A fé cristã brota da experiência de um amor gratuito e universal, revelado em Jesus Cristo, que nos torna filhos e filhas de Deus e que, portanto, nos irmana uns aos outros. Nesse sentido, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo sintetiza os ensinamentos da Lei e dos profetas. Não é sem sentido afirmar que nós só conseguimos amar a Deus amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou.

Sem a prática da justiça e sem a acolhida fraterna os ritos cristãos transformam-se facilmente em ritualismos vazios e vulneráveis a toda forma de deturpação ou manipulação: intimismo liturgista, teatralização externa da fé, hipocrisia carente de conversão a Deus e aos irmãos.

Entre os maiores desafios de viver com autenticidade a vida cristã no contexto atual destaca-se a consolidação de comunidades de fé com prática da justiça, da misericórdia, da acolhida e de convívio fraterno. Trata-se de consolidar aquele ideal narrado nos Atos dos Apóstolos:

Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações… Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam as suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos conforme a necessidade da cada um... A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum… Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o depositavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.” (At 2, 42.44-45; 4, 32.34-35)

Por isso, entre as Diretrizes aprovada pela grande assembleia da 5ª APD encontra-se a Igreja da Acolhida.

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A TERCEIRA Diretriz recebeu a seguinte redação:

  1. Igreja da acolhida

 

A alegria de acolher os irmãos e irmãs em suas necessidades pessoais deve ser a característica dos discípulos e discípulas de Jesus. Quando acolhemos, rompemos com a solidão e com o anonimato desses irmãos e irmãs. Para tanto, o mandato evangélico de ir ao encontro do outro é o alicerce para sermos uma Igreja comprometida com a hospitalidade e a fraternidade, gestos próprios de quem faz a experiência de seguir a Jesus Ressuscitado (cf. Lc 24,29).

Nesse sentido, devemos:

a) No nível da PESSOA

FAVORECER os processos de participação que possibilitem o nosso amadurecimento na fé, de modo que nos tornemos discípulos e discípulas abertos aos irmãos e irmãs, sobretudo aos excluídos;

b) No nível da COMUNIDADE

CAPACITAR, permanentemente, os evangelizadores e evangelizadoras, para que as comunidades sejam verdadeiras casas de acolhida, sem acepção de pessoas, valorizando cada uma, segundo a misericórdia e o cuidado evangélicos;

c) No nível da SOCIEDADE

GARANTIR ações pastorais que promovam o encontro com os irmãos e irmãs, nas diversas situações de vulnerabilidade, tornando-nos verdadeira Igreja em saída, missionária, misericordiosa e servidora da sociedade, à luz da Palavra de Deus.

(As palavras com letras maiúsculas e os grifos são nossos)

Fonte do texto aprovado: Vicariato Episcopal para Ação Pastoral

 

Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães

Secretário Executivo do Observatório da Evangelização

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