“Esta Pontifícia Comissão para a América Latina não pretende projetar seus próprios delineamentos e necessidades à Igreja universal, mas pensa seriamente a questão de um Sínodo da Igreja universal sobre o tema da Mulher na vida e missão da Igreja”.

A Igreja latino-americana deu o primeiro passo para o necessário reconhecimento da mulher na instituição. Em todos os níveis. Um caminho apoiado por Francisco e que não tem recuo.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 12-04-2018. A tradução é do Cepat.

 

Esta é uma das principais conclusões de um encontro realizado pela Pontifícia Comissão para a América Latina, com o lema A mulher, pilar na edificação da Igreja e da sociedade na América Latina. Entre outras, os responsáveis admitem que

continuam existindo clérigos machistas, mandões, que pretendem usar as mulheres como servas dentro de sua paróquia, apenas como clientela submissa dos cultos e mão de obra bruta para o que for preciso”, e são categóricos na resposta: “Tudo isto precisa acabar”.

As mulheresprecisam ser reconhecidas e valorizadas como corresponsáveis da comunhão e missão da Igreja, presentes em todas as instâncias pastorais de reflexão e decisão pastorais”. Ao mesmo tempo, recordam que

é possível e urgente multiplicar e ampliar os postos e as oportunidades de colaboração de mulheres nas estruturas pastorais das comunidades paroquiais, diocesanas, em níveis das Conferências episcopais e na Cúria Romana”.

O documento final, divulgado nesta quarta-feira, afirma que

a mudança de época na qual estamos imersos e que requer por parte da Igreja uma nova proposta dedinamismo missionário, exige uma mudança de mentalidade e um processo de transformação análogo ao que o Papa Francisco conseguiu concretizar com as assembleias do Sínodo sobre a Família – que levaram à exortação apostólica Amoris Laetitia – e que agora se propõe com a próxima assembleia sobre os jovens”.

Este trabalho pela sinodalidade, também deve, segundo a Pontifícia Comissão para a América Latina, “estar livre de preconceitos, estereótipos e discriminações sofridas pela mulher”. Ao mesmo tempo, pede às comunidades cristãs “realizar uma séria revisão” para “pedir perdão por todas as situações em que foram e ainda são cúmplices de atentados contra sua dignidade”.

O documento acrescenta que as igrejas locais precisam ter

a liberdade e a coragem evangélica de denunciar todas as formas de discriminação e opressão, de violência e exploração sofridas pelas mulheres, em diferentes situações, e para introduzir o tema de sua dignidade, participação e contribuição na luta pela justiça e a fraternidade, dimensão essencial da evangelização”.

Por isso, “convida-se todas as instituições católicas de ensino superior, em particular as faculdades de teologia e filosofia, a continuar aprofundando uma teologia da mulher, à luz da tradição e do magistério da Igreja, de renovadas reflexões teológicas sobre a Trindade e a Igreja, de desenvolvimento das ciências, em especial da antropologia, como também das atuais realidades culturais dos movimentos e aspirações das mulheres”, declara a Pontifícia Comissão para a América Latina.

Que se promova em todas as igrejas locais e através das conferências episcopais um diálogo franco e aberto entre pastores e mulheres comprometidas em diversos níveis de responsabilidade (dirigentes políticas, empresariais, líderes de movimentos populares e comunidades indígenas)”, conclui o documento, que poder ser lido na íntegra, aqui.

(Os grifos são da equipe executiva do Observatório da Evangelização)

Fonte:

IHU

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