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“Como aceitar o convite de Jesus para sermos misericordiosos como o Pai? Depois de séculos de cristianismo, hoje é necessário resgatar a misericórdia como ‘princípio de ação prática’, libertando-a de uma concepção sentimental e moralista”

Conferência de José Antonio Pagola

Este percurso é simples: começo mostrando que Jesus percebe e vive a realidade de Deus como mistério insondável de misericórdia. Em seguida, apresento a forma como a misericórdia se encarnada na vida de Jesus, orientada radicalmente para os mais necessitados de compaixão, dedicando-se, de modo especial, àqueles que sofrem e à escandalosa recepção dos “pecadores” mais desprezados. Em terceiro lugar, o grande legado de Jesus: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. Ao final, aprofundaremos a dinâmica da misericórdia e darei, a guisa de conclusão, algumas sugestões para caminharmos em vista de uma Igreja samaritana, promotora de uma cultura incentivadora da misericórdia.

1. Deus, mistério insondável de Amor misericordioso
A concordância é hoje praticamente unânime. Jesus de Nazaré, homem que viveu e comunicou uma sã experiência de Deus, sem desfigurá-lo por meio de medos, ambições e fantasmas que, de diferentes religiões, os fiéis normalmente projetam sobre a divindade.
A primeira coisa que devemos saber é que Jesus vive e capta a realidade de Deus, como o mistério insondável de misericórdia. O que define Deus não é o poder, a força ou a destreza, como ocorria com os deuses pagãos do Império. Por outro lado, Jesus nunca fala de um Deus indiferente ou distante, esquecido das criaturas. Ainda menos de um Deus interessado na própria honra, nos seus interesses, seu templo, seu sábado … No centro da experiência de Deus apresentado por Jesus, não está um “legislador”, governando o mundo por meio de leis, nem um “carrasco”, irritado ou com raiva diante dos pecados dos homens.
Para Jesus, Deus é “misericordioso” e “compassivo”. Quando Jesus falava de Deus em sua língua materna, ele o chamava rahum (literalmente, “útero”). Isto é, Deus tem rahamin (útero da mulher). Especialistas dizem que, provavelmente, na origem da língua que Jesus usa, está subjacente a imagem de Deus que é “Pai amado” (Abba), que tem entranhas de mãe: Deus sente, em relação a nós, o que uma mãe sente em relação a um filho que carregou no ventre. Esta é a imagem preferida de Jesus. Deus nos carrega em suas entranhas [1].
E esta é a Boa Nova anunciada por Jesus. O mistério último da realidade que os crentes chamam de “Deus”, é um mistério de infinita misericórdia, de bondade sem limites, de oferta continua de perdão. Em Deus, a misericórdia não é uma atividade entre outras, mas o ser inteiro de Deus consiste em ser misericordioso para com suas criaturas. É preciso rever uma teologia metafísica que tende a fazer de Deus um ser “onipotente” e arbitrário. Deus só pode fazer o que pode fazer seu amor misericordioso, não pode vingar-se, não pode guardar rancor, não pode retribuir o mal com o mal. Misericórdia é o ser de Deus, sua reação diante das criaturas, seu modo de olhar para os filhos e filhas; é isso que move e direciona todo seu comportamento.
As parábolas mais tocantes de Jesus, sem dúvida, aquelas que estavam mais próximas de seu coração, são aquelas em que mostrou a todos sua absoluta confiança na misericórdia de Deus. A mais interessante, talvez, é a do “bom pai” [2]. Aqueles que a ouviram pela primeira vez, sem dúvida, ficaram chocados. Não era o que se ensinava nas sinagogas da Galileia, nem no templo de Jerusalém. Deus será assim? Como um pai que não guarda para si sua herança, que não presta atenção ao comportamento de seus filhos, que sempre espera com amor os perdidos, que “estando ainda muito longe” vê seu filho e “se lhe comovem as entranhas”[3]? Deus será assim? Como este pai que perde o controle, começa a correr, abraça e beija o filho carinhosamente como uma mãe, interrompe sua confissão para poupá-lo de mais humilhações, e o reintroduz, como filho, em casa?
Será esta a melhor metáfora de Deus? Um pai comovido até as vísceras, que acolhe com amor os seus filhos perdidos e implora aos irmãos para os acolherem com a mesma compaixão? Será Deus um pai procurando conduzir a história da humanidade até o final, onde, finalmente, se celebrará a vida e a libertação de tudo o que escraviza e degrada o ser humano? Jesus fala de banquete abundante e aberto a todos. Fala de música e dança, de filhos perdidos que despertam a compaixão do pai, de irmãos convidados a acolherem-se mutuamente. Será este o último segredo da vida? Será este o projeto de humanização do reino de Deus, o de abrir caminhos para um mundo mais digno, mais justo, mais feliz para todos?
Jesus contou também outra parábola surpreendente e provocante, aquela do dono da vinha que queria trabalho e pão para todos [4]. Segundo esta história, o dono da vinha foi pessoalmente para a praça da cidade assumir diversos grupos de trabalhadores, em diferentes momentos do dia. Surpreendentemente, embora os trabalhadores tenham feito trabalhos bastante desiguais na vinha, o proprietário paga a todos com um denário: quantia considerada suficiente para uma família de camponeses na Galileia viver um dia. O patrão não fica pensando nos méritos de um ou de outro, mas quer que todos possam jantar naquela noite. Quando o grupo que trabalhou mais protesta, esta é a sua resposta: “Não tenho a liberdade de fazer o que quero com as minhas coisas? Ou você está com inveja porque sou generoso?”
O choque teve ter sido geral. O que será que Jesus estava sugerindo? Que Deus não age com os critérios que usamos? Que para Deus não contam os méritos? Este modo de entender a bondade de Deus, não quebra os nossos padrões religiosos? O que diriam os mestres da lei, e o que poderiam dizer os moralistas de hoje? Será verdade que, de suas vísceras de misericórdia, Deus, em vez de se fixar em nossos méritos, está procurando responder à nossa necessidade de salvação?

2. Jesus, o Rosto da misericórdia do pai
a) Uma vida voltada para os mais necessitados de compaixão
As várias tradições evangélicas indicam na mesma direção: a atividade profética de Jesus é colocada em movimento, motivada e dirigida pela misericórdia de Deus. Sua paixão por Deus traduz-se em compaixão pelo ser humano. É a misericórdia de Deus que atrai Jesus para os últimos: as vítimas, os que sofrem, os maltratados pela vida ou pelas injustiças dos poderosos, os pecadores e as pessoas repulsivas, desprezadas por todos. O Deus da lei e da ordem, o Deus da adoração e dos sacrifícios, o Deus do sábado, nunca poderia dar vida à atividade profética de Jesus, tão sensível ao sofrimento dos inocentes e a humilhação dos excluídos.
O Evangelho de Lucas, numa cena programática que ocorre, segundo o narrador, na sinagoga de Nazaré, mostra que não é a religião do templo que direciona o agir de Jesus, mas é o “Espírito do Senhor”, que orienta toda sua vida em direção aos últimos. Atribuindo a si mesmo o texto de Isaías 61,1-2, Jesus diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu com a unção; enviou-me para levar a boa nova aos miseráveis, para curar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos e a libertação aos prisioneiros, para proclamar o ano de graça do Senhor [5]”. Jesus sente-se ungido “pelo Espírito” de Deus que orienta todo seu agir profético em favor daqueles que mais precisam de compaixão.
Estes quatro grupos de pessoas, “pobres”, “presos”, “cegos” e “oprimidos”, representam e sintetizam os que Jesus traz intimamente em seu coração de profeta da compaixão. Em sua vida, devotada totalmente em infundir esperança aos pobres, em libertar da escravidão, em aliviar o sofrimento e oferecer o perdão gratuito de Deus, podemos ver encarnada misericórdia do Pai.

b) Sofrimento, a primeira preocupação de Jesus
Precisamos dizer algo mais. Movido pela misericórdia de Deus, “o primeiro olhar de Jesus não é dirigido ao pecado dos outros, mas para o sofrimento deles” [6]. A chave a partir da qual Jesus vive Deus, e esforça-se para abrir estradas para o reino de justiça, não é propriamente o pecado, mas o sofrimento causado pela falta de misericórdia no mundo. O contraste com o Batista é esclarecedor. O ato profético do Batista foi concebido e organizado em função do pecado. O pecado era a sua suprema preocupação: denunciar os pecados do povo, chamar os pecadores ao arrependimento, purificar, por meio do batismo, os que vinham ao Jordão. O Batista parece não ver o sofrimento, não se aproxima dos enfermos, nem os cura. Parece não conhecer a exclusão e marginalização em que não poucos viviam: não cura os leprosos, não liberta os possuídos pelo demônio, não acolhe as prostitutas. O Batista não abraça as meninos e meninas de rua, não come com os pecadores, não os recebe em sua mesa. O Batista não tem gestos de bondade. Seu agir é estritamente religioso.
Ao contrário, a primeira preocupação de Jesus é com o sofrimento e a marginalização dos doentes e subnutridos da Galileia, a defesa dos camponeses explorados pelos poderosos latifundiários. Os Evangelhos não apresentam Jesus andando pela Galileia em busca de pecadores para convertê-los dos pecados. Descrevem-no se aproximando dos doentes para aliviar seus sofrimentos; acariciando a pele dos leprosos para libertá-los da exclusão. Para dizer de outra maneira, o agir de Jesus é procura mais para eliminar o sofrimento e humanizar a vida do que denunciar os pecados e chamar os pecadores ao arrependimento. Não é que não se interessasse pelo pecado, mas, para o Profeta de compaixão, o maior pecado contra o projeto de humanização do reino de Deus consiste em introduzir sofrimento injusto na vida, ou tolerar esse sofrimento com indiferença, desinteressando-se pelas pessoas que sofrem.
Esta atenção ao sofrimento faz de Jesus um profeta curandeiro. Jesus vive o Deus da Misericórdia como amigo da vida. Ele sofre em ver a enorme distância que existe entre a situação de sofrimento de tantas pessoas subnutridas e doentes, e a vida saudável que Deus quer para seus filhos e filhas. Por este motivo ele se sente Profeta curandeiro, cheio do bom Espírito de Deus, não para condenar e destruir, mas para curar, livrar dos maus espíritos e melhorar a vida. Para Jesus, Deus é uma presença boa, que abençoa a vida e quer a cura, mais que a observância do sábado. Por isso, abençoa os doentes que não podem ter acesso às bênçãos do templo. Impõe suas mãos sobre eles, porque quer envolve-los com a ternura de Deus, aqueles que, segundo a crença popular, eram considerados castigados por Ele. Quero chamar a atenção para um fato significativo. De acordo com os sinóticos, Jesus não cura para confirmar sua mensagem, ou para provar seu status messiânico. Todos insistem sobre o que ele faz, porque, vendo o sofrimento dos doentes, “suas entranhas se comovem” [7]. O termo usado (splanchnizomai) é o mesmo que Lucas usa para falar da misericórdia de Deus [8]. Jesus é rahum: tem entranhas de misericórdia, como o pai da parábola que acolhe o filho perdido.
Jesus também experimenta o Deus da misericórdia como o Deus dos últimos: os empobrecidos pelos poderosos, e os esquecidos pela religião. Jesus está vendo que ninguém lhes faz justiça. Por isso, também se sente o Profeta defensor dos pobres. Seu primeiro ato é compartilhar com eles seu destino. A vida pobre e itinerante de Jesus e seus discípulos, sem provisão, nem túnica de reserva, não é austeridade. É a sua maneira de compartilhar a falta de defesa, a vulnerabilidade e os risco que sofrem tantos infelizes. Jesus, profeta pobre do Deus da misericórdia, vive entre os pobres, conhece sua fome e suas lágrimas, aperta as meninas e meninos de rua no peito, e sofre com eles. Jesus encarna a misericórdia de Deus em sua vida solidária com os pobres.
Ao mesmo tempo, Jesus começa a usar uma linguagem nova e provocante. A misericórdia de Deus está pedindo que se faça justiça aos seus filhos mais indefesos. Eles devem saber que a misericórdia de Deus nunca os abandonará. Por isso, Jesus começa a lançar seu grito profético por toda a Galileia. Encontra-se com famílias que não puderam defender suas terras diante dos abusos dos latifundiários e grita: “Bem-aventurados sois vós que não tendes nada [9] porque vosso é o reino de Deus”. Observa a desnutrição das mulheres e crianças, e assegura-lhes: “Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados”. Vê os camponeses chorarem de impotência quando os cobradores de impostos lhes tiram o melhor das colheitas, e os conforta: “Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir” [10].
Não é zombaria ou cinismo. Jesus está compartilhando sua pobreza e fala-lhes em nome do Pai misericordioso. A mensagem das Bem-aventuranças é central no agir profético de Jesus: “Aqueles de quem ninguém se interessam, são os que mais interessam a Deus; aqueles que são negligenciados nos impérios construídos pelos homens, têm lugar especial em seu coração; aqueles que não têm uma religião para defendê-los, têm Deus como Pai”. Se o reino de Deus for aceito, o mundo vai mudar para o bem dos últimos.
Esta mensagem de Jesus não significa imediatamente o fim da fome e da miséria, mas uma dignidade indestrutível para todas as vítimas. São os prediletos de Deus, e isso dá à dignidade deles uma seriedade absoluta. Em nenhum lugar se construirá a vida assim como Pai da misericórdia quer, senão libertando os pobres da fome e da miséria. Nenhuma religião será abençoada por Deus, se não procurar mais justiça para eles. Isto significa introduzir a misericórdia de Deus no mundo: colocar as religiões e os povos, culturas e políticas para cuidar dos últimos e trabalhar pela sua dignidade: ainda mais, isto é, introduzir no mundo a esperança última de uma vida plena para aqueles que foram injustamente excluídos de uma vida digna e feliz neste mundo.

c) Acolhida aos “pecadores” mais desprezados
Os Evangelhos observam que o que causou mais escândalos e hostilidades contra Jesus foi sua amizade com um bem reconhecível coletivo de pessoas, que eram desdenhosamente chamadas “pecadores”. Nunca tinha acontecido algo parecido na história de Israel. Nenhum profeta tinha chegado a eles com respeito, amizade e a simpatia de Jesus. A palavra “pecador” não tinha, naquela época, o conteúdo exato que irá ter, então, na tradição cristã. Este coletivo de “pecadores” era considerado excluído da Aliança, tanto por seu comportamento imoral, quanto pela profissão, ou pelo contato com os pagãos, seja por sua colaboração com Roma, ou por razões semelhantes. Eles formavam um grupo proscrito e desprezado, sobretudo pelos setores mais rigoristas, que os excluíam da vida em comum (casamento com eles, banquetes, negação da saudação…). Sua conversão era considerada impossível. Os coletivos mais representativos eram os cobradores de impostos e as prostitutas.
O que mais escandalizava em Jesus era seu hábito sentar e comer com eles na mesma mesa. Não é algo anedótico ou secundário. É o traço que caracteriza sua maneira de lidar com os pecadores mais desprezados. De acordo com alguns autores, é o gesto profético mais original e representativo do Profeta da misericórdia. Em meio a um clima de condenação e discriminação em geral, Jesus introduz um gesto profético de boas-vindas e inclusão. A reação foi imediata. As tradições recolhem fielmente, nos evangelhos, antes a surpresa: “O quê? Come com publicanos e pecadores?” [11]. Não se mantém a uma distância segura. Que vergonha! Em seguida, a hostilidade, rejeição e insultos: “É um comilão e beberrão, um amigo dos pecadores” [12]. Jesus nunca negou isso, porque realmente se sentia “amigo dos pecadores”. A questão era explosiva. Sentar-se à mesa com alguém é sempre uma prova de respeito, confiança e amizade. Não se come com qualquer um, e ainda menos, para o povo escolhido de Israel, que tinha uma preocupação tão grande pela própria santidade. O que Jesus está fazendo é algo impensável, para alguém considerado “homem de Deus”. Como poderia ser amigo de publicanos e de prostitutas?
No entanto, deve ser acrescentado, Jesus se aproximava para comer com eles, não como um mestre da lei, para examinar sua vida escandalosa, mas como profeta da misericórdia de Deus, para oferecer-lhes sua amizade e comunhão. O significado mais profundo dessas refeições é que Jesus cria com eles uma “comunidade de mesa [13]” diante de Deus. Compartilha com eles o mesmo pão e o mesmo vinho; pronúncia com eles a “bênção de Deus”, e comemora antecipadamente o banquete final, que conforme anunciado por Jesus, o Pai está preparando para seus filhos. Com este gesto profético, Jesus está anunciando a Boa Nova de Deus: “Esta discriminação que sofreis no meio do povo eleito não reflete o mistério último de Deus. Também para vós o Pai é misericórdia e bênção”.
A mesa de Jesus é uma mesa aberta a todos. Deus não exclui ninguém, nem mesmo os pecadores mais desprezados. Jesus sabe muito bem que sua mesa com os pecadores não é a “mesa pura” dos fariseus, que excluía os impuros, nem a “mesa sagrada” da comunidade de Qumran, a qual não eram admitidos os “filhos das trevas”. É a “mesa acolhedora” de Deus. Esta mesa, compartilhada por todos, rompe o círculo diabólico da discriminação, e abre um novo espaço onde todos são bem-vindos e encorajados a encontrar-se com o Pai da misericórdia. Jesus põe a todos, justos e pecadores, diante do mistério insondável de Deus. Não há justos com direitos, nem pecadores sem direitos. A todos oferece gratuitamente a infinita misericórdia de Deus. São excluídos somente aqueles que não o acolhem.
Esta insondável misericórdia do Pai pode ser anunciada somente por uma Igreja acolhedora, que elimina preconceitos e quebra fronteiras. Em cada ato de evangelização não pode faltar a mensagem de perdão gratuito e imerecido de Deus. Ainda hoje, todos os coletivos que são condenados, discriminados ou ignorados em alguma medida, pela sociedade ou pela Igreja (prostitutas, criminosos, viciados em drogas, gays, lésbicas, transexuais …) devem ouvir a mensagem de Jesus: “Quando vocês se veem condenados pela Igreja, saibam que Deus os olha com amor. Quando ninguém os perdoa, sintam o perdão infinito de Deus. Quando se sentem sozinhos e humilhados, ouçam seu coração e ouvireis que Deus está com vocês. Mesmo que todos os abandonem, Deus nunca os abandonará. Vocês não merecem isso. Ninguém merece isso. Mas Deus é assim: misericórdia e perdão sem limites”.

3. “Sede Misericordioso como o vosso pai é misericordioso”
Jesus viveu numa sociedade profundamente religiosa. Toda a ordem religiosa e social do “povo escolhido”, bem como a espiritualidade de todos os grupos, derivam da radical exigência formulada pelo antigo livro de Levítico: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” [14]. O povo deve ser santo, como o é Deus, que habita no templo: um Deus que ama seu povo eleito e rejeita os pagãos, abençoa aqueles que observam a lei e amaldiçoa os pecadores, acolhe os puros, mas separa os impuros. A santidade é a qualidade essencial de Deus, o princípio para orientar o comportamento das pessoas. O ideal é ser santo como Deus é santo.
Paradoxalmente, esta imitação da santidade de Deus, entendida como separação do que é pagão, profano, impuro e contagioso, pensado para defender a identidade do povo eleito, foi, de fato, gerando uma sociedade discriminatório e excludente. Ao interno do povo escolhido, os sacerdotes gozam de uma pureza superior a do resto do povo, porque eles estão a serviço do templo, onde vive o Deus santo. Os observantes da lei beneficiam-se da bênção de Deus, ao passo que os pecadores são discriminados. Os homens pertencem a um nível superior de pureza em relação às mulheres, sempre suspeitas de serem impuras por causa da menstruação e dos partos. “Os sãos gozam da predileção de Deus, enquanto os leprosos, cegos, deficientes … considerados “punidos” por algum pecado, foram excluídos do templo” [15]. Esta religião criava barreiras e discriminações. Não promovia a aceitação mútua, a comunhão e a fraternidade.
Jesus compreendeu isso imediatamente e, com lucidez e audácia surpreendentes, introduziu para sempre, na história humana, um princípio que a transformaria completamente: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” [16]. É a misericórdia, e não a santidade, o princípio que deve inspirar a conduta humana. Deus é grande e santo, não porque recusa os pagãos, pecadores e impuros, mas porque ele ama a todos, sem excluir ninguém da sua misericórdia. Deus não é propriedade dos bons. Seu amor misericordioso está aberto a todos. “Ele faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus” [17]. Em seu coração há um projeto integrador. Deus não exclui, não separa, e nem excomunga, mas acolhe e abraça. Não abençoa a discriminação. Procura por um mundo acolhedor, onde os santos não condenam os pecadores, os ricos não exploram os pobres, os poderosos não abusam dos fracos, os homens não dominam as mulheres.
Nós, seguidores de Jesus, temos que gravar com fogo, em nossos corações, suas palavras: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. Estas palavras não são, na verdade, uma lei ou um preceito a mais. Trata-se de reproduzir na terra a misericórdia do Pai do céu. Este convite à misericórdia é a chave do Evangelho, o grande legado de Jesus para a humanidade. Único caminho para construir um mundo mais justo e fraterno. Único modo para construir uma Igreja mais humana e mais crível.

4. Dinâmica da misericórdia
Como aceitar o convite de Jesus para sermos misericordiosos como o Pai? Depois de séculos de cristianismo, hoje é necessário resgatar misericórdia como “princípio de ação prática”, libertando-a de uma concepção sentimental e moralista. A linguagem da misericórdia pode ser perigosa e ambígua. Em termos concretos, poderia sugerir bons sentimentos de um coração bom, mas carente de envolvimento prático; pode limitar-se a “fazer obras de misericórdia” num determinado momento, sem atacar as causas injustas de muitos sofrimentos; pode ser entendida como comportamento paternalista para com alguns indivíduos, sem reagir diante de uma sociedade que continua funcionando sem misericórdia e sem justiça.
Devemos ouvir o convite de Jesus à misericórdia, como um grito de indignação absoluta: o sofrimento dos inocentes tem que ser levado a sério; não pode ser aceito como normal, porque é inaceitável a Deus. Por isso, o teólogo Jon Sobrino propôs, há alguns anos, o “princípio de misericórdia”, isto é, um princípio interno, que está na origem do agir privado e público, que permanece sempre presente e ativo em nós, que imprime atenção para aqueles que sofrem, e faz-nos viver erradicando os sofrimentos e suas causas, ou, ao menos, aliviando-os [18].

a) A parábola do Bom Samaritano
Jesus mesmo desenhou a dinâmica da misericórdia numa parábola memorável, recolhida no Evangelho de Lucas, conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” [19].
Para não sair arrasado da conversa com Jesus, um mestre da lei faz-lhe esta pergunta: “Quem é o meu próximo”. A questão era muito importante naquela sociedade. O “amor ao próximo” era reconhecido por todos como um grande preceito, unido ao mandamento do “amor a Deus”. O Levítico ordena assim: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” [20]. No entanto, no tempo de Jesus, este preceito era interpretado a partir de uma visão bastante pragmática: “próximo” é quem está perto de nós, que temos obrigação de amar. Porém, a obrigação de amar aqueles que estão “próximos” diminui à medida que aumenta a distância entre as pessoas (membro da sua família, clã, tribo, povo de Israel …). Pode haver também pessoas tão longe de nós (pagãos, adversários de Israel, inimigos de Deus …), que não temos obrigação de amar; podemos refutá-los. Esta é a pergunta do doutor da lei: Quem devo considerar “próximo”? Até onde vão minhas obrigações?
Jesus, que alivia o sofrimento daqueles que encontra pelo caminho, transgredindo, se necessário, a lei do sábado, ou as normas de pureza, respondeu ao escriba com a parábola do “Bom Samaritano”, projetando, de forma bem concreta, a verdadeira dinâmica da misericórdia, acima de todo legalismo que ignora o sofrimento dos outros.
De acordo com a história, um “homem” agredido, roubado e despojado de tudo, encontra-se “meio morto”, abandonado na sarjeta de uma estrada perigosa. Felizmente, passam pela estrada dois viajantes. Em primeiro lugar um sacerdote, e depois um levita. Certamente eles vêm do templo, depois de terem cumprido seu dever de culto. O homem ferido os vê, cheio de esperança: eles representam o Deus santo do templo, sem dúvida, terão misericórdia. Mas, não é assim. Os dois agem sem nenhuma compaixão. Uma vez chegados no lugar, “veem” o ferido, “o esquivam” e continuam seu caminho. Talvez, como servos do templo, se detêm no “princípio de santidade” do Levítico.
No horizonte aparece um terceiro caminhante. Não é sacerdote, nem levita. Nem mesmo pertence ao povo eleito. É um desprezível samaritano. O ferido pode esperar o pior. Este Samaritano, no entanto, age de acordo com o “princípio misericórdia”. Lucas descreve seu comportamento em cada detalhe. Chegou ao local, “vê” o ferido, “comove-se [21]” e “aproxima-se” dele. Então, movido de compaixão, faz para aquele estranho tudo o que pode para recuperar sua vida: trata as feridas, enfaixa-as, o faz montar em seu cavalo, leva-o a uma hospedaria, cuida dele pessoalmente, e paga o que falta para a sua recuperação.

b) Dinâmica da misericórdia
Olhar de compaixão. O samaritano é capaz de olhar o ferido com compaixão. A misericórdia despertada em nós, não se deve à atenção à lei ou à reflexão sobre os direitos humanos. Flui em nós quando temos um olhar cuidadoso e responsável para com quem sofre, comovendo-nos diante do sofrimento. Este olhar nos liberta da indiferença, que bloqueia a compaixão, e dos esquemas ideológicos e religiosos que nos permitem viver com a consciência tranquila.
Como dissemos acima, as tradições sobre Jesus preservaram a memória de seu olhar compassivo em curar os doentes, mas Mateus insiste no olhar compassivo de Jesus, não só sobre os indivíduos, mas também sobre as multidões. “Desembarcou e viu uma multidão de pessoas, teve compaixão delas e curou muitos doentes” [22]. Ao ver as pessoas, teve compaixão delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor” [23]. Johan Baptist Metz lembrou que diante da “mística dos olhos fechados”, mais adequada ao Oriente, voltada principalmente à interioridade, quem se inspira em Jesus, sente-se chamado a cultivar uma “mística dos olhos abertos”, uma espiritualidade de responsabilidade absoluta para com aqueles que sofrem.
Proximidade com os que sofrem. O samaritano, movido de compaixão, aproxima-se do ferido. Não pergunta quem é este estranho, para ver se pode ter alguma obrigação em relação a ele, por motivos de raça ou algum parentesco. Simplesmente, aproxima-se e faz-se próximo. O comportamento de quem vive movido de compaixão não é perguntar-se: “Quem é o meu próximo?”, mas “quem precisa que eu me aproxime e me faça próximo?”. Quem vive movido pela compaixão de Deus, aproxima-se com seriedade de cada ser humano que sofre, qualquer que seja sua raça, povo ou ideologia. Não se questiona sobre quem deve amar, mas sobre quem precisa dele e o quer próximo.
As tradições do Evangelho sobre Jesus o descrevem quando ele pára e se aproxima de cada doente, ou quando pede aos que estão longe de se aproximarem. No relato de Mateus, Jesus, nos arredores de Jericó, ouvindo um homem cego, sentado à beira da estrada, pedindo-lhe compaixão, pára seu caminho para Jerusalém. Nada é mais importante para ele do que o grito dos que sofrem [24]. Em seguida, ordena aos discípulos para chamarem o cego e, quando ele se aproxima, dirige-se a ele com estas palavras: “O que queres que eu faça por ti?” Esta é a disponibilidade de Jesus para com os que sofrem.
Gestos de compromisso. O samaritano não se sente obrigado a submeter-se a um específico código legal. Simplesmente, movido de compaixão, responde à situação do ferido, inventando todos os tipos de gestos para aliviar seu sofrimento e restaurar sua vida.
De Jesus ficou a memória de um Profeta que, “ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder, passou a vida fazendo o bem” [25]. Jesus não tem poder político, nem possui a autoridade religiosa dos líderes do templo. Não pode resolver os abusos e injustiças cometidas naquele canto do Império, mas andando pela Galileia e pela Judeia, movido pelo poder infuso pelo Espírito Santo de Deus, semeia gestos de bondade e compaixão.
Apenas alguns exemplos. Abraça os meninos e meninas de rua. Por quê? Porque não quer que os seres mais frágeis daquela sociedade vivam como órfãos, quando eles têm Deus como Pai. Abençoa os doentes. Por quê? Para que não se sintam “amaldiçoados por Deus”, pelo fato de não poderem receber a bênção dos sacerdotes do templo. Acaricia a pele dos leprosos, para que ninguém os exclua da convivência. Cura transgredindo o sábado, para que todos saibam que nem mesmo a lei mais sagrada está acima da atenção para com aqueles que sofrem. Acolhe os desprezados e come com os pecadores e prostitutas, para que, no momento de exercitar a misericórdia, o pecador e os indignos tenham direito como os justos e os piedosos de serem acolhidos com misericórdia.
Para entender a dinâmica da misericórdia, podemos distinguir três elementos. No primeiro, por assim dizer, temos que interiorizar o sofrimento dos outros, deixando-nos envolver, tornando-o nosso, deixando-se machucar. Num segundo passo, este sofrimento internalizado provoca uma reação; torna-se ponto de partida para um comportamento ativo e responsável; torna-se um princípio de ação, um modo de vida. Finalmente, este estilo de vida vai concretizando-se em compromissos e gestos, destinados a erradicar a dor, ou, ao menos, aliviá-la.

5. A Guisa de conclusão
a) Por uma Igreja samaritana
É muito importante para a Igreja encontrar seu lugar na sociedade moderna. Evidentemente, a Igreja de Jesus não pode viver fechada em si mesma, preocupada apenas com seus problemas, pensando apenas em seus interesses. Deve estar no meio ao mundo, mas não de qualquer maneira. Se ela acolher, de fato, o legado do Profeta da misericórdia, deverá estar num lugar muito preciso: lá onde há sofrimento, onde existem as vítimas, os empobrecidos, os maltratados pela vida ou pela injustiça dos homens, as mulheres maltratadas na própria casa, os refugiados, os estrangeiros em situação irregular. Para dizê-lo numa palavra, ele deve estar na sarjeta, ao lado dos feridos.
Ao longo dos séculos surgiram na Igreja instituições de caridade, centros assistenciais, hospitais, lugares de acolhida, congregações religiosas para ajudar os doentes, órfãos, leprosos, crianças abandonadas, prostitutas, doentes mentais. São o rosto compassivo da Igreja, o melhor que temos dela. Mas, isso não é suficiente. Temos que trabalhar para que a Igreja, como tal, seja configurada totalmente pelo princípio da misericórdia. A Igreja deveria ser o lugar onde se encontra a reação mais empenhada e audaz contra o sofrimento no mundo. O lugar mais sensível diante das feridas físicas, morais e espirituais dos homens e mulheres de hoje. É a misericórdia que pode tornar a Igreja hoje mais credível.
O que pode significar, hoje, na nossa cultura, uma palavra do Magistério sobre sexo, família, mulher ou sobre os diversos problemas da vida, dita sem compaixão com os que sofrem? Para que serve uma teologia acadêmica, se não nos desperta da indiferença? Para que serve insistir sobre a liturgia e o culto se o incenso e os cantos não nos deixam ouvir os gritos dos que sofrem? Tem razão J. B. Metz, há anos denunciando que nas comunidades cristãs dos países saciados da Europa há demasiados cantos e poucos gritos de indignação, demasiada complacência e pouca nostalgia de um mundo mais humano, muito consolo e pouca fome de justiça.
Por outro lado, é urgente introduzir no agir e na mensagem da Igreja um princípio de evangelização que eu formularia assim. Tudo o que impede, obscura ou torna difícil colher o mistério de Deus como misericórdia, oferta continua de perdão gratuito e alívio do sofrimento, deve desaparecer da Igreja, porque não contém a Boa Nova de Deus anunciada por Jesus.

b) Por uma cultura sob o impulso da misericórdia
Se formos fiéis ao legado de Jesus sobre a misericórdia de Deus, devemos dizer que o que é decisivo para a história humana é acolher, introduzir e desenvolver a compaixão, que exige justiça para aqueles que mais sofrem. Não é suficiente o progresso, segundo a visão dos potentados econômicos, políticos e religiosos, quase sempre voltados aos próprios interesses. É preciso falar de justiça, sim, mas de justiça, que nasce da compaixão e introduz no mundo uma nova dinâmica e uma nova direção. A compaixão orienta e dá impulso a tudo em vista de uma vida mais digna para os que mais sofrem.
Não há progresso humano, não há política progressista, não há proclamação responsável dos direitos humanos, não há justiça no mundo se não se procura uma vida mais digna, mais justa e solidária com os últimos da terra. Também hoje, para os seguidores de Jesus, os últimos devem ser os primeiros. O caminho para um mundo mais digno e feliz para todos se começa a construir a partir deles. Esta supremacia é absoluta. Deus a quer. Não pode ser subestimada por nenhuma política, ideologia ou religião.
Estou convencido de que nós, cristãos, devemos aprender a seguir Jesus a partir das vítimas. Trata-se de quebrar a cultura da indiferença, pensando a partir do sofrimento das vítimas, abrir espaço, em nossas vidas, aos marginalizados e excluídos, promover a solidariedade em nível mundial pensando nas necessidades dos últimos e deixando de lado o desenvolvimento do nosso bem-estar[26].
Termino evocando os gritos lancinantes de Francisco na pequena ilha de Lampedusa: “Perdemos o sentido da responsabilidade fraterna“; “A cultura do bem-estar nos torna insensíveis aos gritos dos outros“; “Caímos na globalização da indiferença“; “Nos habituamos ao sofrimento dos outros … e agora, não nos interessa, não e problema nosso” [27].
“No início do século XXI, A. Filippi e F. Strazzari perguntaram a vários teólogos qual poderia ser a tarefa mais importante para a Igreja no novo século (cf. . La cosa più importante per la Chiesa del 2000. Bologna: EDB, 2000). Pode-se ver, com satisfação, a convergência de vários teólogos de grande prestígio, que sublinhavam de diversas maneiras a importância da misericórdia:

* João Batista Metz: “A partir da sensibilidade à dor do outro … a Igreja deve promover a compaixão social e política no mundo”.

* Marciano Vidal: “Diante da tendência de criar sistemas econômicos, políticos, culturais e religiosos de exclusão … a Igreja tem que dizer um sim à inclusão, ao reconhecimento do outro, do estrangeiro, do excluído”.

* Jon Sobrino: “Só uma Igreja dos pobres que retire da cruz os crucificados … tornará Deus presente no nosso mundo”.

* Edward Schillebeekx: “A mensagem cristã, que agora não é mais credível no mundo pós-moderno, … só tocará o coração do homem de hoje, se ver a Igreja a serviço da humanidade sofredora e ameaçada”.

Notas:
[1] Em espanhol usarei indistintamente os termos “misericordioso” e “compassivo”. Misericórdia significa literalmente “colocar o coração naquele que está na miséria”, e indica a atenção para aqueles que estão sofrendo na miséria. Compaixão significa “sofrer com os que sofrem”, e indica mais a proximidade e solidariedade com eles.
[2] Lucas 15,11-32. É um erro chamá-la de “parábola do filho pródigo “. A figura central é a do pai.
[3] O verbo “splanchnizomai” usado por Lucas significa literalmente que “se agitam as entranhas” do pai. Em seguida, veremos que os evangelistas usam o mesmo termo para nos dizer que em Jesus “se agitam as entranhas” ao ver as pessoas sofrendo.
[4] Mateus 20,1-15. É um erro chamá-la de parábola “dos trabalhadores da vinha”. O verdadeira protagonista é o proprietário da vinha. Podemos chamá-la de parábola de quem “sabe contratar bem ” ou do “patrão que queria pão para todos”.
[5] Luca 4,17-19. Provavelmente a cena foi elaborada por Lucas, mas, recolhe o que realmente foi o agir de Jesus.
[6] Foi, acima de tudo, J. B. Metz que insistiu nesses dados. Veja-se, por exemplo, seu artigo La compassion: un programa universal del cristianismo en la época del pluralismo cultural y religião. Revista Latinoamericana de Teologia, v. 55, p. 27, 2002.
[7] Marcos 1,41; 9,22; Mateus 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Lucas 07,13.
[8] Lucas 15,20.
[9] O texto não fala de “penes” o homem pobre que vive pelo trabalho duro, mas de “ptochoi”. Os indigentes que não têm nada para viver.
[10] Luca 6,20-21. Há um consenso bastante geral de que estas três Bem-aventuranças vêm de Jesus.
[11] Marcos 1,16.
[12] Lucas 7,34; Matteo 11,9.
[13] AGUIRRE, Rafael. La mesa compartida. Estudios desde las ciencias sociales I, Santander: Sal Terrae, 1994, pp.26-133; CROSSAN, J. Dominic. Jesus: Vida de un campesino judio. Barcelona: Critica, 1994, pp.383-408.
[14] Levítico 19,2.
[15] Pode-se verificar isso no chamado Código de santitade (Levítico 17-26).
[16] Lucas 6,36.
[17] Mateus 5,45.
[18] SOBRINO, Jon, O Princípio Misericória: Descer da cruz os povos crucificados. Petrópolis: Vozes, 1994.
[19] Lucas 10,30-36.
[20] Levítico 19,18.
[21] Lucas usa o mesmo termo para descrever a reação do pai bondoso diante do filho perdido e a reação do Samaritano diante do ferido (comoveu-se).
[22] Mateus 14,14.
[23] Mateus 9,36.
[24] Marcos 10,46-52.
[25] Atos dos Apóstolos 10,38.
[26] Expus estes aspectos in Recuperar el proyecto de Jesus. Madrid: PPC Editorial, 2015.
[27] Discurso do papa Francisco em Lampedusa, dia 8 de julho de 2013.

Obs.: Palesta proferida no Congresso Internacional de Ávila, “Misericordiosos como o Pai”, em texto editado por Francesco Strazzari, e publicado por Settimana News, 25-09-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Sobre o autor:

maxresdefaultJosé Antonio Pagola é sacerdote e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). É autor de diversos livros, dentre eles: Jesus, uma aproximação histórica (2010).

Fonte: IHU

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