Neste ano completam-se 25 anos do massacre do Carandiru. O que mudou desde então? Talvez a privatização da tragédia humana, porque os presídios, mesmo os privatizados (excelente negócio!) seguem superlotados e os massacres entre presos matam mais hoje nos presídios deste país que em toda a sua história precedente. E por quê?

Aliás, há muitos porquês a serem respondidos…

Por que em pouco mais de 10 anos a população feminina nos cárceres brasileiros cresceu mais de 500%?

Por que a maioria das pessoas encarceradas não tem sequer o ensino fundamental e qual a relação entre a falta de escolaridade e o crime?

Por que jovens negros são a maioria das pessoas aprisionadas?

Por que se demora tanto para julgar as penas neste país?

Por que não se buscam penas e medidas alternativas para aquelas pessoas que não representam, de fato, um perigo para a sociedade?

Por quê? Por quê? Por quê?

Sobretudo, talvez a grande questão seja nos indagar a quem interessa a cultura do medo que gera uma sociedade cada vez mais na defensiva, egoísta, extremista, radicalista… Violenta.

Não se trata de sermos ingênuos e “defender bandido”, mas voltarmos ao cerne do ser cristão, ao o amor inclusivo que clama: “não é o são que necessita de médico, mas o doente”. O fato é que nossa sociedade está extremamente enferma e o que assistimos em nossos presídios hoje é só uma ponta do iceberg desse câncer que devasta o que somos; que mata a nossa humanidade.

Há mesmo quem pense que esta é a solução ideal: que os próprios presos façam uma limpeza nos sistema prisional dizimando-se uns aos outros. Solução? Para quem? A quem interessa?

Mas outras alternativas, muitas outras, podem e devem ser buscadas, como reiteradamente a Pastoral Carcerária apresenta e denuncia.

Há, por exemplo, em Paracatu (MG) uma cadeia que, em parceria com a Pastoral Carcerária, consegue, de fato, recuperar a maioria de seus detentos e gastando para isso menos de ¼ do que se gasta em uma prisão convencional. Não é isso que dita nossa Carta Magna? A ressocialização do preso, sua reinserção na sociedade?

Abrir-nos, deixar-nos interpelar tanto pela realidade quanto pela práxis de Jesus de Nazaré e conhecer um pouco mais ações alternativas àquelas que nos empurradas goela abaixo pela mídia dominante, pode ser a melhor forma de transformarmos o mundo ao nosso redor com verdadeiros critérios cristãos.

Tânia Jordão.

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