“Estejam sempre preparados para responder a quem que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1Pd 3,15). Estas palavras de Pedro, nunca foram tão atuais como hoje: “a razão da própria esperança” é uma busca pessoal constante da vida do cristão. A modernidade exige uma fé esclarecida, ciente de suas raízes e capaz de se abrir ao diálogo com a ciência, com o mundo e com outras tradições e manifestações religiosas e até mesmo de ateísmo.

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Uma fé pouco esclarecida pode levar à superstição, ao pensamento mágico, à falsa convicção que favorece o relativismo religioso e às muitas formas de descompromisso e inautenticidade. Outro grande perigo desse desconhecimento, nos tempos atuais, são os vários tipos de fundamentalismos que podem levar a manifestações de intolerância e até mesmo a conflitos violentos.

Nesse contexto, percebe-se que a formação teológica é um apelo do Espírito Santo para a consciência cristã atual. Cada vez mais o homo religiosus e o homo sapiens, o homo intelligens não se contrapõem, mas se encontram e se completam no homem e na mulher que se percebem como parte inerente deste mundo e por ele responsável e, ao mesmo tempo, como seres abertos ao Infinito, ao Transcendente, a Algo além de si mesmos.

A Arquidiocese de Belo Horizonte é pioneira na formação de leigos e leigas desde os primórdios da sua fundação[1]. Formação adequada também é fundamental para que leigos e leigas possam, juntamente com os clérigos, exercer sua co-participação eclesial com propriedade, saindo de sua habitual posição passiva e ingênua.

Desde a I Assembleia do Povo de Deus de Belo Horizonte houve o insistente pedido, por parte do povo, por mais formação. Dom Walmor, depois da II Assembleia, designou o Pe. Luiz Eustáquio dos Santos Nogueira para organizar um projeto de formação para leigos na Arquidiocese. Nasce, então, o “Projeto Teologia Viva”, que se coloca como um segmento do “Projeto de Evangelização Igreja Viva” da Arquidiocese, com o objetivo primeiro de tornar acessível a um grande número de pessoas os conteúdos fundamentais da fé cristã, mediante um curso de iniciação bíblico-teológica. O Projeto iniciou com seis núcleos, com duração de três anos, em todas as Regiões Episcopais. Hoje, estamos no 11º. ano, com onze turmas abertas e quatro turmas em missão, especialmente nos meses de janeiro e julho.

O Projeto Teologia Viva trabalha com monitores vindos dos vários institutos da Arquidiocese que se dedicam à formação bíblico-teológica. A maior parte deles são egressos do SAB (Serviço de Animação Bíblica) das Paulinas e do CEFAP (Centro de Formação de Agentes de Pastoral) da Arquidiocese de Belo Horizonte, na PUC Minas, frutuosa parceria que dura até hoje.

Depois de um ano de experiência avaliada positivamente pelos monitores, alunos e párocos, diante do apelo dos bispos do Norte por auxílio na formação dos leigos, na Campanha da Fraternidade de 2007, partimos também para a Amazônia. Demos nossa disponibilidade a Dom Walmor que nos acolheu e direcionou para a responsável pelo setor da CNBB, Ir. Cecília Tada, que nos disse: “Vocês são a resposta de Deus para os pedidos que temos recebido aqui.”

Percebemos, em todos os lugares por onde temos ido, no interior de Minas Gerais, na Amazônia, na Arquidiocese de Belo Horizonte, que o desejo de aprofundar a própria fé é comum a todos os cristãos que estão engajados num caminho sério. Ao mesmo tempo, quando alguém aprofunda a própria fé é natural que se torne um anunciador e uma testemunha qualificada. Portanto, formação e evangelização caminham de braços dados.

Veja também: Projeto Teologia Viva: formação teológica para leigos

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Por Aurea Marin Burocchi é professora da PUC-Minas e ISTA (Instituto Santo Tomás de Aquino-Belo Horizonte). Doutora em Teologia Sistemática pela FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia). Pós-Doutorado pela mesma Faculdade. Faz parte da Coordenação do Projeto Arquidiocesano de Formação Teologia Viva.

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