Fazer uma opção e concretizá-la de forma coerente é um desafio contínuo a cada passo. As opções, quando verdadeiras, tornam-se urgências irrenunciáveis e devem, por isso, nortear as escolhas e prioridades das comunidades de fé com seus ministros e conselheiros e conselheiras.

Vejamos a reflexão catequética de Neuza a partir do segundo compromisso do Projeto de Evangelização “Proclamar a Palavra”, fruto da 5ª Assembleia do Povo de Deus, a opção preferencial pelos pobres:

Proclamar a palavra: opção preferencial pelos pobres

Os acontecimentos da vida de Jesus foram fonte de inspiração para os seus discípulos e discípulas. Do mesmo modo, deverão ser também para nós. A prática libertadora de Jesus nos ajuda a discernir os critérios que hão de inspirar, balisar e (re)descobrir nossa identidade e missão no contexto atual. Afinal, somos chamados a ser seguidores e seguidoras de Jesus, o Cristo ressuscitado.

A Igreja, para cumprir sua missão de evangelizar, impulsionada pelo Espírito Santo, acolhe, reza a Palavra que salva, escuta os sinais dos tempos, revê práticas pastorais para bem discernir os caminhos que deve percorrer e os desafios que deve superar.

Nas Diretrizes Gerais da Evangelização da Igreja no Brasil encontram-se as urgências que foram identificadas nas assembleias e propostas para que as mesmas sejam concretizadas nos planejamentos das Igrejas particulares. Todas as urgências indicadas devem ser trabalhadas em seu conjunto. De um modo pedagógico essa ação conjunta expressa um grande passo ao qual toda a Igreja é chamada em nossos dias: reconhecer-se em estado de missão, uma missão que provém de Jesus Cristo e se encontra ancorada no cerne da mensagem bíblica. Ser missionária é função ministerial da Igreja e traz consigo a expressão da novidade de Jesus e de sua presença contínua através da história.

Nesse sentido, a nossa Igreja particular, ao assumir as urgências da Igreja em seu conjunto, no desejo de que as mesmas contribuam para que a alegria do Evangelho renove nossas comunidades e nos mantenham firmes na missão, nos convida a assumir como compromisso a Opção preferencial pelos pobres, os que se encontram à margem, nas periferias existenciais.

Uma Igreja em saída, como nos diz o Papa Francisco, nos leva a percorrer um caminho eficaz de evangelização nos vários lugares como: local de trabalho, moradias de estudantes, nas favelas, nos alojamentos dos trabalhadores, nas instituições de saúde, nos assentamentos, nas prisões, junto às pessoas em situação de rua, dentre outros, promovendo uma autêntica evangelização, a partir de Jesus Cristo. Somos chamados a viver o que vivem os demais, mas viver tais realidades de modo cristão.

Fomentando esse processo de evangelização, também se procede à realização de iniciação á vida cristã, valorizando a experiência de vida de cada pessoa, pequenos grupos, pequenas comunidades, ajudando-os a reconhecerem a própria busca de Deus e a se abrir à sua manifestação e ação salvadora. É a Igreja se fazendo presente nas diversas realidades, junto aos pobres, no desejo de ajudar as pessoas a fazerem a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, compartilhando alegrias e angustias e caminhando para a construção de uma sociedade fraterna e justa que prenuncie a plenitude do Reino.

TL1

Os cristãos são chamados a compartilhar com todo ser humano a boa notícia do banquete do Reino, que foi inaugurado pelo Deus revelado na humanidade de Jesus Cristo. Como nos recorda o Concílio Vaticano II, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias do ser humano de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Os acontecimentos da vida de Jesus foram fonte de inspiração para os seus discípulos e discípulas. Do mesmo modo, deverão ser também para nós. A prática libertadora de Jesus nos ajuda a discernir os critérios que hão de inspirar, balisar e (re)descobrir nossa identidade e missão no contexto atual. Afinal, somos chamados a ser seguidores e seguidoras de Jesus, o Cristo ressuscitado.

Hoje, colocamos-nos frente ao desafio de retornar à vida de Jesus, de ler os Evangelhos e de nos reencontrar-nos com o Deus do Reino. Voltar a Jesus significa voltar ao Espírito com o qual Ele viveu sua humanidade e, a partir daí, discernir a nossa vocação e missão enquanto membros da mesma humanidade. É procurar encontrar Deus onde Jesus o encontrou: junto aos mais pobres em seus anseios de libertação e vida em plenitude. É se colocar disponível para o essencial: viver a vida como serviço para que os outros tenham possibilidades de uma existência melhor. O modo como Jesus viveu nos revela que Deus quer a realização plena e feliz da pessoa humana. Assim somos chamados a viver: praticar o discernimento que causa em nós uma mudança de mentalidade para viver a partir da lógica da reciprocidade gratuita.

(os grifos são nossos)

Neuza

Neuza Silveira de Souza

Teóloga leiga, com especialização em teologia pastoral voltada para a catequese, objeto de  sua especialização e pesquisa de mestrado. Atualmente, coordena da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética da Arquidiocese de Belo Horizonte.

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