Entre os maiores desafios e urgências da ação evangelizadora merece destaque o da criação de um processo catequético libertador, ou seja, que oportunize aos catequizandos acesso vivencial à beleza transformadora da vida cristã. Portanto, trata-se de uma prática catequética capaz de:

  • superar o atual modelo ainda predominante, caracterizado como “sacramentalista” por caracterizar-se, quase que exclusivamente, como uma prática voltada para a preparação para os sacramentos e que, por isso, não desperta para o seguimento de Jesus;
  • favorecer o encontro de fé, pessoal e comunitário, com Jesus Ressuscitado. Desse encontro é que nasce o discipulado e a tomada de consciência da missão batismal;
  • suscitar experiência da presença do Espírito Santo, seja na dimensão profunda da interioridade humana, seja no discernimento da vontade de Deus na dinâmica eclesial e social;
  • proporcionar significativa iniciação à vida cristã e ao mistério da fé com implicações concretas para um novo jeito de viver e, sobretudo, conviver;
  • provocar a experiência existencial e comunitária do projeto do salvífico universal de Deus concretizado na prática libertadora de Jesus de Nazaré.

Sem o conhecimento, o encontro e o cultivo de intimidade com a pessoa de Jesus,  através do testemunho, da inserção na realidade de nosso tempo e de acesso significativo na compreensão da Palavra de Deus, o processo catequético torna-se frágil, fragmentado e incompleto.

Que boa notícia saber que a 5ª Assembleia do Povo de Deus assumiu, entre suas novas Diretrizes, a catequese para ação evangelizadora. Tomara que os planos de pastoral das regiões episcopais consigam concretizar na prática eclesial a centralidade da catequese libertadora.

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A NONA Diretriz recebeu a seguinte redação:

  1. Catequese

A catequese, como ecoar do Mistério e educação da fé, é processo oportuno para que os discípulos e discípulas se coloquem na escuta atenta da Palavra de Jesus, desde os que dão os seus primeiros passos na fé, bem como os que já encontraram lugar na caminhada.

Por isso, devemos:

a) Nível da PESSOA

FOMENTAR a catequese dos cristãos e cristãs, envolvendo as famílias, assegurando que tanto aqueles que dão os primeiros passos na fé, quanto aqueles que já estão na caminhada da comunidade sejam despertados para a consciência do seguimento de Jesus, a partir de uma experiência radical e profundamente bíblica;

b) Nível da comunidade

PROPORCIONAR uma permanente e integral formação aos catequistas, de modo que, como educadores da fé, ajudem os discípulos e discípulas de Jesus em seu processo de amadurecimento eclesial;

c) Nível da SOCIEDADE

PROMOVER uma catequese capaz de acolher e de estar em sintonia com as realidades do mundo, sobretudo com a dos mais pobres, acentuando a dimensão comunitária e missionária dos discípulos e discípulas do Reino; bem como, uma catequese de ações ecumênicas com as Igrejas cristãs e aberta ao diálogo com as outras religiões.

 (As palavras com letras maiúsculas e os grifos são do Observatório)

Fonte do texto aprovado: Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral

Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães

Secretário Executivo do Observatório da Evangelização

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