.blogspot.com.br/2016/09/assembleia-regional-da-5-apd-inclui.html

Vídeo:

Fotos:

Ricardo Diniz de Oliveira

Colaborador jovem do Observatório da Evangelização

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