Em nossa última postagem, apresentávamos a reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para o Domingo de Ramos, na qual nos dizia: “Outro ensinamento, agora colhido da leitura da Paixão, este ano, a de São Mateus, é sobre a retaliação e a paz. Jesus impede que Pedro continue sua ação de punir o soldado que o ofendera e diz a ele: ‘Guarde a espada na bainha!’ e cura Malcolm. Somos filhos da paz! Nosso Rei é o Príncipe da Paz, o Pacificador.” Reflexão pertinente e urgente nestes tempos em que o sangue escorre pelas telas de todas as mídias, refletindo a intolerância, a ambição, o medo.

Egito domingo de ramos 2

E, mais uma vez, somos bombardeados com uma onda de dor. Desta vez o lamento vem do Egito. Aqui e ali, ouvimos e lemos que são mais de 70 os gravemente feridos e 43 os mortos após duas explosões, uma em Tanta outra em Alexandria, ocorridas em igrejas coptas enquanto os cristãos celebravam a Eucaristia neste Domingo de Ramos. Essas pessoas morreram pelo simples fato de serem cristãs. São mártires, portanto. Como são mártires tantas e tantos mundo afora, mesmo aqui, ao nosso lado, que teimam em dar testemunho até o extremo – como Jesus, que amou-nos até o fim –  por acreditar e lutar por outra realidade, onde a justiça, a inclusão, a solidariedade vigorem; onde os valores do Reino de Deus: amor-serviço expressos no lava-pés, prevaleçam nos mais diversos âmbitos de nossas relações. A utopia do Reino que, desde Jesus de Nazaré, já está entre nós, mas ainda não plenamente, razão pela qual necessitamos torná-la realidade através de nossas ações em todos os âmbitos: políticos, familiares, culturais, eclesiais, ecológicos… A importância da abertura verdadeira, do diálogo, do encontro. Só assim poderemos entrar com o Messias esperado em Jerusalém, a cidade sagrada, a cidade da paz.

Essas explosões foram reivindicadas pelo grupo que se autodenomina Estado Islâmico, mas a palavra Islam deriva de “salam”, raiz árabe cujo significado é paz. Estes que desejam ser conhecidos como islâmicos são terroristas, não verdadeiros muçulmanos pois não se submetem ao Deus da Paz, prerrogativa islâmica. Esses pseudo-islâmicos, possivelmente, desejam minar as possibilidades do diálogo do Papa Francisco com os líderes muçulmanos, com o Patriarca Teodoro II, da Igreja Copta do Egito e com autoridades governamentais daquele país, em sua viagem, prevista para o próximo dia 28.

Em um só coração, uma só alma, unamo-nos aos cristãos coptas egípcios em oração e ousemos transformar nossa realidade. Estender nossos mantos e ramos para que entre o Príncipe da Paz em nossas vidas é comprometermo-nos com seu Reino de justiça, integridade e vida plena para todos.

Tânia Jordão.

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