Mais de 70 organizações, movimentos sociais, populares e sindicais assinam nota em solidariedade a Frei Gilberto Teixeira que foi ameaçado de morte no último dia 19 de fevereiro, em razão de sua atuação contrária a ampliação dos projetos de mineração de bauxita na da Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais, distrito de Belisário (Muriaé-MG).

Após a celebração de uma missa, Frei Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos e responsável pela Paróquia de Belisário, foi abordado por um homem armado que o ameaçou devido aos seus posicionamentos contrários aos projetos das mineradoras na região.

As organizações signatárias da Nota de Solidariedade repudiam a ameaça e exigem dos órgãos “a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região”. Confira a Nota completa abaixo.

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente por sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Há 20 anos as comunidades e organizações populares do entorno da Serra do Brigadeiro se mobilizam contrárias aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração de bauxita na região, que tem à frente a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim.

Nos últimos meses a luta histórica das comunidades se intensificou, principalmente em razão dos projetos que preveem a ampliação da mineração no distrito de Belisário. Essa luta, que é fruto da articulação de vários movimentos, conta com o apoio de Frei Gilberto Teixeira, padre da Paróquia de Belisário.

“O atentado contra o companheiro Frei Gilberto, um padre que se coloca de forma abnegada em defender os direitos das comunidades e construir um projeto justo e sustentável no território da Serra do Brigadeiro, é um sintoma claro de que nossa articulação e lutas contra o capital mineral na região tem avançado de forma acertada. Este episódio, ao invés de nos amedrontar ou enfraquecer, fortalece nossa convicção e certeza de que devemos intensificar a luta pela consolidação da Serra do Brigadeiro como um território livre de mineração”, ressalta Luiz Paulo, da coordenação estadual do MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração, em Minas Gerais.

Em setembro de 2016, a comunidade de Belisário realizou uma Assembleia Popular que debateu os impactos da mineração de bauxita na região, no mês seguinte um ato com a participação de moradores do Distrito reafirmou os anseios da comunidade com a palavra de ordem: Mineração? Aqui Não!

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Nota de solidariedade ao Frei Gilberto
e à luta contra a mineração na Serra do Brigadeiro

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente pela sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Dentre as mineradoras que atuam na região, a principal delas é a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que no último período tem intensificado a pressão nas comunidades para a expansão do empreendimento e exploração dos territórios. Apesar da CBA utilizar inúmeras estratégias de má fé para enganar as famílias, as comunidades não têm aceitado a possibilidade da perda de seus modos de vida para um projeto de mineração que nada tem a oferecer ao bem-estar social local. Nesse sentido, diversas organizações, entre movimentos populares, sindicatos, pastorais sociais, grupos religiosos, ONG’s e pesquisadores tem atuado conjuntamente na defesa do território, construindo lutas e fazendo resistência aos intentos dos interesses do capital mineral em saquear o território.

No último período, diversas ações foram realizadas na região da Serra do Brigadeiro para denunciar e repudiar a atuação da CBA. Estas ações têm gerado cada vez mais a ampliação da consciência das comunidades locais sobre os impactos e riscos da chegada deste modelo de mineração e ao mesmo tempo gerado também reações de coação às lutas e, até mesmo, ameaças aos sujeitos envolvidos na defesa do território.

No último domingo, dia 19 de fevereiro, o companheiro Frei Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos do distrito de Belisário (Muriaé – MG), ao finalizar a celebração da missa de domingo foi covardemente abordado por um pistoleiro armado que o ameaçou devido aos seus posicionamentos contrários aos projetos pretendidos pelas mineradoras. O pistoleiro enfatizou em sua abordagem que naquele momento era só um aviso, mas que, se o Frei Gilberto continuasse atuando junto aos movimentos de resistência e se posicionando contra a mineração ele retornaria para matá-lo. Além da ameaça à vida, o pistoleiro ainda sinalizou que Frei Gilberto está sendo monitorado de perto: forneceu informações sobre todas as viagens recentes e ainda sabia conteúdo da fala do Frei em diversos eventos. O que pode significar que o Frei Gilberto está sendo grampeado e seguido em todas suas ações.

Diante do episódio, manifestamos publicamente o repúdio ao tal acontecimento e exigimos dos órgãos responsáveis a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região.

Muriaé – MG, 23 de fevereiro de 2017.

1. Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade (AFES)

2. Associação Alternativa Terrazul
3. Associação de Pequenos Agricultores de Miradouro
4. Associação Franciscana Santa Maria dos Anjos
5. Brigadas Populares
6. Cáritas Diocesana de Leopoldina
7. CASA – Centro de Análise Socioambiental
8. CDDH da Serra – ES
9. CEIFAR – ZM
10. Centro Alternativo de Formação Popular Rosa Fortini
11. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
12. Comissão de Justiça e Paz
13. Comissão Pastoral da Terra (CPT)
14. Comissão Pró-Índio de São Paulo
15. Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos – CBDDH
16. Comitê Estadual (MG) da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
17. Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração
18. Consulta Popular
19. CRESOL Fervedouro
20. CUT – MG
21. Escola Família Agrícola da Serra do Brigadeiro (EFASB)
22. Escola Família Agrícola Dom Luciano
23. Escola Família Agrícola Puris
24. Escola Nacional de Energia Popular (ENEP)
25. FBOMS – Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais para o Meio
26. FOMENE
27. Fonasc – Fórum Nacional de Solidariedade Civil na Gestão de Bacias Hidrográficas
28. Fórum Mudanças Climáticas
29. GEPSA/UFOP (Grupo de Estudos e Pesquisas Sociambientais da UFOP)
30. GESTA – Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais – da UFMG
31. Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS)
32. Grupo Rede Congonhas
33. Grupo Tortura Nunca Mais (Bahia)
34. IBASE
35. IBEIDS – Instituto brasileiro de Educação Integração e Desenvolvimento Social
36. Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos
37. Instituto Universo Cidadão
38. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
39. Justiça Global
40. Justiça Global
41. Justiça Social
42. Kathiuça Bertollo – Professora da UFOP
43. Levante Popular da Juventude
44. Mandato Coletivo e Participativo Deputado Federal Padre João
45. Mandato Deputado Estadual André Quintão
46. Mandato Deputado Estadual Rogério Correia
47. Mandato Vereador de Rosário de Limeira Davi Aparecido de Oliveira
48. Marcelo Leles Romarco de Oliveira, professor Dr. do DER-UFV e Coordenador do projeto de essoria a Comunidades Atingidas por Barragens e Mineração-PACAB
49. Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
50. Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST)
51. Movimento Evangélico Popular Eclesial (MEPE)
52. Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
53. NEA – Núcleo de Estudos em Agroecologia
54. NETTE – Núcleo de Estudos em Educação, Tecnologia e Trabalho
55. Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (NACAB)
56. Observatório dos Conflitos no Campo (OCCA)/UFES
57. Pastoral da Juventude Rural (PJR)
58. Programa de Extensão Mineração do OuTro: Programa Marxista de cultura e Crítica Social’
59. Projeto de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens e Mineração (PACAB)
60. REAJA – Rede de Articulação e Justiça Ambiental dos Atingidos Projeto Minas-Rio
61. Rede Ambiental do Piauí-REAPI
62. Rede Igrejas e Mineração
63. Rede Justiça nos Trilhos
64. Rede SAPOQUI
65. Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia – Sinfrajupe
66. Serviço SVD de Jupic
67. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão do Monte Alto, Rosário de Limeira e Muriaé
68. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miradouro
69. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palma
70. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio de Muriaé
71. Sindute – MG
72. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH
73. Unaccon – União das Associações Comunitárias de Congonhas

DIOCESE REPUDIA AMEAÇA DE MORTE

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Frei Gilberto Teixeira

A Diocese de Leopoldina divulgou nota em seu site, assinada pelo bispo Dom José Eudes Campos do Nascimento e pelo Chanceler do Bispado Pedro Lopes Lima, repudiando a ameaça de morte sofrida pelo Frei Gilberto Teixeira no último final de semana, em Belisário, distrito de Muriaé. O comunicado relata ainda que as autoridades foram acionadas e medidas já foram tomadas pela Diocese visando a segurança pessoal do sacerdote.

Na manhã desta sexta-feira (23) o bispo Dom José Eudes, informou por telefone ao Departamento de Jornalismo da Rádio Muriaé que, a princípio, tanto a Diocese quanto Frei Gilberto não irão se pronunciar sobre o ocorrido, ficando limitado apenas a nota já publicada.

O caso foi registrado na 32ª Delegacia de Polícia Civil em Muriaé, no bairro Safira, e as investigações já estão em andamento a fim de identificar o autor da ameaça.

A Diocese encerra a nota desejando “que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!”

Confira abaixo a nota divulgada pela Diocese de Leopoldina na íntegra:

No último dia 19 de fevereiro, domingo, o nosso querido Frei Gilberto Teixeira, Administrador Paroquial da Paróquia de Santo Antônio, em Belisário, distrito de Muriaé, sofreu um atentado por ameaça de morte, com a exibição de arma de fogo. Foi abordado quando, encerrada a missa dominical com sua comunidade, entrou, sozinho, na casa paroquial. O bandido fez questão de lhe informar que o acompanha em todos os seus atos e movimentos, nos últimos tempos. Impôs-lhe que se calasse em todos os pronunciamentos sobre os direitos dos seus paroquianos, para não ser morto. E que era o último aviso.

Frei Gilberto, em sua função missionária, como deve ser, vem prestando assistência e apoio aos pequenos agricultores de sua comunidade, na luta contra a espoliação de suas terras e a degradação das áreas de lavouras familiares. Em nosso País, como temos assistido com muita dor, os ditos “grandes empreendimentos” não suportam argumentação que contrarie seus planos, sabedores de que sempre sairão vitoriosos. Pelo que, ignoram qualquer bem-estar ou direito dos fracos. Se entender necessário, desprezam até mesmo a vida humana dos contraditores. Irmã Dorothy é uma das nossas mais recentes e dolorosas memórias…

Diante deste monstruoso atentado, a Diocese de Leopoldina não pode nem vai se calar, enquanto a questão for a segurança, o direito e o bem-estar de nosso Clero e das nossas comunidades. Frei Gilberto fazia o que toda a nossa Diocese faz e fará sempre. Temos compromisso com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua milenar opção pelos mais sem-voz e sem-vez e, nestes últimos tempos, acompanhando o Santo Padre, o Papa Francisco, no “Cuidado com a Casa Comum”, na recomendável leitura de sua Carta “Laudato SÌ”. A vida de nosso povo e o meio-ambiente saudável não são questão secundária para a nossa Igreja. “Que todos tenham vida e a tenham em abundância” – como o Senhor Jesus proclamou.

Tornamos público que todas as medidas necessárias à segurança pessoal de Frei Gilberto estão sendo tomadas e que as autoridades foram devidamente acionadas para que se investigue e que o autor, e o mandante se for o caso, sejam criminalmente responsabilizados.

Assim, esperamos que o mandante retire suas sentenças e que as autoridades constituídas venham em socorro imediato daquelas comunidades, para que se assegurem os sagrados direitos às suas pequenas propriedades, à proteção aos saudáveis e ricos mananciais de água potável de extraordinária qualidade que ali nascem. E, por fim, que os serviços de evangelização e expressões religiosas não venham jamais ser amordaçados. E que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!
Leopoldina,23 de fevereiro de 2017
Dom José Eudes Campos do Nascimento – Bispo Diocesano

América Latina
A ameaça sofrida por Frei Gilberto Teixeira é retrato do cenário vulnerável das pessoas que atuam em defesa dos direitos humanos. Desde o início de 2017, 14 pessoas defensoras dos direitos humanos foram assassinadas na América Latina. A denúncia é da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos – OEA, que emitiu um comunicado no dia 7 de fevereiro para alertar sobre os números. No informe, a entidade “reitera sua preocupação pelas pessoas defensoras dos direitos à terra e aos recursos naturais, e as pessoas defensoras indígenas e afrodescendentes que continuam enfrentando grandes riscos de violência”.

Fonte:

www.franciscanos.org.br

e

Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade – AFES

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