5ª APD: Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura realiza Assembleia

“Assembleia é o que nós temos que ser. Pessoas reunidas, motivadas pela ação.” Com essas palavras o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, iniciou a Assembleia do Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura (VECC), em sequência aos processos da 5ª Assembleia do Povo de Deus (APD).

O encontro aconteceu no sábado, 24/09, das 08h às 13h, no auditório da PUC Minas no Campus Coração Eucarístico, e contou com a presença de profissionais da área de comunicação e cultura atuantes na Arquidiocese de Belo Horizonte. Estiveram lá representantes da Rede Catedral de Comunicação, Assessoria de Comunicação e Marketing, Pastoral da Comunicação e Pastoral da Cultura.

A acolhida calorosa ficou por conta do grupo Encontro de Casais com Cristo (ECC) da Paróquia Sagrados Corações/BH, em seguida, já no auditório, a animação partiu da voz e viola de Chico Lobo, violeiro, cantor e compositor mineiro, que faz parte do quadro artístico da Rede Catedral de Comunicação. Logo após, a comissão organizadora iniciou um breve momento de reflexão, guiados pela oração e hino da 5ªAPD, e finalizou com a consagração à Nossa Senhora da Piedade, padroeira do Estado de Minas Gerais.

Em sequência, após exibição de um vídeo de dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, dom Joaquim Mol, bispo referencial para o VECC, falou brevemente sobre os importantes motivos de se realizar uma Assembleia durante os processos que envolvem a 5ª APD, principalmente por ser a primeira no âmbito da comunicação e da cultura, uma forma de agregar as duas vertentes no mesmo ideal. “Estamos reunidos, com tantos profissionais da comunicação, para colocar em comum os muitos sentidos da cultura.” Afirmou.

Para iniciar os trabalhos foram divididos 18 grupos entre as temáticas comunicação e cultura. Cada grupo, com seu coordenador previamente definido, dirigiu-se à sala e iniciou um diálogo para escolha das propostas nas três dimensões da ação evangelizadora na Arquidiocese de BH.

No que se refere à dimensão Espiritualidade Encarnada no âmbito da Comunicação muitas propostas foram colocadas, porém, três delas é que serão apresentadas à 5ª APD:

  • Fortalecer a fé e a espiritualidade do povo de Minas Gerais nos diversos veículos de comunicação da Arquidiocese.
  • Maior aproximação com a PASCOM. Colocar a PASCOM em lugar estratégico na Arquidiocese de BH, como mediadora da comunicação entre a Paróquia e a Arquidiocese.
  • Atrair o segmento infantil através de programas de rádio e TV. Investir mais nas crianças, com conteúdo específico para a catequese.

Já na dimensão Vida Comunitária as propostas foram:

  • Criar um programa para crianças e adolescentes, interpelando, dentre outros temas, a catequese por meio de uma linguagem simples, sensibilizando o público para o anúncio da palavra de Deus e a vivência comunitária.
  • Acolher através da comunicação de modo que os públicos sintam-se representados como cidadãos.
  • Seguir o exemplo do Papa Francisco na promoção da Cultura do Encontro. Preparar os líderes da Igreja para usarem linguagem positiva, espontânea e simples, com respeito às diferenças.

E por fim, na dimensão Inserção Social, as contribuições foram:

  • Tornar os programas da TV Horizonte mais acessíveis aos deficientes por meio da inserção de comunicação assistiva (libras e audiodescrição).
  • Ampliação do Arquidiocese em Movimento para conteúdo audiovisual, aumentando a visibilidade dos projetos sociais da Arquidiocese. Esses produtos podem contribuir para uma rede de solidariedade com as causas trabalhadas em diversos projetos; Induzir a produção audiovisual de grupos excluídos para que eles retratem sua própria realidade (oficinas para capacitação).
  • Oferecer discussões de assuntos relacionados à vida social e política na Arquidiocese de Belo Horizonte e promover a formação da consciência crítica dos telespectadores, ouvintes e internautas.

No âmbito Cultural, pensando também nas dimensões da ação evangelizadora da Arquidiocese de Belo Horizonte, os grupos definiram propostas a serem reorganizadas antes de serem entregues à 5ª APD, e em algumas delas é possível identificar os caminhos pastorais importantes que inspiram a missão, dentre elas:

  • Criar uma educação evangelizadora da comunidade local, com formações culturais que abordem a história da Arquidiocese e a própria história da fé, doutrina e religião católica.
  • Fazer levantamento das expressões culturais presentes nas comunidades para que sejam socializadas.
  • Cultivar uma espiritualidade popular, encarnada na cultura do simples.
  • Valorizar expressões culturais da comunidade local.

Nas definições dos grupos que dialogaram a presença e atuação da cultura como ação evangelizadora, foi pontuado que é necessário pensar em aparatos culturais que expressem as raízes do povo e criem relações e identificação religiosa nas comunidades, pois há pouca reflexão do compromisso religioso nesse aspecto.

Os momentos finais da Assembleia do VECC foram marcados por uma expectativa do que se resultará a partir de todas as propostas. Os participantes se sentiram envolvidos e responsáveis por ajudar para que os encaminhamentos se cumpram, na esperança de que outras Assembleias do Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura se realizem, buscando, dessa forma, o diálogo do Evangelho para comunicar ao coração do outro e dialogar com as culturas em sua riqueza e diversidade.

Por: Janaína Gonçalves (ANIMA – PUC Minas)

Fotos: Camilla Moreira (Observatório da Evangelização)

Cidadão, operário da paz

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A importância da paz em nossas vidas e, sobretudo, a corresponsabilidade em se conquistá-la e promovê-la é necessidade permanente, pois o comprometimento desse dom vem de deficiências em posturas individuais. Essas condutas geram terríveis focos de tensão: conflitos causados pelas desigualdades entre ricos e pobres, a mentalidade egoísta e individualista do capital financeiro desregrado, terrorismo e criminalidades, fanatismos e fundamentalismos religiosos. Esses e outros males ameaçam, continuamente, a paz.

Na direção oposta das atitudes que geram colapsos, há uma lista de “obras do bem” que enriquecem o mundo e indicam que a vocação natural de cada pessoa é ser operário da paz. Importa, nesse sentido, investir sempre, em todas as circunstâncias e de diversos modos, no cultivo pessoal da aspiração pela paz, compreender esse anseio como essencial. Assim, todos precisam reconhecer que cada ser humano nutre, na sua interioridade, o desejo de uma vida feliz, plena e bem-sucedida. Não se alcança essa meta sem que cada um, com a própria força, faça de si um coração de paz. Quem não se dedica a esse compromisso torna-se empecilho para a paz. Esse dom de Deus depende do comprometimento e convicção na busca por um humanismo integral, fundamentado no irrestrito respeito  à dignidade de cada pessoa.

Por isso, é preocupante a desumanização em curso no cenário mundial, impeditivo para a consolidação dos alicerces fundamentais às sociedades solidárias e fraternas. Esse grave processo gera desgastes e perdas que podem se tornar irreversíveis. Na sua raiz, estão pessoas perigosas, que desconhecem qualquer sentido humanístico e, portanto, ignoram o significado do dom de viver. Consequentemente, tornam-se peso sobre os ombros da humanidade e fazem da conquista da paz uma tarefa ainda mais difícil. Percebe-se, assim, que é indispensável a cada pessoa recompor a gramática inscrita em seu coração pelo Divino Criador, com a ajuda indispensável de vivências familiares, dinâmicas educativas e culturais.

Nesse horizonte, é inquestionável a importância de se reconhecer que há um direito natural e, ao mesmo tempo, diretriz, que não se estabelece a partir do que está no lado de fora da interioridade. Trata-se de uma convocação que se inscreve na natureza do ser humano, para realizar fielmente o projeto universal divino. Desconhecer ou tratar com descaso e indiferença essa verdade corrói a possibilidade da conquista da paz, pois compromete a condição humana de ser coração da paz. Não basta a quietude ou se compreender como “inofensivo”. Quando um indivíduo adota princípios individualistas que se transformam em mesquinharia, contribui para enfraquecer a dimensão social e comunitária que é intrínseca ao sentido autêntico de paz.

Assim, é imprescindível o irrestrito e incondicional respeito à dignidade de cada ser humano, que é imagem do Criador.  Trilhar essa direção traz como consequência a superação de toda arbitrariedade. É conduta com força transformadora, que reconfigura os cenários da sociedade. Faz com que as pessoas detentoras de maior poder econômico e político não aproveitem dessa condição para atropelar direitos dos menos favorecidos. Quando se respeita a dignidade de cada pessoa, adotando essa conduta como princípio, realidades degradantes são reconfiguradas com velocidade meteórica.

Por isso mesmo, as instituições todas têm o dever de se tornar protetoras dos direitos fundamentais. De modo muito especial, é preciso promover o respeito à vida e à liberdade religiosa, sob pena de nunca se poder alcançar a paz. O respeito à vida em todas as suas etapas há de se tornar um compromisso inegociável. A defesa da liberdade na vivência da fé exige diálogo e reciprocidade, a consideração fundamental de que o ser humano está em permanente relação com um princípio transcendente e fundamental para a existência.

Com convicção, deve-se reconhecer que o direito à vida e à livre expressão da fé em Deus não está nas mãos do homem. São princípios que não podem ser desrespeitados por relativismos éticos e morais. Quando são desconsiderados esses direitos, há séria ameaça à cidadania, ao compromisso de cada pessoa em se empenhar para promover a paz. E os resultados serão sempre nefastos para a humanidade, que vagará, cada vez mais, sem rumo, como gente perdida justamente por não conseguir ser cidadão, operário da paz.

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Assembleia da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança – RENSE no caminho da 5ª APD

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança – RENSE

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 13h30 às 17h00

Local: Salão da Paróquia São Francisco das Chagas

Observadores: Janaína Gonçalves e Joel Maria dos Santos

 

Chegada e início da Assembleia

Conforme estava programado em todas as quatro regiões da Arquidiocese de Belo Horizonte, a Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança – RENSE realizou a sua Assembleia no sábado, dia 03 de setembro, na parte da tarde. O evento foi marcado pelo entusiasmo e descontração, leveza e liberdade.  As 13:30hs iniciou-se a mesma com a acolhida das pessoas, que eram cadastradas através do preenchimento de uma ficha apropriada, contendo sua identificação, função e a paróquia que pertencia. Todos foram devidamente acolhidos com afeto e alegria. Iniciou-se o momento de oração, sendo realizado o ofício divino das comunidades, dirigido pelo pe. Júlio César Gonçalves Amaral e com a participação de outros membros leigos em diversos momentos como leitura bíblica, salmo, preces e hinos. Foi um momento forte de espiritualidade que terminou com o hino da 5ª APD cantado por todos

Presença e participação

A assembleia contou com a presença de cerca de 180 pessoas, compreendendo leigos e leigas das várias comunidades, do curato São Domingos e paróquias que compõem a Região. Havia um bom número de presbíteros, alguns religiosos(as), conselheiros(as) das paróquias, das foranias, da região e dois representantes de cada paróquia escolhidos por ocasião das assembleias paroquiais. Estavam presentes também o vigário episcopal, frei Adilson Corrêa e o bispo auxiliar responsável da região, dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães. Percebia um interesse por parte dos participantes em fazerem-se presentes, e ao mesmo tempo contribuir com o processo do caminho da 5ª APD.

Metodologia de participação

Terminado o momento de espiritualidade, conforme constava nas orientações das assembleias feitas pelo Vicariato para a ação pastoral (VEAP), os participantes da assembleia assistiram ao vídeo motivador do caminho da 5ª APD. Após esta apresentação, foi dado início aos trabalhos da assembleia. A síntese do texto motivador  foi apresentada pelo vigário episcopal, que destacou as razões pelas quais realizar uma assembleia, a importância de se deixar conduzir pela força da Palavra de Deus como aquela que nos desafia a respostas novas frente a contextos novos como uma “Igreja da Palavra”, “de Palavra” e uma “Igreja – Palavra”. Falou-nos também da assembleia como oportunidade de um novo compromisso não só com o anúncio, bem como com a construção do Reino de Deus. Neste horizonte, destacou-se a importância do ministério da Palavra como serviço na vida das comunidades e participação efetiva na missão evangelizadora da Igreja na vida do mundo. Após a apresentação dessa síntese, o frei Adilson passou a palavra à coordenadora da pastoral do dízimo da RENSE, Renata Senhorinha Santiago, que apresentou a síntese dos trabalhos das paróquias e foranias no que se refere às prioridades em cada uma das dimensões como contribuição à assembleia regional. Foi possível observar que algumas foranias definiram suas prioridades permitindo haver repetições nesse quesito, ou seja, as paróquias não condensaram temas que tinham a mesma prioridade. São elas:

  1. Dimensão da Espiritualidade Encarnada:
  • Ministério da Palavra;
  • Leitura orante e círculos bíblicos;
  • Acolhida missionária à diversidade;
  • Formação;
  • A Palavra de Deus em primeiro lugar;
  • Formação catequética;
  • Integração da juventude.
  1. Dimensão da vida comunitária:
  • Pastoral da acolhida;
  • Pastoral da juventude;
  • Grupos de missionários;
  • Acolhimento à diversidade;
  • Capacitação dos conselhos pastorais;
  • Reestruturar e/ou criar a Pascom;
  • Pastoral de conjunto favorecendo a integração entre as paróquias;
  • Formação e valorização dos ministros leigos (as).
  1. Dimensão Inserção Social:
  • Promover ações de conscientização sociopolítica;
  • Resgatar e acompanhar os grupos de fé e política;
  • Presença missionária junto aos desassistidos;
  • Despertar de ações sociais de misericórdia;
  • Divulgação das ações voltadas para as pastorais sociais;
  • Promoção da inserção social e política através das semanas sociais;
  • Mapeamento das ações sociais nas paróquias;
  • Formação da consciência crítica e política de nossas comunidades.

Orientação do trabalho em grupo

Logo após a apresentação da síntese acima, Renata Senhorinha orientou o passo seguinte que foi o trabalho em grupos. Os participantes da assembleia foram divididos em nove grupos sendo que cada um, ao chegar, recebeu um número correspondente ao grupo que haveria de participar. Foram formados três grupos para cada dimensão assim distribuídos: de 1 a 3 com o tema Espiritualidade Encarnada e de comunhão; de 4 a 6 com a dimensão da vida comunitária, e de 7 a 9 a dimensão da inserção social. O trabalho de cada grupo consistiu em reler as prioridades apresentadas anteriormente pelas paróquias e foranias, escolher três prioridades dentre as apresentadas por dimensão que posteriormente seriam levadas à plenária para serem votadas. Ao longo desse trabalho em grupo, no mesmo espaço em que se encontravam, foi oferecido, para facilitar a mobilidade, um lanche, pela paróquia São Francisco das Chagas. Foram dados 40’ para esse trabalho de grupo.

Plenária e votação

Terminado o tempo do trabalho em grupo, com um canto, os participantes foram retornando ao salão para ao prosseguimento da assembleia procedendo a escolha/votação das prioridades que seriam apresentadas à Arquidiocese. Os coordenadores de grupos, no momento do lanche e da confraternização, entregaram a uma pequena comissão organizadora, as prioridades definidas por seus grupos. A comissão enumerou as prioridades e eliminou as eventuais repetições, Em seguida, as três listas foram apresentadas aos participantes para a votação. A condução deste momento continuou a cargo da coordenadora da pastoral do dízimo da região que identificava a dimensão, lia as muitas prioridades da mesma, conforme os grupos haviam destacado e procedia a votação com algumas intervenções caso alguém desejasse. Esse encaminhamento orientou a escolha das demais prioridades em relação às outras dimensões. O vigário episcopal, por algumas vezes, com o objetivo de melhor condução e esclarecimento quanto à alguma questão que não tinha ficado tão clara, contribuiu com algum esclarecimento que se fazia necessário.

Estas foram as prioridades definidas pela região:

Espiritualidade Encarnada

  1. Trabalhar a dimensão missionária paroquial, projetando uma “Igreja em saída”, com o objetivo de atingir os que estão sedentos da Palavra. De modo especial aos membros de outras denominações religiosas e de orientação sexual diversa.
  2. Fortalecer os ministérios leigos, os diáconos permanentes e os coordenadores de comunidades.
  3. Formação (catequética, litúrgica, bíblica, teológica, pastoral) continuada para jovens e adultos, centrada na Palavra de Deus, integrando especialmente os jovens na comunidade.

Renovação da vida comunitária

  1. Formar uma comunidade missionária que ultrapasse o templo, criando assim uma identidade missionária, uma “Igreja em saída”.
  2. Que a juventude seja uma prioridade pastoral com a devida participação nas atividades paroquiais, foraneas, regionais para a vida do jovem. Jovem evangelizando jovem!
  3. Que todas as pastorais, ministérios e movimentos promovam a acolhida fraterna a todos que participam ou não da Igreja. Oportunamente criando o Encontro de Casais de Segunda União com base no documento da Pastoral Familiar.

Inserção Social

  1. Motivar a criação, animar e fortalecer os grupos de Fé e Política. Promover nas comunidades o estudo dos documentos da Doutrina Social da Igreja para fortalecer as lideranças como multiplicadores nas diferentes instâncias: comunidades, paróquias, foranias, Região e Arquidiocese. Importante esclarecer o papel do grupo de Fé e Política.
  2. Desenvolver projetos sociais em parceria entre Igreja e Órgão Público, sobretudo para moradores de rua, crianças abandonadas, jovens em situação de risco, idosos…
  3. Desenvolver um canal de comunicação na forania com a PASCOM. Fortalecer e, onde não exista, criar

 

Finalização da assembleia

Ao término das votações das prioridades a serem apresentadas como contribuição para a assembleia Arquidiocesana, que será no dia 15 de Outubro no Colégio Pio XII, dom Joaquim Mol Guimarães fez suas pontuações destacando a importância desta experiência, a contribuição através de todo processo realizado até aquele momento, da maturidade através da participação de todos. Agradeceu a presença dos leigos, dos religiosos(as), dos padres da RENSE, do espaço cedido pela Paróquia São Francisco das Chagas, enfim, a todos que, de uma forma ou de outra, ajudaram na realização da assembleia. Às 17:30, conforme estava combinado, a assembleia foi encerrada com uma oração espontânea, indicando que tudo o que foi vivenciado naquela tarde seria colocado no altar como oferenda agradável a Deus.

Nossas impressões

Para mim, a assembleia atingiu as expectativas, teve uma organização bem definida e possivelmente terá resultados significativos. Talvez, o que poderia ter acontecido para melhor fluir o encontro, era ter tido uma explicação mais esclarecedora sobre cada dimensão, a fim de evitar repetições e retrabalhos para escolher as prioridades a serem encaminhadas.

Um ponto interessante a ser observado é que praticamente toda a assembleia foi conduzida por uma leiga e o vigário episcopal e bispo referencial raramente pediram a vez para falar aos participantes. Pode-se afirmar que a assembleia da RENSE foi, de fato, conduzida por leigos. Os próximos passos estão por vir e a região Esperança trilha um caminho propício para a renovação e notável participação dos leigos.

Janaína Gonçalves

Achei que houve uma presença significativa dos membros das comunidades e paróquias, dos conselheiros(as), dos padres e religiosos(as) que compõe a Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança.

A presença da juventude, a meu ver, não foi expressiva, a não ser daqueles que já estão envolvidos em alguma atividade específica na região.

A condução dos trabalhos foi positiva por se tratar de liderança dos leigos, embora em alguns momentos pudesse ter sido melhor, evitando dificuldades de compreensão quanto à apresentação das prioridades, bem como na condução da votação.

Mesmo que houvesse uma equipe que procurou fazer a síntese dos trabalhos em grupo, ainda assim poderia ter evitado a repetição de prioridades dificultando a clareza no momento da votação.

O tempo e a presença de um número significativo de participantes, mesmo que positiva, foi um limitador para maiores aprofundamentos e possibilidade de uso da palavra por todos.

Achei extremamente positiva a “neutralidade” do bispo referencial, dom Joaquim Mol, bem como do vigário episcopal, frei Adilson, respeitando a condução da coordenadora da assembleia.

Acredito que as contribuições que serão encaminhadas à Arquidiocese, ajudarão para um ulterior projeto de evangelização.

Joel Maria dos Santos

Vídeo da Assembleia da RENSE:

Fotos:

Janaína Gonçalves e Joel Maria dos Santos

Membros da equipe executiva do Observatório da Evangelização

Assembleia da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida – RENSA no caminho da 5ª APD

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida – RENSA

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 8h às 12h30

Local: PUC Minas – Unidade Contagem

Observador: Ricardo Diniz de Oliveira

 

Momentos singulares vive a nossa igreja arquidiocesana de Belo Horizonte, através das Assembleias do Povo de Deus, que são momentos ricos de crescimento e avaliação. Participei ativamente das duas últimas assembleias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida e percebo um crescimento da voz dos leigos e leigas nas instâncias de conselhos e assembleias. Na APD deste ano não foi diferente. Os diálogos foram profícuos e respeitosos, considerando-se também que a maioria dos participantes é formada por leigos e leigas.

Houve esmero por parte das foranias nos trabalhos de colher as sugestões, mesmo com dificuldade de algumas que não se encontram organizadas. Junto a isso se tornou visível a diversidade de representatividade e de desafios da RENSA: extensa área rural, de periferia, com muitas vilas e favelas, presídios, grande população operária, jovem e desempregada… Tudo isso confluiu para a assembleia que, divida em grupos, buscou discernir as urgências e prioridades para as ações evangelizadoras do próximo triênio. O tempo de 45 minutos de início pareceu suficiente, mas com o calor das discussões verificou-se que precisava mais.

Ao fim das discussões iniciou-se um processo de síntese, onde se apresentaria o que mais ressoou e o que deveria ser votado pela assembleia. Interessante uma fala que destacou o fato de que se deixa o tópico da inserção social sempre por último. Principiar as reflexões e trabalhos pastorais pelo social significaria não colocá-la como um anexo, que está ali, mas que não se precisa demasiada atenção. É importante não criar hierarquia nas prioridades que a APD venha a concluir.

Assim, as sugestões da RENSA para o engajamento sócio-transformador focam na pastoral carcerária, da sobriedade e saúde; destaque para que a Igreja busque formas de inclusão das pessoas com deficiências na comunidade; atenção deva ser dada às vilas e favelas e à grande realidade rural da região; pertinente ainda é abrir a comunidade para que seja um lugar de convivência e aprendizado, principalmente com os jovens. A proposta pede projetos sociais de arte, esporte e cursos para geração de renda e inserção social. A Igreja em saída também é uma Igreja do cuidado e da acolhida. E os grupos de fé e política precisam ser criados e apoiados para uma participação mais efetiva na sociedade.

O que se pode questionar sobre as conclusões é a inclusão da pastoral da comunicação neste tópico, haja vista que ela é vista como uma fomentadora da vida comunitária e da ampliação das redes de comunidade. Outro ponto que podemos criticar é sobre o cuidado com a casa comum e a sustentabilidade ambiental, além do diálogo com as outras confissões cristãs e religiosas que ficaram fora das conclusões. Estes assuntos até apareceram em um grupo ou outro, mas não ressoaram o suficiente para serem contemplados. Talvez isso sirva de análise da acolhida da encíclica Laudato Si`, que merece mais zelo em nossas catequeses, reflexões e prioridades pastorais.

Continuamos as conclusões da assembleia na busca de renovação da vida comunitária e o grande grito é sobre a família, tanto na pastoral familiar, como na acolhida amorosa das famílias que estão irregulares sacramentalmente, por exemplo, casais de segunda união, amasiados etc. Forte também é a urgência de acolher na comunidade e atentar pastoralmente às pessoas com diversidade de orientação sexual. Os jovens receberam também especial atenção, numa busca de afastar o paternalismo, de fazer algo para eles, mas, sobretudo, de se fazer algo com eles, levando-os a se inserirem inclusive nas instâncias de decisão da Igreja. Por fim, os grupos foram quase uníssonos sobre precisarmos criar uma cultura da acolhida, não só numa pastoral exclusiva, mas que criemos dinâmicas de acolhida e uma formação geral sobre isso.

Como último tópico, a espiritualidade encarnada urge por formação mais orgânica e processual dos leigos, principalmente na linha catequético-teológica, com especial atenção nos círculos bíblicos. Isso para que a Bíblia seja lida e aprofundada em pequenas comunidades. Interessante concatenar com a pesquisa que antecedeu a APD. Os leigos estão lendo mais a Bíblia, mas não percebem que a comunidade segue ou encarna plenamente a espiritualidade bíblica. Assim sendo, nossas formações precisam deixar de serem esquizofrênicas, compartimentadas e sem uma linha processual. É preciso cuidar do amadurecimento da fé das pessoas e que a leitura bíblica seja iluminada por esta formação.

Começamos esta reflexão afirmando a boa participação dos leigos nas comunidades e nas lideranças. Ainda assim a assembleia pede reforço na valorização dos ministérios não-ordenados. De início apareceu alguns ministérios específicos, como exéquias, da Palavra e da distribuição eucarística. Mas em plenário foi discernido que todos os ministérios são importantes e precisam de melhor definição e apoio da Igreja. Soma-se a isso o intercâmbio entre paróquias/comunidades como fomento de uma igreja em rede.

Uma proposta específica apareceu destoante: reforçar as celebrações de padroeiros e o conhecimento de sua vida. Foi algo que apareceu em um grupo e passou para o plenário, não sem muito questionamento. Uma forte tendência de incentivar as piedades devocionais vem como uma resposta, um refúgio do momento de afastamento de tantos cristãos e de tanta relativização cultural. Mas talvez o remédio não esteja aí! O melhor que temos é Jesus Cristo! Ele é a boa notícia! Deus conosco. Não podemos dispensar as mediações humanas e limitadas dos santos, mas transformar as novenas em fortes catequeses querigmáticas responderia melhor aos sinais de nossos tempos.

Numa análise geral deste caminho feito podemos dizer que temos dificuldade crítica em nossas lideranças, tanto no âmbito formativo, como participativo. Isso ficou nítido em algumas colocações, assim como se verificou na análise da pesquisa on line da APD. O discernimento torna-se mais difícil com essa realidade. As lideranças precisam ser mais bem cuidadas e formadas. Conseguinte a esta realidade, há uma tensão entre uma igreja em saída e a manutenção de pastorais, ou melhor, uma pastoral de manutenção. Oscila um olhar para dentro, manter um jeito de fazer e ser igreja, todavia, há luzes para a acolhida, para o cuidado com as periferias existenciais, sociais e a abertura da comunidade.

Por fim, a APD é momento essencial para nossa caminhada, mas alguns passos pedagógicos precisam ser dados. O projeto da última APD, que seria contemplado no terceiro ano, ou seja, neste ano, foi praticamente abandonado. É preciso fechar um ciclo antes de abrir outro. Em outras palavras, dar passos conforme nossa capacidade caminhar. Há ainda um descrédito impregnado em algumas lideranças, que não veem uma dinamização posterior para sair do papel. Participam do processo da APD, têm até oportunidade de contribuir com colocações, sugestões e críticas, mas não acreditam ou se empenham em implantá-lo. Um traço motivacional e relacional precisa ser lapidado, senão serão pérolas jogadas aos porcos.

Veja matérias publicadas no Blog da RENSA:

http://rensabh.blogspot.com.br/2016/09/assembleia-regional-da-5-apd.html

http://rensabh.blogspot.com.br/2016/09/assembleia-regional-da-5-apd-inclui.html

Vídeo:

Fotos:

Ricardo Diniz de Oliveira

Colaborador jovem do Observatório da Evangelização

Assembleia da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade – RENSP no caminho da 5ª APD

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

ASSEMBLEIA REGIONAL DO POVO DE DEUS

Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade – RENSP

(Igreja missionária, servidora da Palavra)

Data: 03/09/2016

Horário: Das 8h às 12h30

Local: Colégio Arnaldo

Observador: Joel Maria dos Santos

 

Chegada e oração inicial:

Às 8h do dia 03 de Setembro nas dependências do Colégio Arnaldo, na região central, chegavam os participantes para a assembleia da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade, vindos de muitas paróquias e foranias que compõem a região, e que se mostravam muito dispostos. Ao chegar, eles faziam suas inscrições e recebiam as orientações para a participação na assembleia, bem como o material disponibilizado pela comissão organizadora quanto aos cantos, pequenos esclarecimentos e orações que seriam utilizadas em outros momentos.

A oração inicial ficou a cargo da forania Santa Teresa e Santa Teresinha. Estes se incumbiram da parte musical e da condução do momento orante. Logo no início da oração, fazendo parte da mesma, o Padre Marcilon (Vigário Episcopal da RENSP), fez uma breve recordação da caminhada histórica da região. Expressou a gratidão, palavra forte como reconhecimento a todos os grupos, por sermos uma Igreja que busca ser o que Deus nos pede. Há o desejo de ser uma Igreja pensando no conjunto de sua caminhada, nos seus desafios. Lembrou-se que, com a chegada de Dom João Justino (bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e bispo referencial da RENSP), muitas foram às realidades apresentadas como desafios: desigualdades sociais, bolsões de pobreza, tráfico de drogas, violência, mas também a graça da presença de colégios católicos, de religiosos e religiosas… Tudo foi motivo para agradecer a Deus pela Igreja que somos compreendendo seus desafios e riquezas. Esta é a nossa missão. O Vigário Episcopal desejou  que todos tivessem uma boa assembleia. A seguir leu-se a Palavra de Deus, Lc 10,1-9 (O envio dos 72 discípulos). Logo após, teve as preces, a oração da 5ª APD e o canto de encerramento do momento de oração.

Apresentação dos objetivos:

Dom João Justino deu as boas vindas a todos: padres, religiosos e religiosas, leigos, diáconos. Recordou o horizonte da assembleia retomando a carta pastoral do Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que indica um rumo para a nossa Igreja e, neste sentido, muito provocativa. Ele destacou desta carta, alguns pontos que ajudam a compreender este tempo:

  • Renovação a partir de novas respostas;
  • Exercício de humildade em escutar para dar novas respostas;
  • A doce e reconfortante alegria de evangelizar – exercício do discipulado missionário;
  • Escutar o pobre, o diferente e o próprio Deus rumo a novas respostas;
  • Coragem e audácia para encontrar estes caminhos;
  • Abandonarmos metodologias e dinâmicas que não respondem mais;
  • Diálogo com as realidades urbanas, com o mundo;
  • Exigência em repensar os modelos eclesiais e entrarmos em diálogo a partir da estrutura dos conselhos que temos na busca de caminhos facilitadores;
  • Opção missionária e revolucionária capaz de transformar tudo no compromisso da evangelização no mundo atual;

Eis os motivos da assembleia, disse Dom João Justino: “A assembleia é um tempo de repensar nossa direção, métodos, pertença.” Agradeceu o empenho e a presença de todos, desejando um efeito significativo desta assembleia para cada um de nós mesmos.

Na sequência, foi passado o vídeo da 5ª APD apresentado em todas as etapas anteriores.

Apresentação das prioridades e análise das mesmas.

Padre Marcelo, da congregação do Santíssimo Sacramento, Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, apresentou o trabalho de síntese das prioridades levantadas pelas foranias, possibilitando desta forma uma visão de conjunto das mesmas.

Logo após, frei Luiz Antônio OSA fez algumas observações gerais acerca das sínteses dizendo tratar-se de algumas indicações novas e outras não tão novas assim; algumas insistências em temas significativos. Assim, ele destacou nas prioridades alguns aspectos importantes a aprofundar e outros temas que não foram assumidos, por exemplo a criação de conselhos em algumas comunidades, e temas que interpenetram nas três dimensões, a saber: jovens, família, dízimo, comunicação. Frei Luiz Antônio usou a imagem das olimpíadas, sobretudo no que se refere à pira da qual sai às demais cores.

Segundo ele, o ponto central é a Palavra. Na dimensão da Espiritualidade encarnada, a centralidade da Palavra aparece na perspectiva da celebração, da formação, do vínculo entre fé e vida. Neste sentido não há novidade, mas insistência, e isto já estava presente desde a 4ª APD.

Em relação à Renovação da vida comunitária insiste-se no acolhimento. Uma Igreja acolhedora dos jovens e das famílias. Não há também aqui nenhuma novidade. A única novidade, podemos assim dizer, se refere à acolhida do grupo LGBT. Este aspecto nunca tinha aparecido nas assembleias anteriores.

No que se refere à Inserção social, percebe-se certa reserva. Fala-se de uma presença da Igreja em vários aspectos, dentre eles no social, religioso e a necessidade de crescer na parceria com o poder público. Destaca-se nesta dimensão, a necessidade de uma maior articulação entre todas as pastorais sociais no âmbito das foranias. Lendo os relatórios , percebe-se que os temas que se repetem, indicam uma relevância. Salientou-se como sugestão que para as próximas assembleias, unissem as dimensões, o que impediria a repetição de temas e prioridades elencadas.

Indicação e orientação dos trabalhos:

Terminada a breve, mas objetiva e clara análise das prioridades, Dom João Justino passou a situar o específico da região da Piedade. Nesta assembleia, indicaremos, diz Dom João, as prioridades que serão contempladas e que colaborarão com a Arquidiocese no planejamento final. Portanto, não se trata de simplesmente ler as prioridades e eleger três, mas exige-se uma reflexão e leitura crítica. Sendo assim, o que vier como fruto desse trabalho, contribuirá com a etapa final, isto é, a assembleia Arquidiocesana. Procedeu-se então às orientações do trabalho em grupo:

  • Cada grupo recebeu as sínteses das prioridades das paróquias e foranias;
  • Cada quatro grupos trabalharia uma dimensão: quatro a 1ª; quatro a 2ª e quatro a 3ª. Os grupos foram organizados segundo o nome dos Apóstolos. Estes nomes estavam escritos nos crachás e foram entregues na chegada das pessoas;
  • Cada grupo deveria escolher seu relator, que por sua vez, no horário marcado, se encontrar com aqueles que ajudariam a fazer a síntese para ajudar na hora da votação e escolha das prioridades;
  • Cada grupo deveria eleger três prioridades para cada dimensão;
  • Cada grupo, finalmente, deveria indicar o nome de um padre para compor a lista dos vigários episcopais, para que o Arcebispo faça a escolha.

Logo após estas orientações, os grupos saíram a trabalho durante 40’ nas salas predeterminadas no Colégio Arnaldo, que por sua vez contribuiu com uma boa infraestrutura. Em seguida, foi oferecido um lanche. Durante o mesmo, foi feito o trabalho de síntese com a ajuda de algumas pessoas, para melhor apresentar as prioridades e consequentemente votá-las. No retorno do lanche, Dom João Justino aproveitou o tempo para fazer alguns encaminhamentos:

  • Curso Igreja e Sociedade – ação social e política no Pontificado de Francisco;
  • Formação Política: vídeo que o NESP produziu em parceria com a CNBB. Pediu o incentivo na publicação do mesmo;
  • 15/10 Assembleia Arquidiocesana que será realizada no Colégio Pio XII;
  • Elaboração do plano pastoral da região depois da Arquidiocese.

Trabalho de síntese/apresentação:

1ª Dimensão Espiritualidade encarnada.

Todas as prioridades foram consideradas importantes, mas foram eleitas quatro:

  1. Criar um processo catequético contínuo que abrange todas as etapas da vida preparando para a missão;
  2. Trabalhar a experiência encarnada centrada em Jesus Cristo, incentivando e apoiando a juventude;
  3. Formação da família como Igreja doméstica em situações de exclusão;
  4. Valorizar o ministério da Palavra, numa Igreja toda ministerial e missionária, formando discípulos missionários. Inclusão no aspecto da experiência encarnada e a questão cristocêntrica.
  • Palavras-chave nesta dimensão foram: catequese, juventude, famílias excluídas, Palavra e ministros da Palavra.

2ª Dimensão: Vida Comunitária.

Apresentaram duas prioridades:

  1. Fomentar a acolhida em todas as dimensões e instâncias com criação de pastorais e ministérios;
  2. Fornecer conhecimento e desenvolvimento espiritual, teológico e bíblico para todos os membros das comunidades.

Observações a partir de comentários, sugestões e críticas:

  • Houve muitos questionamentos, correções, observações quanto à formulação dos termos. 
  • Foi sugerido pelo PE. Márcio Paiva que acrescentasse mais uma proposta: proporcionar a Pascom numa era de conectividade quando ainda algumas paróquias vivem isoladas entre si;
  • Desenvolver o número 2 a partir da Palavra de Deus colocando-a como ênfase a vida das comunidades;
  • A 1ª questão foi confiada à coordenação para melhor formulação;
  • Nomear na primeira prioridade, os nomes das minorias.

 

3ª Dimensão: Inserção Social.

  1. Trabalhar a acolhida social de todas as pessoas através da criação do NAASP nas paróquias e foranias, visando o fortalecimento do Vicariato para a ação social e política como canal eficiente de comunicação a serviço da comunidade;
  2. Trabalhar a cultura do acompanhamento das questões sociais em relação as política públicas formando lideranças cristãs e comunitárias para ao diálogo com a sociedade em vista do bem comum;
  3. Proposta de um novo modelo para as diretrizes da ação evangelizadora na Arquidiocese de Belo Horizonte que passaria a contemplar uma nova estrutura unindo as três dimensões tendo como foco a centralidade da Palavra, uma Igreja acolhedora, misericordiosa e a serviço da Palavra.

Observações e sugestões relacionadas a esta dimensão:

  • A assembleia propôs rever o texto da primeira prioridade, dizendo que não se trata de um fortalecimento do Vicariato como está na narrativa, mas do próprio trabalho nas paróquias;
  • Acrescentar na prioridade de número 2: incentivar a formação de católicos para entrarem e fazerem política;
  • Sugeriu-se suprimir a terceira prioridade alegando que ficou como uma sugestão para a próxima assembleia do povo de Deus.

Dom João finalizando a assembleia, disse que a comissão da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade vai debruçar-se sobre o trabalho dos grupos, os comentários, observações e críticas para apresentar ao Vicariato para a ação pastoral a contribuição advinda da assembleia regional.

Foram apresentados ainda os nomes indicados para o exercício do ministério de vigários episcopais. Foram eles segundo o nome dos grupos de trabalho (apóstolos):

  • São Matias (PE. Marcelo Silva);
  • São Bartolomeu (PE. Kenedy);
  • São Judas Tadeu (PE. Márcio Paiva);
  • São Tiago Maior (PE. Marcelo Silva);
  • São Simão (PE. Marcelo Silva);
  • São Simão Pedro (PE. Wellington Santos);
  • São Mateus (PE. Wellington Cardoso Brandão);
  • São João (PE. Márcio Paiva);
  • Santo André (PE. Marcelo Silva);
  • São Tiago Menor (PE. Frei Luiz Antônio);
  • São Tomé (PE. Frei Luiz Antônio);
  • São Felipe (PE. Frei Luiz Antônio).

Terminada a assembleia, Dom João Justino agradeceu a presença e participação de todos rezando a oração final. Logo após, foi servido um almoço a todos os participantes da assembleia.

Percepção do observador:

A presença e participação na assembleia foram muito positivas. Estavam presentes 220 pessoas que receberam seus crachás ao chegarem ao local da assembleia. No crachá de cada um, estava escrito o nome de um dos apóstolos que posteriormente serviu para a orientação da constituição dos grupos. As tarefas foram distribuídas contando com a animação das várias foranias.

Notou-se uma presença pequena de jovens, sendo estes os que se incumbiram de facilitar algumas situações ao longo da assembleia. Algumas pessoas que assumiram serviços, como apresentadores das prioridades, tinham certa dificuldade em executá-las, o que, a meu ver, pode ter “comprometido” a clareza das ideias.

A assembleia teve uma boa participação com momentos de correções, observações, críticas em relação aos termos utilizados nas prioridades, falta de clareza, e até mesmo, acréscimos necessários. Tanto os padres, com uma presença significativa, como as religiosas/religiosos e os leigos e leigas presentes deram suas opiniões avaliando o resultado final das sínteses apresentadas.

Senti que as pessoas queriam falar mais, mas o limite do tempo não proporcionou. Havia sempre, por parte do Dom João Justino, a atenção em condensar sintetizando as observações feitas pelos participantes devido, creio eu, o “estouro” do tempo.

Penso ainda que, embora considero muito boa a participação e realização da assembleia, ainda somos “amadores”. Talvez se houvesse uma condução mais técnica acerca do como aperfeiçoar e dinamizar pedagogicamente a condução da assembleia poderia ter ainda mais um resultado qualificado.

Os grupos de trabalho, por sua vez eram muito grandes, prejudicando de fato a participação e interação de todos nos mesmos. Isto, a meu ver, contribuiu para as dificuldades de redação por parte de alguns grupos prevalecendo, quase sempre, os excessos de expressões que por sua vez, não diziam quase nada.

Em síntese, a assembleia foi dinâmica, participativa considerando os presentes bem como os que conduziram os processos, embora não fosse precisamente pelos leigos, salvaguardando certamente várias razões.

Fotos:

Joel Maria dos Santos

Membro da Equipe executiva do Observatório da Evangelização

O ensino social da Igreja segundo o Papa Francisco (3ª parte)

Christoph Theobald

Facultés Jésuites de Paris – Centre Sèvres

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III. A mutação do ensino social da Igreja: um estilo profético e contemplativo

Consideradas as evoluções que acabo de explicitar, qual sentido o Papa Francisco dá, afinal, à expressão “ensino” ou “magistério social” da Igreja? Tudo o que antecede mostra que a expressão clássica “Ensino social da Igreja” ou “Magistério social da Igreja” mudou de significado. Embora empregue diversas vezes o termo “Doutrina Social da Igreja”, Francisco nunca dá a esse termo o sentido de “corpus doutrinal”, evolutivo certamente, mas “objetivo”, como se existisse fora de sua interpretação, de sua recepção ou de sua aplicação concreta, de certa maneira, “em posição superior” à aventura sempre concreta da humanidade.

Parece-me que o primeiro dos quatro princípios, mencionados na segunda parte, confere-lhe seu novo “status”: “O tempo é superior ao espaço”.

Este princípio permite trabalhar a longo prazo, sem a obsessão pelos resultados imediatos. Ajuda a suportar, com paciência, situações difíceis e hostis ou as mudanças de planos que o dinamismo da realidade impõe. É um convite a assumir a tensão entre plenitude e limite, dando prioridade ao tempo. Um dos pecados que, às vezes, se nota na atividade sociopolítica é privilegiar os espaços de poder em vez dos tempos dos processos. Dar prioridade ao espaço leva-nos a proceder como loucos para resolver tudo no momento presente, para tentar tomar posse de todos os espaços de poder e autoafirmação. É cristalizar os processos e pretender pará-los. Dar prioridade ao tempo é ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços. […]. Trata-se de privilegiar as ações que geram novos dinamismos na sociedade e comprometem outras pessoas e grupos 16 que os desenvolverão até frutificar em acontecimentos históricos importantes. Sem ansiedade, mas com convicções claras e tenazes (EG, 223).

“Ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços.” Além do governo pontífice de Francisco, essa fórmula designa também o status de seu ensino social que não se apresenta sob a forma de um ensino a ouvir e a aplicar, mas como uma via ou iniciação de um processo aberto que terá êxito se implicar outros sujeitos capazes de se deixar interpelar pelos acontecimentos do momento ou de maior envergadura. É, pois, a forma ou o estilo desse ensino que me parece decisivo. Três aspectos desse estilo me parecem peculiares:

1. Os dois textos do Papa Francisco propõem um caminho de conversão em que a questão fundamental é a atitude espiritual determinante da “saída de si mesmo”.

Assim inicia o percurso bíblico do primeiro capítulo da Exortação Evangelii Gaudium, que trata da “transformação missionária da Igreja” (Uma Igreja “em saída”, nos 20-23), e o último capítulo de Laudato Si’ sobre “Educação e Espiritualidade Ecológica” começa nos seguintes termos: “Sempre é possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro […]”, diz o Papa para tranquilizar seus interlocutores – não somente os cristãos. “A atitude basilar de se autotranscender, rompendo com a consciência isolada e a autorreferencialidade, é a raiz que possibilita todo o cuidado dos outros e do meio ambiente; e faz brotar a reação moral de ter em conta o impacto que possa provocar cada ação e decisão pessoal fora de si mesmo. Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade” (LS, 208).

Para possibilitar essa conversão “espiritual”, não basta permanecer num plano intelectual ou exibir a lei; é preciso falar uma linguagem experimental e tentar alcançar o coração e a sensibilidade afetiva e já espiritual dos interlocutores. O Papa consegue isso graças à linguagem direta e aos gestos que ele adota, envolvendo-se de maneira muito pessoal. Em suma, é a “coerência” e a exigência ética e espiritual de “coerência” que são o motor das análises apresentadas e das soluções propostas. E se Francisco se dirige, a partir desse centro espiritual, à inteligência e à capacidade de análise de todos e dos especialistas desta ou daquela disciplina, é sempre com a consciência de que eles são diversos, situados dentro de uma diversidade de culturas e situações concretas, e de 17 que precisa, portanto, adaptar uma forma ou um estilo poliédrico (se assim posso dizer) para dirigir-se a eles.

2. Francisco caracteriza esse estilo também, e, sobretudo, em termos “proféticos e contemplativos”, nunca um sem o outro; e, primeiramente, como “profético”, desde que não se usurpe esse adjetivo, que o Papa aplica, por exemplo, como vimos, à Declaração do Rio sobre o meio ambiente e o desenvolvimento.

Não preciso insistir nesse aspecto bastante crítico, pois já foi amplamente tratado na minha primeira referência ao vocabulário estilístico e à maneira “alternativa” de inserir o Evangelho em nossos estilos de vida.

O fato de considerar o Evangelho como um “recurso” vital na crise atual não impede de levar em consideração o seu potencial crítico e alternativo. Ao contrário, é no exercício dessa crítica a um antropocentrismo desviado que descobrimos que o Evangelho é primeiramente um “recurso” de bondade radical já operante nas sabedorias humanas. É por essa razão que o profetismo formulado pela Laudato Si’ não se reveste de um tom catastrofista ou “apocalíptico”. Por certo, o insustentável nunca é negado ou atenuado, mas a denúncia é imediatamente posta a serviço de uma esperança inalienável que repousa na criação como “dádiva” (LS, 76): “[…] os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionalismo psicológico e social que lhes seja imposto” (LS, 205 e 61).

3. Esse ato de esperança anuncia o terceiro aspecto do estilo cristão, que não se reduz jamais à denúncia profética, mas se expressa primeiramente e em última instância através de um olhar contemplativo “capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo” (LS, 222).

A unidade última do ensino social reside nessa capacidade de perceber a profundidade das relações vitais que nos constituem como seres criados que se põem eventualmente à escuta do Evangelho do Reino de Deus, e o terreno privilegiado da contemplação cristã se constitui por nossa relação cordial com o que é mais frágil, com todos os pobres e com a terra. Nos dois textos, Francisco atravessa todas as camadas profundas do real, concentrando sempre, contudo, o seu olhar no que é mais concreto. Termino citando um exemplo, dentre muitos outros, que ilustra perfeitamente o que caracteriza a abordagem estilística do Papa: um “senso” contemplativo do essencial da vida e uma consciência apurada e crítica de sua complexidade:

Dada a relação entre os espaços urbanizados e o comportamento humano, aqueles que projetam edifícios, bairros, espaços públicos e cidades precisam da contribuição dos vários saberes que permitem compreender os processos, o simbolismo e os comportamentos das pessoas. Não é suficiente a busca da beleza no projeto, porque tem ainda mais valor servir outro tipo de beleza: a qualidade de vida das pessoas, a sua harmonia com o ambiente, o encontro e ajuda mútua. […] É preciso cuidar dos espaços comuns, dos marcos visuais e das estruturas urbanas que melhoram o nosso sentido de pertença, a nossa sensação de enraizamento, o nosso sentimento de «estar em casa» dentro da cidade que nos envolve e une. É importante que as diferentes partes duma cidade estejam bem integradas e que os habitantes possam ter uma visão de conjunto em vez de se encerrarem num bairro, renunciando a viver a cidade inteira como um espaço próprio partilhado com os outros. Toda a intervenção na paisagem urbana ou rural deveria considerar que os diferentes elementos do lugar formam um todo, sentido pelos habitantes como um contexto coerente com a sua riqueza de significados. Assim, os outros deixam de ser estranhos e podemos senti-los como parte de um «nós» que construímos juntos (LS, 150 e 151). (8)

Aqui termino, esperando ter conseguido mostrar que os dois textos do Papa Francisco mudaram a partir do seu interior o próprio conceito de ensino social da Igreja:

1. por sua unificação teológica, graças à sua inscrição na globalidade de nossas Escrituras;

2. pela maneira de lhe conferir admissibilidade universal;

3. e, por fim, por sua capacidade já efetiva de iniciar “processos” de conversão social, em vez de propor uma síntese definitiva (cf. LS, 121).

Resta-nos, portanto, a indagação: como tornar possíveis, de nossa parte, esses processos, tanto na sociedade francesa como em outras?

Notas:

(8) Ver também LS, 44 e seguinte (degradação das cidades); EG, 71-75.

Fonte: IHU

Colégio Imaculada Conceição – percurso de vida

 

Filhas de Jesus

CEM ANOS DE PRESENÇA EVANGELIZADORA EM BELO HORIZONTE – IX

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Hoje se celebra o centenário dessa presença entre nós. Em 16 de setembro de 1916, quando essa capital carecia de instituições educativas, as Filhas de Jesus deram sua pronta e eficaz resposta, a fim de servir integralmente aos irmãos através da educação cristã. Então, fundou-se o Colégio Imaculada Conceição.

Várias das alunas desse Colégio vieram, também, a se tornar Filhas de Jesus. Entrevistamos uma dessas ex-alunas, a Irmã Regina Stela de Castro Queiróz, que é, portanto, testemunha da vida desse centenário em duas dimensões: tanto como aluna, quanto como religiosa. Abaixo, trechos de seu depoimento ao Observatório da Evangelização:

OE: Momento histórico. Uma caminhada longa e rica a celebrar… Como foi a chegada das primeiras Filhas de Jesus a Belo Horizonte?

Irmã Regina Stella: As duas primeiras Filhas de Jesus que chegaram a Belo Horizonte para a fundação do Colégio Imaculada Conceição em 25 de agosto de 1916 foram Juana Uranga e Angela Acevedo, que começaram a visitar várias famílias belo-horizontinas a fim de oferecer-lhes o novo Colégio. As demais pioneiras: Maria Elósequi Iztueta, Josefa Macatzaga Dorronsoro e Lorenza Beraza Beracierto chegaram a Belo Horizonte em setembro de 1916.

O trabalho educativo teve início no dia 16 de setembro de 1916, em um chalé situado na Av. João Pinheiro. No ano de sua inauguração o Colégio Imaculada oferecia os cursos especiais de piano, solfejo, canto, francês, espanhol, pintura a óleo e a aquarela, confecção de flores, costura e bordados. Ao concluir o ano, o Colégio contava com 23 alunas.

As primeiras mestras do Imaculada recebiam encomendas de bordados das mais distintas famílias do Bairro de Lourdes e os recursos recebidos por esse trabalho contribuíram para a aquisição do primeiro piano para a escola em dezembro daquele mesmo ano.

No ano seguinte, teve início o sistema de internato, com três alunas, sendo também contratados os primeiros professores leigos. Também em 1917, teve início a construção do primeiro pavimento do Colégio Imaculada, na rua Aimorés, 1600, cuja inauguração se deu quase quatro anos depois.

Em junho de 1940, o prédio do Colégio, hoje tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Município já estendia suas dependências da rua Aimorés até a rua da Bahia e oferecia os Cursos Primário e Secundário, além de cursos especiais de desenho, pintura e música.

Em 1948, teve início também uma classe de alfabetização para empregadas domésticas, inclusive com instrução religiosa, que evoluiu para o EJA do Imaculada. A Educação Infantil, por seu lado, funciona em um prédio à parte.

OE: Irmã Regina, você estudou no Colégio Imaculada Conceição, não? Como era o Colégio quando você era aluna?

Irmã Regina Stella: Estudei no Imaculada dos 12 aos 17 anos, no internato. A superiora, a coordenadora de disciplina ou prefeita, como a chamávamos na época, e a coordenadora de ensino eram Filhas de Jesus. Havia uns seis professores leigos.

OE: O que naquele estilo de vida levado pelas religiosas atraiu você?

Irmã Regina Stella: O que mais me atraiu para ser Filha de Jesus foi a dedicação das Irmãs, a alegria e o ambiente familiar do Colégio, particularmente do internato.

Foi também muito forte para mim a devoção mariana: as coroações do mês de maio, a celebração do dia 08 de dezembro, dia da Imaculada, Padroeira do Colégio,; e o espírito missionário. Santa Cândida, nossa fundadora, dizia: “Ao fim do mundo iria eu em busca de almas”.

Uma experiência que marcou muito foi ajudar a Irmã Mercês Figueira, que dava aulas de alfabetização para jovens e adultos. Pessoas que depois de sua jornada de trabalho vinham ao Colégio muito agradecidas à nossa acolhida e felizes por aprenderem a ler. Fazemos esse trabalho no EJA (Educação de Jovens e Adultos) até hoje.

OE: São quantos anos de Vida Religiosa? O que mais alegra você ao recordar o caminho feito?

Irmã Regina Stella: Tenho 62 anos de vida religiosa. Fiz o postulantado e o noviciado em Belo Horizonte e o juniorado em Campinas. Trabalhei em nossos colégios em Belo Horizonte, tanto no próprio Imaculada quanto na Obra Social São José Operário e também nos colégios de Campinas e Mogi Mirim e na Obra Social no Rio de Janeiro.

Esta experiência me fez sentir em uma grande família, não só entre as Irmãs, mas também com os leigos, que partilham conosco a missão de “evangelizar educando e educar evangelizando”, nos colégios, na inserção social e em diferentes contextos sociais.

Morei doze anos em Roma, de 1983 a 1994, como membro do Governo Geral. Durante este tempo, tive a oportunidade de conhecer a vida da Congregação em diversos países: Itália, Espanha, Argentina, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Venezuela, Cuba, República Dominicana, Filipinas, Japão e Taiwan.  Esse tempo foi, para mim, uma rica experiência por viver o carisma de Santa Cândida em tão diferentes países e culturas. Hoje estamos também na China, em Bangladesh, em Moçambique, na Tailândia, no Vietnã e em Mianmar.

OE: Quais têm sido os desafios mais marcantes para as Filhas de Jesus nas últimas décadas de sua história?

Irmã Regina Stella: Impulsionada pelas orientações do Concílio Ecumênico Vaticano II, a Congregação viveu um tempo de muitas buscas e respostas aos seus desafios, entre eles:

  1. A opção preferencial pelos pobres;
  2. O fortalecimento da missão com outras parcerias;
  3. A presença urgente e significativa junto às juventudes e grupos sociais necessitados;
  4. A atenção constante às realidades em sua diversidade.

OE: Depois de tantos anos vividos na Congregação, o que mais gostaria de deixar registrado aqui?

Irmã Regina Stella: Tenho muito agradecimento a Deus, à Congregação e aos meus pais, que durante muitos anos partilharam comigo a alegria de ser Filha de Jesus.

 

Ouça essa entrevista na voz da própria Irmã Regina Stella de Castro Queiróz.

O ensino social da Igreja segundo o Papa Francisco (2ª parte)

Christoph Theobald

Facultés Jésuites de Paris – Centre Sèvres

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II. Dar espaço ao que é “concreto” e diverso: da dimensão social do Evangelho ao ensino social da Igreja

Não basta, de fato, permanecer no plano da Escritura, é necessário, também, tirar dela um ensino que possa ser ouvido e recebido por todas as mulheres e por todos os homens “de boa vontade”, como já dizia João XXIII em sua Encíclica Pacem in Terris, de 1963 (citada por Francisco já no início de Laudato Si’, 3). Para isso, ainda no mesmo capítulo 4 de Evangelii Gaudium e na transição entre as duas partes desse capítulo, o Papa propõe quatro princípios que (cito textualmente o número 221) “orientam especificamente o desenvolvimento da convivência social e a construção de um povo onde as diferenças se harmonizam dentro de um projeto comum. Faço-o na convicção de que a sua aplicação pode ser um verdadeiro caminho para a paz dentro de cada nação e no mundo inteiro”. Esses quatro princípios, todos eles retomados em diversas passagens de Laudato Si’, permitem compreender a distância que nos separa hoje da Constituição pastoral Gaudium et Spes do Vaticano II e de seu antropocentrismo subjacente, fornecendo, ao mesmo tempo, uma base para o “diálogo social como contribuição para a paz”, tema tratado na segunda parte do mesmo capítulo 4. Retomo sucintamente esses três pontos.

Quatro princípios

Os quatro princípios inserem-se, na verdade, no que acaba de ser dito acerca da tripla ou da quádrupla relacionalidade do ser humano, inevitavelmente permeada por “tensões bipolares” (EG, 212 s.) e conflitos. Eis os quatro princípios:

1. O tempo é superior ao espaço.

2. A unidade se sobrepõe ao conflito.

3. A realidade é mais importante que a ideia.

4. O todo é superior à parte.

Essas formulações um tanto abstratas têm, nos dois textos pontificais, ilustrações muito concretas que mereceriam um longo comentário, o qual não poderei tecer aqui. Não retomarei o segundo nem o terceiro princípio, de fácil compreensão, pois expressam ao mesmo tempo a finalidade messiânica de nossa criação – o Reino de paz de Deus, que consiste em superarmos nossos conflitos – e o risco de confundir nossas ideologias ou utopias com o real de nosso cotidiano em que nosso futuro está concretamente em jogo. Reservarei o comentário do primeiro princípio sobre o tempo e o espaço para a última parte deste trabalho e tratarei agora do quarto princípio: “o todo é superior à parte” (EG, 234-237).

Este princípio é acompanhado por uma comparação entre duas metáforas, comparação essa que nos faz compreender a escolha consciente e pensada do vocabulário estilístico. São as metáforas da esfera e do poliedro, que Evangelii Gaudium considera como duas maneiras de representar as relações entre um “todo” e suas “partes”; nesse sentido, elas nos permitem entender tanto a mutação do “doutrinal” numa concepção estilística da fé como a distância tomada pelo Papa em relação à Gaudium Spes:

O todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas. Portanto, […] é necessário mergulhar as raízes na terra fértil e na história do próprio lugar, que é um dom de Deus. Trabalha-se no pequeno, no que está próximo, mas com uma perspectiva mais ampla. […] Não é a esfera global que aniquila, nem a parte isolada que esteriliza.

Aqui o modelo não é a esfera, pois não é superior às partes e, nela, cada ponto é equidistante do centro, não havendo diferenças entre um ponto e o outro. O modelo é o poliedro, que reflete a confluência de todas as partes que nele mantêm a sua originalidade. Tanto a ação pastoral como a ação política procuram reunir nesse poliedro o melhor de cada um. […]

A nós, cristãos, este princípio fala-nos também da totalidade ou integridade do Evangelho que a Igreja nos transmite e envia a pregar. […] O Evangelho é fermento que leveda toda a massa e cidade que brilha no cimo do monte, iluminando todos os povos. O Evangelho possui um critério de totalidade que lhe é intrínseco: não cessa de ser Boa Nova enquanto não for anunciado a todos, enquanto não fecundar e curar todas as dimensões do homem, enquanto não unir todos os homens à volta da mesa do Reino (EG, 235-237).

Para ilustrar o que foi dito, podemos comparar a Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo atual com a Exortação. Os diferentes capítulos da segunda parte de Gaudium et Spes representam dimensões do humano que formam um todo; são, por assim dizer, projetadas sobre uma esfera – “a antroposfera” ou “antropoceno” (segundo Gaudium et Spes, 2 § 2) – onde se encontram lado a lado, desde o casamento até a paz em todo o planeta, a Igreja estando no meio dessas realidades, logo, na superfície, mas também no centro da esfera, equidistante de cada nível do real, projetando a partir do interior “a luz e a energia” do Evangelho (Gaudium et Spes, 10§ 2) sobre cada realidade e propondo uma regulação doutrinal de sua orientação global, fundamentada na primeira parte do texto que trata da “Igreja e da vocação humana”. O singular, tal ou qual indivíduo, tal ou qual cultura ou língua, tal ou qual povo, não encontra lugar aí, ou melhor dizendo, não é aí considerado objeto de interesse. Estamos antes num universo homogêneo e unidimensional, de acordo com o vocabulário de Laudato Si’, universo dominado não pelo paradigma tecnocrático, mas por uma “doutrina”, embora os dois possam conviver e fortalecer-se mutuamente.

Em compensação, a visão do mundo da Exortação Evangelii Gaudium pode ser compreendida de acordo com o modelo do poliedro. O discurso doutrinal que enfatiza os princípios não perde sua necessária função reguladora, mas nunca conseguirá alcançar “cada cristão, onde quer que esteja” (EG, 3), nem mesmo “cada pessoa que habita nesse planeta” (LS, 3) de acordo com a singularidade de cada um que se relaciona, integrada em conjuntos sociais e ambientais cada vez maiores, mas mantendo sua “originalidade”, segundo a expressão do texto. Somente uma abordagem estilística permite isso, pois é sensível à confluência de todas as partes num dado singular em que essas partes mantêm sua originalidade, sendo, ao mesmo tempo, habitadas pelo todo que é a “plenitude da riqueza do Evangelho”.

O fim do antropocentrismo

Há ainda outra razão, no entanto, na passagem da esfera ao poliedro, que leva o Papa a conceber a realidade de um modo diferente da Constituição Gaudium et Spes: a oposição, hoje necessária, a um “antropocentrismo despótico” ou “desviado” (LS, 68, 69, 118, 119 e 122), que se manifesta especialmente na onipresença do paradigma “tecnocrático” e do “mito do progresso” (LS, 60 e 78), como já foi mencionado anteriormente. É particularmente o terceiro capítulo de Laudato Si’ sobre “a raiz humana da crise ecológica” que se refere a isso. Ele marca com o maior rigor a distância tomada em relação à Constituição pastoral do Vaticano II, que mantinha uma relação mais positiva com o antropocentrismo moderno. Essa distância pode ser resumida nas duas formulações que seguem: “Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo quase geral entre crentes e não crentes”, lemos em Gaudium et Spes, 12 § 1. Laudato Si’, 93 faz a seguinte correção: “Hoje, crentes e não crentes estão de acordo que a terra é, essencialmente, uma herança comum, cujos frutos devem beneficiar a todos”.

A Encíclica situa-se, de fato, entre duas posições consideradas extremas, o mito do progresso e aquele que consiste em querer impedir qualquer intervenção do ser humano no ecossistema (LS, 60), entre um antropocentrismo desviado e seu contrário, o biocentrismo (LS, 118): “Entre estes extremos, a reflexão deveria identificar possíveis cenários futuros […]” (LS, 60). Fruto do antropocentrismo moderno e de suas consequências científicas e técnicas, a tomada de consciência da “autonomia legítima” das realidades terrestres (GS, 36 e LS, 80 e 99) não é negada, e sim reposicionada em novo marco, fornecido por uma teologia da criação mais equilibrada. Esta corrige os mal-entendidos resultantes de uma compreensão errada da prescrição feita ao homem de “dominar a terra” (Gn 1, 28), como se essa passagem “favorecesse a exploração selvagem da terra”, ao passo que se trata, na Bíblia, de “cultivar e guardar o 13 jardim do mundo” (Gn 2, 15; LS, 67) (6) . A Encíclica não nega que “o pensamento judaico-cristão desmistificou a natureza”, mas não tira a conclusão (que poderíamos atribuir à Constituição pastoral, às voltas com todos os contenciosos entre ciência moderna e fé) de um antropocentrismo unilateral. Ela tenta antes articular o respeito pela fragilidade da terra com “a responsabilidade do ser humano, que é parte do mundo, com o dever de cultivar as próprias capacidades para o proteger e desenvolver as suas potencialidades” (LS, 78).

Pluralismo e diálogo social

A ênfase na pluralidade das culturas e estilos de vida, bem como naquilo que é infinitamente concreto e diverso, sem jamais renunciar ao “todo”, compreendido de maneira poliédrica (se assim posso dizer), leva-nos diretamente à segunda parte do capítulo 4 de Evangelii Gaudium, que trata naturalmente do “diálogo social como contribuição para a paz”. Encontramos ali, certamente, os três ou quatro tipos de relação vital que nos constituem e, sobretudo, os dois planos – nossos “estilos de vida”, constitutivos de nossas culturas, e sua especificação cristã (“o estilo de vida do Evangelho”) – já abordados na primeira parte deste trabalho. Pois falar de diálogo social é algo que exige que nos perguntemos como estabelecer um diálogo, com o que somos, com os outros membros, religiosos ou não, da sociedade. A questão levantada desde o início deste trabalho – como o Evangelho do Reino pode introduzir-se efetivamente em nossa realidade social, econômica e política – aparece novamente de uma forma mais específica.

Francisco a aborda de uma maneira espantosamente nova: não pelo vértice da verdade (embora essa perspectiva apologética não seja negada), mas fazendo advir o “estilo de vida do Evangelho” dentro dos “recursos” dos quais dispõe a humanidade para atravessar a crise social e ecológica que enfrenta. Essa maneira de situar a fé fica especialmente nítida no início do capítulo 2 de Laudato Si’, sobre o Evangelho da criação. O Papa reconhece perfeitamente que “alguns relegam para o reino do irracional a riqueza que as religiões possam oferecer” (LS, 62), mas também mostra que a complexidade da crise exige uma pluralidade de interpretações e aportes: “É necessário recorrer também às diversas riquezas culturais dos povos, à arte e à poesia, à vida interior e à espiritualidade” (LS, 63). Ele acrescenta que “as convicções da fé oferecem aos cristãos – e também a outros crentes – grandes motivações para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis” (LS, 64).

No entanto, a ideia de “recurso” supõe que adotemos uma visão multidimensional do homem no seio da criação e que, por conseguinte, todos os atores envolvidos, todas as disciplinas intelectuais e todas as sabedorias – não apenas as ciências e a técnica – tenham voz ativa no diálogo social. É justamente a “sabedoria” que liga aquilo que move a todos e os “recursos” oferecidos pelas religiões e pela tradição cristã, pois a “sabedoria” se insere, por um lado, na “cultura” tomada em toda a sua complexidade e envolve, por outro lado, o conjunto das tradições religiosas, com a especificidade, ao mesmo tempo, da narrativa bíblica.

Essa abordagem espantosamente nova confere todo o seu peso teológico ao reconhecimento do “movimento ecológico” e do fato de ele já ter uma longa história. O “espiritual”, portanto, não é absolutamente reservado aos cristãos, mas já se revela como o fruto do trabalho da sabedoria no seio da humanidade. A sabedoria também se expressa nos textos citados pela Encíclica, não somente nos das diferentes conferências episcopais nacionais e continentais, mas também, e principalmente, na Declaração do Rio sobre o meio ambiente e o desenvolvimento, reconhecida como “profética” pela Laudato Si’ (LS, 167 e 186), e na Carta da Terra de Haia (LS, 207).

Espero que possamos ter compreendido a postura ao mesmo tempo humilde e exigente que a Igreja assume, pela voz do Papa Francisco, no diálogo social: “nem o Papa nem a Igreja possui o monopólio da interpretação da realidade social ou da apresentação de soluções para os problemas contemporâneos”, é o que podemos ler no final da longa introdução, no capítulo 4, de Evangelii Gaudium (EG, 184). E em Laudato Si’, Francisco repete duas vezes que a Igreja “compreende que deva ouvir e promover o debate…” (LS, 46 e 188) (7) .

Para concluir esta parte, convido-os então a ter em mente isto: os dois textos do Papa Francisco não se contentam absolutamente com uma argumentação bíblica, mas desenvolvem um verdadeiro ensino social particularmente atento à sua admissibilidade universal. A Exortação e a Encíclica vencem esse desafio graças a um novo interesse pela narrativa da criação e por uma nova filosofia social, ambos expostos à distância da abordagem antropocêntrica e homogênea da Constituição Gaudium et Spes. A diferença diz respeito à maneira de dar espaço à alteridade e àquilo que é diverso e plural – significado pela metáfora do poliedro –, portanto, ao diálogo social que, se for verdadeiramente conduzido, não deixará de introduzir a fé cristã como “recurso” vital ou como estilo de vida, baseado no princípio de “gratuidade”. Isso me encaminha para uma breve e última parte.

Notas:

(6) Essa interpretação unilateral poderia ser encontrada em Gaudium et Spes, 12 § 3: “A Sagrada Escritura ensina que o homem foi criado ‘à imagem de Deus’, capaz de conhecer e amar o seu Criador, e por este constituído (tamquam) senhor de todas as criaturas terrenas, para as dominar e delas se servir (eisque uteretur), dando glória a Deus. Também em 34 § 1: “Pois o homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar (subiciens) a terra com tudo o que ela contém e governar o mundo na justiça e na santidade.”

(7) Trata-se de uma alusão a Gaudium et Spes, 33 § 2. 15

Fonte: IHU

O ensino social da Igreja segundo o Papa Francisco (1ª parte)

Christoph Theobald

Facultés Jésuites de Paris – Centre Sèvres

o Papa adota um estilo inédito: dá atenção à experiência concreta dos crentes e dos humanos que somos; não faz um apelo apenas à nossa inteligência, mas também à nossa afetividade, aos nossos sentidos e ao nosso coração, possibilitando assim verdadeiras decisões e ações individuais e coletivas.

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O ensino social da Igreja ocupa lugar decisivo nos dois grandes textos do Papa Francisco de que dispomos atualmente; ocupa um capítulo inteiro da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013) – o capítulo 4, que se intitula “A dimensão social da evangelização” – e encontra-se no centro da Encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum, que, em seu número 15, afirma explicitamente que “esta carta encíclica se insere no magistério social da Igreja”. Esses dois textos completam-se um ao outro, como veremos, e o segundo remete diversas vezes ao primeiro. (1)

Lanço a hipótese de que, nos escritos de Francisco, a expressão comum “ensino social da Igreja” ou “magistério social da Igreja” muda de significado. Ao dirigir-se, em Evangelii Gaudium, a “cada cristão, onde quer que esteja” (EG, 3), e, em Laudato Si’, a “cada pessoa que habita neste planeta” (LS, 3), o Papa adota um estilo inédito: dá atenção à experiência concreta dos crentes e dos humanos que somos; não faz um apelo apenas à nossa inteligência, mas também à nossa afetividade, aos nossos sentidos e ao nosso coração, possibilitando assim verdadeiras decisões e ações individuais e coletivas. Em suma, graças ao estilo de seus textos, tão semelhante à sua maneira de se dirigir oralmente aos seus interlocutores, ele nos faz trilhar um verdadeiro percurso “espiritual”, um percurso de conversão.

Essa mudança de estilo não faz parte de um simples cenário, se assim posso dizer; também não é uma simples concessão ao nosso espírito pós-moderno. Ela está refletida nos próprios textos. O emprego frequente do vocábulo “estilo” – vinte e duas vezes em Evangelii Gaudium e dezoito vezes em Laudato Si’ – demonstra que, com Francisco, essa noção entra no próprio ensino social e, tornando-se nele um elemento essencial, lhe confere uma nova forma. Proponho-me então, daqui em diante, a explicar e embasar essa tese.

Veremos, primeiramente, que a forma ou o estilo dos textos – seu modo de nos implicar num percurso de conversão – exige uma unificação, até mesmo uma concentração teológica do ensino social da Igreja; esse é o primeiro aspecto que abordarei. Passarei, em seguida, ao ensino propriamente dito, cuja admissibilidade universal requer, hoje, um interesse novo por aquilo que, em nossa existência social, é infinitamente concreto, portanto, diverso e plural. É justamente nesses pontos que a Exortação e a Encíclica se distanciam da Constituição Gaudium et Spes do Vaticano II, que, até agora, determinava todo o ensino social da Igreja. Por último, mostrarei o sentido efetivo que o Papa dá à expressão “ensino” ou “magistério social” da Igreja, conteúdo das evoluções que terei explicado.

I. O Evangelho do Reino de Deus

O “social” como dimensão intrinsecamente ligada ao Evangelho

O primeiro gesto do Papa consiste, então, em unificar o ensino da Igreja, sentido por muitos de nossos contemporâneos como muito complexo, e concentrá-lo no único anúncio do Evangelho do Reino de Deus. Embora Evangelii Gaudium trate disso em dois capítulos sucessivos – os capítulos 3 e 4 da Exortação –, o ponto decisivo e original é o fato de que a dimensão social não é acrescentada ao Evangelho, mas tem com ele uma relação interna e lhe é intrínseca.

Isso se destaca claramente nos nos 177 e 180. O primeiro – trata-se do segundo número do capítulo 4 – estabelece essa relação de maneira principial e partindo do querigma neotestamentário: “O querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso 5 com os outros” (no 177). O no 180 fundamenta esse compromisso em maior medida na matriz bíblica: “Ao lermos as Escrituras, fica bem claro que a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. […]A proposta é o Reino de Deus (Lc 4, 43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos.” O essencial da dita doutrina social da Igreja é recapitulado nessa breve passagem e remete ao cerne mesmo do Evangelho do Reino de Deus.

Precisamos então nos perguntar como esse Evangelho do Reino pode penetrar efetivamente em nossa realidade social, econômica e política. É exatamente aqui que surge o vocábulo “estilo”. Em Evangelii Gaudium, o vocábulo encontra-se em vários campos de significação, sendo o dos “estilos de vida” que formam o núcleo de nossas “culturas” o mais frequente e o mais importante. Essa noção é definida no texto nos seguintes termos: “Trata-se do estilo de vida que uma determinada sociedade possui, da forma peculiar que têm os seus membros de se relacionar entre si, com as outras criaturas e com Deus” (EG, 115). Observemos desde já a função estrutural atribuída aqui a um triplo jogo relacional entre os humanos, as outras criaturas e Deus; jogo relacional esse que só terá seu pleno significado na Encíclica Laudato Si’ (LS, 66). Retomarei isso mais adiante.

Na pluralidade cultural – o texto distingue, por exemplo, os “estilos das cidades” dos “estilos rurais” (EG, 72) –, introduz-se logo uma diferença discriminatória entre, de um lado, um “estilo de vida que exclui os outros” (EG, 54), “que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares” (EG, 67), em suma, “um estilo individualista” próprio dos pagãos (EG, 195), e, de outro lado, “um estilo de vida e de pensamento mais humano, mais nobre, mais fecundo, que dignifique a sua passagem por esta terra” (EG, 208). O critério de discernimento é claramente apresentado no que Evangelii Gaudium chama de “estilo de vida do Evangelho” (EG, 168), em cujo cerne encontra-se a gratuidade ou “o princípio da primazia da graça” (EG, 112), portanto, a alegria. (2) Esse estilo encontra sua forma última no itinerário de Jesus, evocado várias vezes, “a entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida” (EG, 269).

Evangelii Gaudium distingue, portanto, dois planos diferentes: de um lado, nossos “estilos de vida”, constitutivos de nossas culturas, e, de outro, sua especificação cristã – “o estilo de vida do Evangelho”. Retomando a mesma distinção, a Encíclica Laudato Si’ radicaliza seu diagnóstico: em conformidade com sua finalidade ecológica, ela distingue um “estilo consumista” (LS, 204), com seu “modo de produção e consumo” (LS, 23 e 59), de um “novo estilo de vida” (LS, 16) que, em relação ao paradigma dominante da tecnologia, adquire feições necessariamente anticulturais (LS, 108).

A análise torna-se aqui mais sutil, especialmente no capítulo 3 de Laudato Si’, que examina “a raiz humana da crise ecológica”. Inspirando-se muito no filósofo e teólogo alemão Romano Guardini (3) e, sem dúvida, embora sem nomear, em Ivan Illich e a Escola de Frankfurt, o Papa critica “o modo como realmente a humanidade assumiu a tecnologia e o seu desenvolvimento num paradigma homogêneo e unidimensional” (LS, 106). O reducionismo que ele denuncia tem suas raízes na relação que mantemos com nossos objetos: “É preciso reconhecer que os produtos da técnica não são neutros, porque criam uma trama que acaba por condicionar os estilos de vida e orientam as possibilidades sociais na linha dos interesses de determinados grupos de poder” (LS, 107). O resultado disso é “a imposição de um estilo de vida hegemônico ligado a um modo de produção” (LS, 145), a dominação tecnocrática global exercida por um pequeno número até mesmo sobre a economia e a política” (LS, 109), de modo que: “Tornou-se anticultural a escolha de um estilo de vida cujos objetivos possam ser, pelo menos em parte, independentes da técnica, dos seus custos e do seu poder globalizante e massificador” (LS, 108).

Cuidar da fragilidade

É nesse contexto conflituoso que, voltando então ao Evangelho do Reino de Deus, o Papa explica a especificidade cristã do estilo de vida alternativo que ele implica. Podemos resumir suas palavras no apelo a “cuidar da fragilidade” (EG, 209-216), pois esse apelo diz respeito à dupla fragilidade apontada por Francisco, a dos pobres e a da terra; e em Evangelii Gaudium, é justamente a figura de São Francisco que orienta todo o seu discurso, desde suas reflexões bíblicas e históricas sobre o ensino social da Igreja, no início do capítulo 4 (EG, 183) e no fim do desenvolvimento sobre a integração social dos pobres (EG, 216). Tudo está contido nesses trinta números, inclusive o cuidado com a casa comum, que será tratado em maior amplitude em Laudato Si’: “Pequenos mas fortes no amor de Deus, como São Francisco de Assis, todos nós, cristãos, somos chamados – são os termos com os quais o Papa resume seu percurso – a cuidar da fragilidade do povo e do mundo em que vivemos” (EG, 216).

1. No que diz respeito à primeira ênfase, o Papa Francisco se posiciona numa conscientização que já remonta ao início do Concílio Vaticano II, quando ela foi defendida por um grupo de bispos denominado “Igreja dos Pobres”, em que estes deviam ser considerados pela Igreja os destinatários e sujeitos privilegiados da evangelização (4). O Cardeal Lercaro, com Dom Helder Câmara e o patriarca Maximos IV, um dos fundadores desse grupo conciliar, queria até mesmo ter feito disso o eixo do Concílio, como se depreende de seu longo discurso de 06 de dezembro de 1962 (5). Isso não aconteceu, mas esse grupo formado por cerca de 40 bispos conseguiu, ao menos, incluir esse tema em vários textos conciliares, principalmente em Lumen Gentium, n° 8, em Gaudium et Spes, n° 1, e em Ad gentes, n° 3. O mesmo tema será explicitamente retomado em 1975 pela Exortação de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi (n° 6 s.), que pode ser considerado o texto “mãe” da Exortação Evangelii Gaudium.

A cena messiânica de Lucas 4, que mostra Jesus, o ungido, anunciando o Evangelho aos pobres, é a matriz principal dessa intuição que liga, segundo Lercaro, o Evangelho eterno à maior atualidade histórica. É essa mesma visão que Evangelii Gaudium retoma em seu capítulo 4. Cabe ressaltar, no entanto, que a Exortação inverte a orientação da evangelização, convidando os cristãos, já no capítulo anterior, a aceitar “que os outros nos evangelizem” (nº 121). Isso se concretiza destacadamente quando é preciso “ouvir o clamor dos pobres”, integrá-los plenamente na sociedade e reservar-lhes um lugar privilegiado no meio do povo de Deus (nos 187-196).

2. Iniciando com o cântico de Francisco de Assis, Laudato Si’ pretende promover a mesma experiência de escuta: “‘Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verdor’. Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou” (LS, 1 e 2). A relação entre essas duas experiências, a escuta do clamor dos pobres e a do clamor da terra, dá à Encíclica sua especificidade, preparada pelos números já citados de Evangelii Gaudium: “Hoje, não podemos deixar de reconhecer – destacando o primeiro capítulo de Laudato Si’ – que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (LS, 49).

Do Evangelho do Reino de Deus ao Evangelho da Criação

Sem fazer qualquer antecipação acerca da intervenção de Grégoire Catta, que trata justamente dessa relação decisiva no pensamento social do Papa Francisco, observemos que é novamente e em primeiro lugar a Escritura que possibilita estabelecer essa relação. Enquanto Evangelii Gaudium parte do “Evangelho do Reino de Deus”, Laudato Si’ dedica todo o segundo capítulo ao “Evangelho da Criação”. Na verdade, o primeiro – o Evangelho do Reino de Deus – não pode existir sem o segundo – o da Criação –, que o antecede ligeiramente, pois Deus reina no mundo, na terra que ele mesmo criou, e quando for efetivamente recebido pelos homens, a vida social “será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos” (EG, 180).

Já no Gênesis, na verdade, encontramos uma prefiguração da ligação intrínseca entre nossas relações com a natureza e com a fraternidade e a justiça. Francisco ilustra isso com a narração de Caim e Abel e a de Noé: “O descuido no compromisso de cultivar e manter um correto relacionamento com o próximo, relativamente a quem sou devedor da minha solicitude e custódia, destrói o relacionamento interior comigo mesmo, com os outros, com Deus e com a terra. Quando todas estas relações são negligenciadas, quando a justiça deixa de habitar na terra, a Bíblia diz-nos que toda a vida está em perigo” (LS, 70).

Nesse número decisivo, encontramos a estrutura relacional do ser humano em sua pluridimensionalidade, já mencionada no início, em inter-relação com a compreensão da cultura. Sejam três (EG, 115 e LS, 66) ou quatro tipos de relação, como no comentário das narrações de Caim, Abel e Noé, em que é acrescentada a relação consigo mesmo, o essencial está na ideia de que o “rompimento dessas relações” ou sua deterioração, ao que se denomina “pecado”, espera por uma cura e uma restauração, para as quais Francisco apresenta o caminho em seus dois textos.

Para concluir esta primeira parte de minha apresentação: o primeiro gesto do Papa Francisco foi, portanto, promover uma unificação teológica do ensino social da Igreja pela sua inserção na narrativa bíblica entre a Criação e o Reino de Deus estabelecido nesse mundo criado. A dimensão social está aí inserida desde o início: ela consiste na tripla ou na quádrupla relação do homem, sendo que sua relação com a terra é com muita frequência esquecida pelos próprios cristãos. A perversão dessa relação vital pelo homem está em “estilos de vida” unidimensionais que se tornaram, hoje, hegemônicos. A Escritura nos conclama a denunciá-los, a introduzir o “estilo de vida do Evangelho” em nossas culturas como alternativa vital e a fazer isso numa perspectiva de cura da vida. Isso nos leva agora a dar um segundo passo.

Notas

(1) Este artigo é a íntegra da conferência proferida pelo Prof. Dr. Theobald, no Centro Sèvres de Paris, no dia 19 de setembro de 2015, e publicado originalmente em: THEOBALD, Christoph. L’enseignement social de l’Église selon le pape François. Nouvelle revue théologique, 2016/2, tomo 138, pp. 273-288.

(2) O texto propõe, nesse aspecto, uma transformação significativa do adágio thomista gratia suponit naturam (a graça supõe a natureza) em “a graça supõe a cultura” (EG, 115).

(3) Romano Guardini. La fin des temps modernes (1950), Paris, Ed. du Cerf, 1952. (com 7 citações!)

(4) Cf. Georges COTTIER et alii, Église et pauvreté. Préfaces de Sa Béatitude le Patriarche Maxilos IV et de Son Éminence le Cardinal Lercaro, US 57, Le Cerf, Paris, 1965; cf. também, mais recentemente, Kurt APPEL et Sebastian PITTLE, « Das Konzil am Grab. Das Grabmal Pauls VI. und der “Pakt der Katakomben” als Verständnishilfen für den ästhetischen Perspektivenwechsel des Konzils», in Jan-Heiner TÜCK (Éd.), Erinnerung an die Zukunft, op. cit., 371-384.

(5) AS I/4, 327-330.

Fonte: IHU

Em sintonia eclesial

Filhas de Jesus

CEM ANOS DE PRESENÇA EVANGELIZADORA EM BELO HORIZONTE – VIII

fi-juniorato

O Concílio Ecumênico Vaticano II é o marco mais significativo na vida da Igreja na era moderna. É a partir desse Concílio que há uma abertura imensa da Igreja Católica Apostólica Romana, seja na sua estrutura interna seja no diálogo com a sociedade em geral. O Concílio acontece na metade do tempo da presença das religiosas da Congregação das Filhas de Jesus nesta Arquidiocese e, evidentemente, repercute fortemente na vida dessas mulheres de Deus, atentas às orientações eclesiais, educadoras abertas à realidade que as interpela à luz do Espírito do Ressuscitado.

Ao buscar registrar esse momento histórico do centenário da presença dessas religiosas entre nós, o Observatório ouviu de Irmãs que viveram aquele momento crucial as repercussões do Concílio em suas vidas e missão.

Confiram: